sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os clipes da Oito Mãos.

Vi um vídeo de Noel Gallagher falando sobre os clipes do Oasis e me senti inspirado a fazer o mesmo com a banda na qual participei. Esse será um post longo, então a intro é só isso.



História de Outra Vez


Tudo era feito por nós. Até o fim de 2014 ainda era desse jeito. Jamais fomos de deixar algo nas mãos de um especialista e sempre nos julgamos especialistas em tudo. A verdade é que nosso lixo era sincero. Esse clipe foi gravado na casa que o Bier morou na infância, pisos de taco que ressoam o caminhar - daí que ele tirou "passo a passo, estalam as pontes sobre o magma de uma antiga infância inventada". Foi um dia feliz, todos se amavam. Adhemar era o nosso baterista e eu ali metendo o dedo em tudo quanto era canto que não era chamado. Eu fumava um cigarro atras do outro. Eles tocaram pra valer a música enquanto filmavam. Arrumamos uma caixa com potência e ligamos o material que gravamos no Basement com o Tarcísio Jr. e Caio Ribeiro. Publio editou, sempre teve paciência pra essas paradas e sempre foi ele quem cuidou dessa coisa de edição visual - as capas dos dois discos são obras dele. 


Guarde a Última Dança



Não sei de quem foi a ideia. Só sei que começamos a falar sobre sair fazendo filmagens de casais dançando em festas de formatura, casamento, baile da terceira idade, rastapé, a puta que pariu... Fomos deixando a coisa de lado porque ia dar um trampo da porra, e ninguém queria ter esse trabalho pra si. Alguém teve a ideia de roubar cenas de filmes famosos e uma amiga do Bier - Ruth Almeida -  fez o trampo que ninguém queria pra si... Quem viu essa música ao vivo insistia em dizer que era a melhor canção da banda - mesmo depois do lançamento de Aliás. 



Oito Mãos na Pucc




Isso não é um clipe, eu sei. Mas tem história. Eu não queria por nada nesse mundo participar dessa bosta, mas eles estavam aceitando até velório para tocar. Tentei fazer a cabeça deles (como todas as vezes que eu tinha uma opinião diferente, quem nunca?) mas eles nem deram bola. Iriam com ou sem eu. Foi o Adhemar quem arrumou essa roubada dizendo "pô, são os caras da Pucc, é uma oportunidade". Sempre caguei pra esse papo de oportunidade. Eu sabia no que estávamos se metendo. Eu fazia Pucc nessa época e foi nesse palco que fizemos nossa prova de Expressão da Comunicação, que nada mais era do que uma peça de teatro. Eu sabia que os técnicos da Pucc apareceriam com um microfone de lapela para nos captar e sabia que teríamos que tocar no volume 1. E também sabia que isso era um exercício de alguém ali inserido na Pucc. Acho que foi ao ar na TV PUCC. 


Claire



Pra você ter uma noção de como eu era (sou) escroto, o vídeo abre com um esporro meu: "Isso é um ensaio, não é uma gravação". Bier dá um sorriso sem graça e posso ouvir o pensamento do André. Mas o que eu gosto nesse vídeo são os elementos - minha Cort na mão do André; esse local na casa do André - onde foi gravado Vejo Cores; Adhemar na bateria - apesar de não ser um puta batera, era um cara divertido de trabalhar junto; o Zé irmão do Adhemar (que está filmando); e lembrar que eu tinha disposição de levantar as 9am dum sábado para ensaiar. Os vizinhos da Querubim Uriel deveriam querer nossa prisão. Claire é incrível, em qualquer situação. 


Passarinho



Vejo Cores Nas Coisas não tem um clipe decente. A gente ainda meio que não se atentava aos detalhes técnicos. Passarinho é um presente. Esse clipe é outra manifestação da felicidade de se ter uma banda e fazer as coisas juntos. Percebe-se no olhar do André a coisa toda. O desenho do Publio... Nossas ideias eram assim. A capa de Vejo Cores é assim. Eu morava com meus pais e ficava na casa do André até uma da matina. Com certeza essa filmagem foi feita depois das 23h e Cida (a mãe do André) já deveria estar sonhando e acho que Passarinho foi a trilha. 



Grave Lacuna



A gente tinha dúvidas quanto a nossa qualidade artística. Quer dizer, será que tínhamos? Falando por mim, eu acho que sim... Ninguém nunca disse nada, nossos shows eram para poucas pessoas interessadas e nossa luta era mais para ter um lugar ao sol do que para se sentir vivo. Não tínhamos um puto para investir - veja nossos videos até então. Até que nos inscrevemos em dois festivais: Cena Musical Independente, organizado pela secretaria de cultura do estado de SP e o Unifest Rock, organizado pelo Marks, o cara do rolê independente de Campinas. No primeiro, com sede em São Sebastião, eu só queria ficar doidão o tempo todo e curtir a brisa de ser a única banda de Campinas e conseguir estar lá. Nosso prêmio foi investido nos equipamentos necessários para gravar o Vejo Cores. Nunca me senti tão bem na vida como aqueles dois dias no litoral. Recebi a notícia de ter sido aceito no festival pelo meu querido Elthon Dias. Levei champagne no ensaio para comemorar nossa primeira conquista - a disputa era ser selecionado, o prêmio era garantido. No Unifest (o vídeo acima) foi mais legal ainda, porque foi aqui na cidade. Uns caras olharam torto para nós. Foda-se. Eu sentia, no meio da apresentação, que éramos uma banda FODA e que nada tiraria isso da minha cabeça. Foi aí que fiquei aliviado.Ganhamos - acho que o quarto ou terceiro lugar - e o prêmio foi usado para prensar Vejo Cores Nas Coisas. Grave Lacuna foi uma explosão escrita por André que nos levou a um novo degrau. 


Passo a Passo



O Ailás começou assim: nos inscrevemos nesses esquemas de incentivo cultural e rolou. Tínhamos um objetivo de fazer uns shows pelo estado e tínhamos direito à nossa parte. Mais uma vez, investimos. Eu havia saído da banda e o Adhemar também. Me chamaram de volta para assumir as baquetas e eu aceitei. Esse clipe inaugura nossa leva de clipes de verdade. Foi dirigido pelo Tita (Christian Camilo) e foi um dia maravilhoso no apartamento que o Bier morava em Sampa - o apartamento do Sol. A luz ali é incrível. Eu tava numa ressaca monstro, mas conservava um bom humor. Na verdade eu bebi na noite anterior porque estava feliz por fazer parte da banda. A ideia foi exatamente o que aparece - filmar a gente fazendo a capa de Aliás. Capa essa que veio da neurose de Bier em anotar as coisas de sua pesquisa de Guimarães Rosa em post it. Cheio de discos de vinis (Bier herdou a discoteca do pai) passamos uma tarde ouvindo tudo. Teve cerveja, cigarro de palha, café, cigarro de amêndoas e poucos takes dublando um alto falante de I-Pad - eu tremia ouvindo minha mixagem naquela bosta - mas deu tudo certo. 




Reserva


Tita - que ainda estava trabalhando conosco - cismou que Reserva era um hit. Dizia que o solo do André era espacial. Eu concordo. Então resolvemos fazer o clipe dessa, mas com a mesma proposta de Guarde a Última Dança - pegar cenas famosas e mesclar com algumas nossas e nossos cachorros. Quem aparece comigo é a minha vira-lata Maria Bethânia.  A história dos cachorros, etc, já cansei de falar. Como se trata de um post para fãs da Oito Mãos, quem lê sabe qualé. Tita disse que o vídeo iria ficar viral. Mas acho que ninguém entendeu nada de nada. Nem eu. Confesso que não gosto do clipe, mas tem seu charme. Tita fez tudo sozinho. Brigado Titanic! 



Linhas de Fogo


Acho que já contei a história desse clipe um zilhão de vezes. Mas basta dizer que foi mais um que estávamos presentes. Foi gravado no Horto Florestal em São Paulo e foi uma zoeira eterna. Só me lembro de rir o tempo todo. Tinha uma equipe de cinco pessoas, nunca havia visto tanta gente envolvida numa parada da banda! Gabriela Albuquerque é uma atriz de verdade e eu fiquei abismado uma hora que o diretor disse "Gabi, agora você faz cara de curiosa" e ela fez! Na época me parece que as Manifestações de 2013 atrasaram o clipe (não me pergunte como nem porque) mas acabou valendo a espera. Linhas de Fogo é divertido pra caralho. PS: a ideia inicial do André era gravar uma bailarina mandando ver na performance e a trajetória de seus passos seria guiada por linhas de fogo - ia ser impossível financeiramente. 



Ex-Namorados


Mais um clipe que "encomendamos". André entrou em contado com essa incrível artista, explicou algumas coisas e ela comprou a ideia. O resultado é de tirar o fôlego, porque casa tão bem com a canção que é difícil de acreditar que alguém não ligado à banda teve tamanha precisão em seu trabalho. Carol Pedalino foi ímpar e sua atuação e isso só enriqueceu o poder de Aliás. Tempos depois, Tulipa Ruiz lança um clipe em que uma moça segura um buquê de alface... Ex Namorados é o nosso recorde de exibição: 21.819. Não quer dizer nada, é só um número. 






Infância


Feito por Salomé Selomué, essa gringa pirou na coisa. E nos fez pirar. O clipe é tão intenso que o torna um pouco difícil de ver. A música é aquele batuque tribal infinito e esse visual faz do vídeo uma experiência peculiar. Acho que ela pintou mesmo e fotografou cada take e fez tudo isso na moda antiga. Uma artista que vale muita grana, mas como nós está no corre para divulgar o trampo. Claro que pagamos para ela, mas não o que ela merece.  Terceirizar a parada dava menos trabalho, mas o próximo clipe nos deu mais trabalho... 





Pacificamente




Deu um trampo do caralho. Acordamos 6am, descemos para Ubatuba e foi um corre daqueles. Para você ter uma ideia, começamos a filmar era umas 16h da tarde. Os caras da Firehouse Media estavam lá desde cedo e começaram a fazer imagens. Paramos a filmagem na praia logo que começou a anoitecer e estávamos varando de fome - ninguém almoçou, só amendoins e essas coisas. Rangamos uma pizza, tomamos uma cerveja e relaxamos. Já na casa da praia, o diretor disse "Galera, vocês se importam de fazermos mais alguns takes?". Claro que não... Estávamos cansados, mas... Foi um dos melhores dias da minha vida. Quem não gosta de praia e água salgada tem sérios problemas com a própria existência. Roubei um terno do meu pai e acho que até hoje ele não sacou que foi para cair no mar. Depois, na casa da praia, cerveja, cigarro de palha, cigarro de tâmaras egípcias, vida sendo compreendida, algo espetacular... Foi daqueles dias que eu quis pausar para a eternidade. Uma energia soberana, mesmo sabendo que coisas incrivelmente escrotas aconteciam ao mesmo tempo. A relação da banda estava indo pro brejo, mas gravar Pacificamente foi um último esforço (não menor que o nosso último show) e valeu muito, mas muito mesmo, ter feito parte dessa banda. 





Algo Espetacular



Algo Espetacular foi criado com o meu "foda-se, façam o que quiserem". Eu estava fora, puto da cara, e não queria saber de mais nada. Como em Pucc, eles disseram "tudo bem, vamos fazer sem você", e fizeram. Mas eu estava tão puto que não consegui (e ainda não consigo) admirar o clipe. Eu só conseguia pensar "filhos da puta". Não comentei nada e não compartilhei. Engoli em seco essa obra prima da Firehouse e desse senhor que não faço a menor ideia de quem seja. O clipe é de uma pureza surreal, que fechou nossa trajetória com maestria e tudo o que eu conseguia sentir (ainda sinto) é a pena de uma coisa tão bonita ser tão pouco apreciada, a começar por mim. Oito Mãos é uma banda que você ainda vai ouvir falar muito por aqui e nas mesas de bares (o que estou dizendo, nunca mais frequentei bar) ou seja, por aí... A gente ainda vai se esbarrar muito, eu, os caras e você, nosso fã!


Ah, tem o de Infância 2, mas aquilo eu prefiro nem comentar. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

Nunca mais eu volto!

Eu nunca mais volto nesse lugar! Quantas vezes você já disse isso e cumpriu com o que disse? Quando eu falo, pode ter certeza - nunca mais piso no local. Hoje pela manhã estava vindo para o trabalho e vi um cara na rua que me lembrou disso. Então esse é um post idiota sobre estabelecimentos que nunca mais voltei, sem a pretensão de queimar o filme desses, mesmo porque são lugares de sucesso e que não dependem da minha presença para continuar com seu sucesso. Antes de tudo, sucesso à todos!

Eu costumava frequentar o Bar Azul. Ia muito com o pessoal da Oito Mãos. Todos os nossos encontros eram lá. Talvez foi lá que passei a tomar Brahma. Certa vez estava com um dos caras e no meio da bebedeira pedimos uma porção de amendoim japonês. Na conta, a surpresa: um potinho por algo em torno de R$28,00. Já saiu para comer nesses botecos no bairro do Cambuí? Pra quem é de fora e lê essa coisa aqui, o Cambuí é o bairro mais nariz empinado de Campinas. Eu sei porque trabalho aqui... Não, não somos nariz empinado. E é aí que ganhamos muitos clientes e ouvimos merdas de outros por não nos curvarmos ao dinheiro - entenda como quiser. Mas isso é outra história. Paguei a conta e disse "nunca mais eu volto aqui". O bar ainda está lá, azul escuro de tão sujo. Mas com sua clientela fiel que não liga por pagar tão caro para comer amendoim. 

Também no Cambuí, na esquina da General Osório com a Júlia de Mesquita, está o famoso City Bar, com o prepotente slogan "O melhor bolinho de bacalhau do mundo". Nem sei, só sei que a torta de frango (quando eu comia frango) dá de dez a zero no tal bolinho de bacalhau. Há também o pastel de belém... Nunca comi, mas deve ser bom. Frequentado por pseudos intelectuais e professores e alunos de jornalismo - e mais uma galera que se diz letrado em qualquer assunto de mesa de bar, assuntos interessantes no geral - o City é de longe o bar mais famoso da cidade. Seu balcão é tão disputado quanto o banheiro (só tem um para cada sexo) e sempre (SEMPRE) a fila para mijar é uma tortura. Mas não é por conta do banheiro que não volto mais lá. O atendimento dos garçons é algo que não dá para entender. Ninguém diz boa noite, ninguém diz obrigado, ninguém sorri. Dá-se a impressão de que uma empresa desse porte não precisa mais agradar a ninguém a não ser a eles mesmos. A parada vende tanto que é problema teu se você quer ou não sentar lá para consumir. É tipo assim: você chega, senta com a galera e chega um garçom dizendo "Brahma ou Skol?" E se eu quiser bater um papo? Nunca mais eu volto lá. Mas é claro, sempre lotado. Tem gente que não liga pra isso. 

Fui levar meu banco do carro para arrumar no seu Nelson, num lugar chamado Estocar. Fica ali, atrás da Barão de Itapura, ao lado da Unimed, escondido do vai e vem dos carros, mas tão famoso que é o primeiro a aparecer no Google quando digitamos "estofamento automotivo" Campinas. Pra começar me deram um chá de espera de quinze minutos porque a única pessoa que poderia me passar orçamento de estofado estava saindo da hora de almoço. A pessoa? O seu Nelson, é claro. Um cara trabalhador, me diz que abre a loja as sete da manhã e fecha as seis. De sábado vai até as duas da tarde. Puta rotina filha da puta. Ou seja, são fodas. Mas não bati com ele. Depois do chá de espera, lá vem seu Nelson empalitando os dentes passando reto por mim. Alguém disse a ele que eu estava esperando. Ele veio com um breve "opa, tudo bom?" e já olhando o que havia de errado no meu banco. Enquanto isso, olhava o carro todinho dizendo "isso aqui também pode trocar, aquilo ali também" e eu dizendo que maneiro saber mas tudo o que eu precisava era arrumar o banco porque não estava aguentando o estado dele quebrado. Passou o orçamento a R$200. Eu disse "e pagando em dinheiro, à vista?" Ele disse "ééé rapaz, fica em R$200 mesmo porque esse é o preço do serviço, vai fazer?" Olhei pra ele e pensei no meu bem estar. Aceitei. O cara fez uma ordem de serviço e escreveu no orçamento: preço, R$220. Desconto de R$20 à vista. Total R$200. Olhei, sorri e disse "Mas o senhor me cobrou duzentos antes de eu pedir o desconto, que raio de desconto é esse?". Ele respondeu "O serviço completo é R$220 garoto, o desconto é esse". Fingi que não ouvi e dei ok. Ele me emprestou um banco dele e ficou com o meu.  No dia seguinte volto lá e um funcionário efetua a troca do banco pronto. Pago os R$200 e vou embora. Mas o banco ficou ruim. Esqueceram de ativar uma trava e o banco saía do lugar. Voltei no dia seguinte e o funcionário, ao invés de dizer "putz cara, viajei, foi mal", disse que não ativou a trava por que tem gente que gosta de usar o banco no máximo pra trás. Eu respondi que do jeito que sempre foi seria ótimo. Ele arrumou a trava. Depois cismei que o banco ficou torto, o funcionário concordou comigo e tentou arrumar o banco colocando o pé nas costas do mesmo - com o detalhe de usar um pedaço de carpete para não sujar. Daí ele pediu ajuda do seu Nelson e veio a gota d'água. O cara jogou o pedaço de carpete pra longe e meteu o sapatão sujo no banco. Depois de não ter sucesso, me disse que banco de Uno é frágil, é pra pessoas com no máximo sessenta quilos e pra eu tomar cuidado ao entrar e sair do carro. Puta que pariu. Minha última resposta foi, ao funcionário, "cara, brigado... eu não vou discutir com ele". Nunca mais eu volto lá. 

Também já aconteceu de eu ouvir isso, mas foi um alívio. Tem uma empresa - claro que não vou dar o nome, afinal são meus clientes - que compra comigo no informal. Vão fazendo uma continha e no dia dez pagam tudo. Uma funcionária de lá quis fazer o mesmo e tomei calote, pois ela saiu fora e ninguém respondeu por ela. Fiquei esperto. Daí uma outra comprava um (sim, UM) galão de limpa pedras e pedia para pagar no dia dez. Certa vez ela não mandou o pagamento. Eu mandei a cobrança. Ela ficou puta da cara, acho que entendeu tudo errado, e me ligou gritando dizendo "você acha que eu sou aquela moça que te deu o calote? Pois fique sabendo que não sou, eu NUNCA MAIS COMPRO COM VOCÊ". O gozado é que ela tem que engolir eu entrar na empresa para entregar pelo menos umas 4 vezes por mês... Quem perdeu foi ela. Mas nunca mais comprou... 

E quando eu trabalho com música também acontece coisas desse tipo. O Andarilho é um bar incrível - pra quem gosta, é claro. Eu, como cliente, jamais piso lá. Não é o meu tipo de lugar, mas respeito quem vai. E como músico fui praticamente proibido de ser chamado para trampar. Explico. As duas vezes que apareci fui recepcionado num clima meio que de cobrança, como se fossem meus patrões. Isso acontece, é normal. Mas a gente mostra profissionalismo e tenta fazer o melhor possível. Eu devia estar atrasado, não lembro. Mas o Amaral é um cara massa a gostou do que viu. Tocamos eu, meu irmão e o Gaúcho. Esse trio era maneiro, uma bagunça daquelas. Nós éramos em dois malucos que não levam desaforo pra casa (eu e meu irmão) e um que tentava conciliar as coisas em prol do trabalho (o Gaúcho, talvez o mais profissional nessas situações). Mas eu já tenho onde engolir sapos. Na música eu não engulo. Daí o dono do lugar tem costume de subir no palco para falar suas coisas. Eu já acho isso uma falta de noção tamanha, mas tem tanto músico que toca lá e aceita essa parada que quem sou eu para dizer não? E a noite foi-se. Até que chegou um momento engraçado. Estávamos tocando Light My Fire do The Doors e na hora do solo eu enlouqueço. Tipo, é o meu momento manja? E estávamos com o público nas mãos. Enquanto eu solava, uma mina foi subindo no palco - bêbada de dar dó - para cantar a canção, sem ser convidada. Eu meti meu corpo enorme como muro e disse "não". Ela falou "mas o Ley deixou". Eu respondi "ele pode ser o dono do bar, mas no palco quem manda sou eu". Eu não sei se foi algo do tipo "aquele cara nunca mais toca aqui". Mas eu sei que eu não piso mais lá nem se o Paul McCartney tocar. Quer dizer, o Paul me leva lá sim.. 

Nossa... Tem tanto assunto com essa coisa de música. Tem gente que não dá. Eu me faço de idiota, mas para alguns caras que agitam noites eu nunca mais trabalho. Gosto da simplicidade da Cachaçaria Água Doce de Barão e da camaradagem dos irmãos do Ponto 1. Certeza que eles já ouviram essa coisa de nunca mais também, todo mundo ouve... É normal. Mas tem uns caras que vou te contar viu... Nunca mais. 





quarta-feira, 11 de março de 2015

Monique Caetano - Alguma Coisa Vai Acontecer

Conheci Monique sobre circunstâncias peculiares da vida. Ela era (é) amiga de uma amiga de minha mulher. Certo dia elas se esbarraram e eu fiquei sabendo da existência desse curioso ser. Eu a imaginava uma moça grossa (não no sentido de má educada, mas no sentido de falar grosso e coçar o saco), branquela e de cabelos curtos. Algum tempo depois cruzei com ela num bazar da minha mulher. Nesse dia eu toquei com meu amigo Felipe da Oito Mãos. Monique era grande fã da banda e fui apresentado a ela com os seguintes dizeres: "Fê, essa é a Monique da qual te falei que foi lá em casa". Monique é linda, morena de cabelos cheios. Um olhar penetrante que demostrava, naquele momento, curiosidade por qualquer merda que saísse de minha boca. Voz bem menos fina do que eu imaginava, mas ainda sim cheia de personalidade. Falamos sobre música, é claro. Não me lembro se ela chegou a falar de si sobre ser cantora. Só sei que ela estava lá não apenas pelo bazar, mas para ouvir o som que iriamos fazer. Tocamos e depois a Jéssica - amiga da minha mulher - teve a brilhante ideia de pedir para Monique dar uma canja. Ela ficou extremamente sem graça, mas de tanto insistirem ela foi. Pegou meu violão e tocou. Havia uma timidez ali, mas também havia uma necessidade de vencer o medo do ridículo. Eu pensei "opa, que coisa..." E comentei com alguém "Essa moça daria um belo disco". Até cheguei a mencionar algo que eu não lembro, mas que ela jura que eu disse: "Você precisa de alguém para te gravar, mas esse alguém não pode ser eu no momento". 

Aí o momento passou... E, que coisa, chegou o momento. Pedi para ouvir suas músicas e ela me mandou as gravações básicas que estavam no You Tube com os dizeres "Fê, não repara na má qualidade". Tudo era muito visceral e muito cru. Basicamente eram folhas de cadernos rabiscadas com as letras das canções e alguns acordes. Se essas canções dizem algo - algo forte, direto e assustadoramente sincero e biográfico - mas estão cruas, isso é um prato cheio para um produtor musical como eu. A chance de agarrar obras de arte e molda-las seguinte o caminho que você quiser. 

Algumas eram bem diretas no sentido de arranjo e estrutura, como é o caso de Só Eu e Você, faixa que abre o disco com uma virada de batera e Monique Canta sem parar para tomar água - é uma enxurrada de informação sonora - mas simples, é claro. "Todo mundo diz que somos tão jovens pra saber do amor, mas essa gente tão sábia anda tão infeliz".  Por falar em batera, escalei um grande músico - meu irmão Ítalo. Foi fácil gravar 8 das 10 canções (duas eu toquei a bateria porque eu simplesmente queria). 

Outras eram quase diretas - o caso do samba A Graça Dela, que tocamos na porta do rock, abrimos a porta e sorrimos dizendo um sussurrante "oi". Ou a sacana Ímpar. Porque sacana? Uma música dessa é sacanagem... Porra. Linda demais. 

Preciso mencionar Calmaria - um rock que me deu espaço para fazer um final longo e cheio de camadas. Nessa canção tivemos memoráveis sessões de gravação do que chamamos de festa. A ideia foi abrir uma cerveja e se embriagar na frente do microfone, tudo isso de madrugada. 

Por fim, Lavar o Sol é a minha preferida porque ali eu realmente peguei uma tela branca e pintei do jeito que mais me deu na cabeça. "Eu vou levar o Sol mesmo a quem só me trouxe a tempestade". Mais cristão que isso, impossível. 

São 10 canções que eu tive a honra e o prazer de tirar da gaveta da artista e transformar em canções de disco. Ela virgem de estúdio e eu ainda procurando a tacada certeira. A cada disco que eu faço tenho a certeza absoluta de que acertei. Dessa vez não foi diferente. A gente sabe que alguma coisa vai acontecer. Todo dia algo acontece. Monique foi uma grande coisa que aconteceu. 

Viva a música. 


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre Palhetas



Essa semana fui na loja de instrumentos comprar uma coisa tão pequena mas tão útil que quando falta no meu porta níquel da carteira é desespero na certa: palhetas. Uso Dunlop 1,14mm para o baixo e 88mm para violão e guitarra. Comprei cinco unidades, para durar "pra sempre", é o que me diz minha ingênua consciência. No vai e vêm das coisas, palhetas se perdem como fios de cabelos nos travesseiros. Ou isqueiros (o hábito de acender um cigarro e colocar o isqueiro no bolso faz de você não um ladrão, mas um escravo do costume - e você acaba roubando sem querer o isqueiro de quem te emprestou. Quando tem festa lá em casa no dia seguinte a gente acha uns sete de todas as cores) de qualquer modo, estamos falando sobre palhetas - ou sobre coisas pequenas úteis que se perdem. Deixei dez mangos e fiquei pensando na época em que uma palheta custava cinquenta centavos.

Quando moleque fiz um colar e pendurei uma palheta da marca Fender na ponta, para deixar claro a todo mundo que eu era guitarrista (coisa de moleque bobo) - quem nunca? Um amigo meu na escola, Leopoldo Pardi, também usava um colar desses e eu perguntei que guitarra ele tinha. Ele me disse que tocava baixo. Eu, influenciado por algumas das babaquices que os pais dizem, ri da cara dele dizendo que baixo não se tocava com palheta. Meu pai dizia isso para mim e menosprezava músicos como Duff Mckagan, do Guns And Roses (minha banda preferida da época). Mais tarde, quando a gente começa a perceber que nossos pais não sabem tudo, fui sacar que alguns músicos tocavam seus baixos de palheta. Assim que vi Paul McCartney, truquei meu velho: "Mas o cara ae dos Beatles toca de palheta"... Ele não teve resposta e comecei a duvidar da verdade paterna. Para arrematar a coisa vi Sérgio Dias arrebentando no walking bass de palheta na mão direita. Já era, eu também tocaria meu contra baixo de palheta. Meu irmão me viu gravando uma trilha e me disse "cara, você toca igual o Paul né?". Respondi com um olhar desafiador somado da mais pura sinceridade: "é claro, ele é o maior do mundo". 




Na Oito Mãos meu nobre colega Leandro Publio me apelidou por um breve momento de "gnomo das palhetas". Toda vez que eu precisava mostrar alguma coisa na guitarra eu pedia a palheta dele. É claro que eu colocava no bolso assim que acabava a exibição, mas não fazia de propósito. Era a força do hábito. Aliás a coisa que mais se ouve quando há um show para acontecer é "ow, tem uma palheta aí?". Até os caras do Charme Chulo fizeram essa clássica pergunta ao Publio num dia que dividimos um palco.  Eu e meu caro Rafael Castro, da JB E Seus Amigos Sex Symbols, estávamos prestes a subir num palco quando ele me pediu para ficar com meu afinador eletrônico de braço. Eu disse "porra, você não tem um afinador?" Ele sacudiu a cabeça, meio sem graça. Em seguida fui vingado. "Ow, tem uma palheta sobrando ae?" Ficamos quites. 



Ainda falando sobre Oito Mãos e contra baixo, Felipe Bier é o contrário. Usa os dedos. Eu falava que isso era coisa de franguinho. "Usa uma palheta ae mano!", sempre indeferindo minha proposta. Apenas em Rosa, de Aliás, ele usou a palheta, e na gravação. Ao vivo ia no dedo mesmo. 

Certa vez estávamos num show dos Titãs, há anos, na festa do figo em Valinhos-SP. No fim do show Tony Bellotto jogou sua palheta num aglomerado de moleques. Meu amigo João Paulo saiu correndo, como um hobbit, ajoelhou e entrou por debaixo da galera. Eu não sei como - até hoje me pergunto - mas ele voltou todo eufórico com a palheta do cara nas mãos. Outra vez, com esse mesmo amigo, estávamos na primeira fila dum show dos Paralamas na Red Eventos. Era a apresentação do acústico e lá estávamos, batucando no chão do palco todos os arranjos do disco. No fim o Hebert me escolheu para dar a palheta amarela dele com o seu nome. Fiz um porta retrato desse objeto junto do ingresso do show e lá ficou por anos. Um dia eu tive que usar essa palheta (que estava na minha carteira, e era a única) destruí ela na hora. Ainda a tenho, partida, em algum lugar da minha vida. Outro cara que consegui a palheta foi Juninho Afram, mas foi uma decepção - o cara usa aquela Jazz 3, minúscula, ridícula. 




E teve uma vez também que eu estava no salão do Anhembi, na feira dos músicos (aff) eu e meu amigo Lucas Bocchese queríamos testar uns instrumentos, mas estávamos sem as benditas palhetas. Dando aquele rolê percebemos que tinha um tal João Alguma Coisa autografando cartões da marca da guitarra que ele representava e doando uma palheta para cada fã. Não pensamos duas vezes e lá fomos para  fila. Peguei a palheta e ainda emendei um "valeu,cara... sou te fã". Porra, que sacanagem. 

Por fim... Essa semana eu fui comprar pelhetas para durarem para sempre, como citei acima. E ao abrir a caixa onde ficam as pequeninas expostas, me lembrei da primeira vez que peguei uma palheta nas mãos. Meu pai tinha um amigo que chamávamos de Tio Paraná. Ele esqueceu uma palheta lá em casa, eu deveria ter uns oito anos. Era um objeto bem colorido, verde, azul, prata. Peguei na palma das mãos e fiquei viajando, sobre como legal seria usar aquele objeto... Mas primeiro eu precisaria aprender a tocar... 

Não é que eu aprendi? 


sábado, 13 de dezembro de 2014

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos




Se dá trabalho gravar um disco, imagina fazer um filme desse nível? O cinema ainda existe, pelo incrível que pareça. Muitos filmes eu baixo e assisto em casa mesmo, na minha TV LED FULL HD... Mas nenhuma experiência é maior que ir ao cinema, e só Peter Jackson para me fazer enfrentar um Shopping Center American Way Of Life numa sexta-feira de dezembro. E sair de lá feliz da vida. 

Assisti "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos" numa sala XD - Extreme Digital. É o HD do HD, em 3D. Quanto ao 3D, foi a primeira experiência que alucinei. Inúmeras vezes me desviei de lanças e ria sozinho. Limpei meu ombro de poerias de batalha e de neves que caíam na Terra Média e não suportei olhar por muito tempo a cara de Smaug. A experiência é foda. A única coisa ruim é que é tão perfeito que você não enxerga personagens, mas atores trabalhando. O HD do HD incomoda - a água é muito clara, a pedra é de mentirinha, o cenário é só um cenário... Os detalhes saltam na cara e ás vezes fica parecendo novela. 

Mas vamos ao filme. O Hobbit, de John Ronald Ruel Tolkien, é uma história breve, um livro com suas duzentas e poucas páginas. Uma jornada de Bilbo Bolseiro - o tal do Hobbit - e seus companheiros anões que partem para conquistar uma fortuna guardada pela ira do dragão Smaug. Essa fortuna pertence ao rei Thorin Escudo de Carvalho e sua pretensão é devolver ao seu povo o seu reino. Bilbo embarca nessa porque Gadalf, o cinzento, acha que deveria ter um pequenino por perto para serviços ágeis e surpresos. Eles chegam na Montanha Solitária - onde está o tesouro - e colocam Smaug pra correr. Então todo mundo quer colocar as mãos na porra do tesouro. Esse é o resumo.

Mas a mente de Peter Jackson é épica. Grandiosa como a duração de suas trilogias. E a sua interpretação para as coisas merecem todo o nosso respeito. Pode ser massante para alguns, mas pessoalmente falando Jackson é fabuloso. O cara filma muito! A cena dos senhores do escuro versus Elrond e Saruman é de fuder - isso não está no livro (que eu me lembre) mas espalhado nos inúmeros apêndices de O Senhor dos Anéis ou nos outros livros sobre a Terra Média - O Silmarillion e Contos Inacabados. A voz de Sauron é a do próprio diabo. E sua expulsão para o Norte vale todo o ingresso. 

Detalhe para a mixagem de áudio do filme. QUE COISA!!! Cheia de dinâmicas. Há momentos em que é tão alto que você acha que vai queimar as caixas do cinema. E momentos de puro silêncio. Fiquem atentos a isso! 

Bilbo Bolseiro é uma simbologia da fina camada da humildade e coragem que há nas pessoas - talvez nos pequenos, aqueles que menos prestam atenção e que muitos subestimam - viva na chama que alimenta a fogueira da sociedade.  No pequeno podemos perceber a audácia de enfrentar o grande com inteligência. Tá na bíblia - Davi e Golias; tá no mercado - McDonalds versus Auto-Lanche do Bigode; e em todas as camadas da vida. Jackson fez dessa pequena aventura uma coisa gigante. Tolkien fez de um pequeno Hobbit um gigantesco guerreiro, esse que achou algo tão pequeno, mas tão pequeno, que não cabia no coração dos menos valentes - um anel para todos governar. 





PS. antes de cometerem a cagada de comparar Westeros com a Terra Média, lembre-se que antes de escrever a Guerra dos Tronos, Martin leu Tolkien. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os games da minha vida.

Não faz tanto tempo assim que escrevi o último post. Anda me faltando tesão. Senti a necessidade de falar sobre videogames. Eu sou um maluco por games, mas não sou um nerd. Não consigo jogar futebol no console, por exemplo. Também não joguei Counter Strike e não debulho no Guitar Hero - pra quem toca o instrumento de verdade, esse aí não faz muito sentido. Tive um Atari, um Master System, um Mega Drive, um Super Nintendo, um Sega CD, um Nintendo 64 e no momento passo minhas noites sossegadas com meu Playstation 3 - não pretendo comprar um 4 tão cedo. Então aqui vai uma listinha de jogos que me vêm a cabeça, uma lista despretensiosa, sem dizer qual é melhor. Apenas os que me trazem boas lembranças e me fizeram suar o controle.



Pitfall - Atari.


 Isso que você vê na foto era o gráfico mais incrível já visto. Uma sonoplastia inconfundível com uma jogabilidade única, original. Não havia nada assim no planeta e o mundo era pequeno para o Atari. Eu era muito novo e não conseguia ter coordenação motora para pular a cabeça dos três jacarés. Mas adorava ficar assistindo quem dominava a coisa. Você que tem seus vinte anos, esqueça: jamais saberá a emoção que foi ver um jogo desses numa TV de tubo ao redor de dez amigos - naquela época pouca gente tinha acesso a isso e a coisa era juntar a galera. 



Enduro - Atari. 


Acho que tudo apareceu junto. Como sempre aqui no Brasil a coisa era atrasada. O que era novidade por aqui, nos EUA era antigo. A impressão que tenho é que esses jogos invadiram de uma vez só nossas prateleiras. Os desenhos na capa dos cartuchos eram incríveis e a diversão era garantida. Enduro era infinito - aliás, "dar final" num jogo só começou com a nova geração dos consoles 8 bits. Mudava umas três vezes de cenário - e os faróis dos carros acendiam ao anoitecer, algo que já ditava a riqueza de detalhes que apareceria aos jogos de hoje. Na neve o carro deslizava, olha que foda! E bater em alta velocidade era de dar nos nervos. Um jogo para cravar na mente da minha geração. 



River Raid - Atari. 


Você pilota um avião amarelo sob um céu azul envolvido com algo verde - grama, certeza. No céu tem barco, posto de gasolina e helicóptero. Se você encostasse na grama, já era! E você podia atirar um míssil amarelo. Parece ridículo? Sim, parece, mas era viciante. O lance de não ter fim fazia com que você batesse seu recorde e o recorde do vizinho. Uma competição de deixar a lição de casa para a última tarefa do dia.  


Keystone Kapers - Atari


Ou "pega ladrão", como chamávamos. Esse tinha um "fim", que era pegar o fujão, daí começava tudo de novo. Alguns obstáculos absurdos - como um avião, carrinho de marcado, um troço que brilhava que até hoje não sei do que se trata e uma outra coisa que girava. Tinha uma inesquecível escada rolante, que nos dava a dica de que a parada acontecia em um shopping center. 


Alex Kid In Miracle World - Master System. 


Novamente ficamos assustados com o passo dado. Havia música, gráficos incríveis, jogabilidade nunca vista. Alex Kid foi uma franquia, mas cito aqui o primeiro e melhor de todos. Um jogo longo, que você dava final em duas horas. Mapas, castelos,compras, mar, moto, helicóptero, cavernas, jó quem pô, o tipo de jogo esperma de um Uncharted. 


Shinobi - Master System


Os caras começaram a ficar ousados. Shinobi era gigante e dar final era impossível. Aqui começaram as manhas e dicas para passar de fase. Ele era um ninja que resgatava crianças capturadas. Usar magia era muito massa pois você ouvia o grito do Shinobi ao fazer tal coisa. Os chefões começaram a aparecer e daí pra frente tornou-se padrão um jogo foda ter chefões. Em especial a chefe que nunca consegui matar: Mandara. Anos depois consegui pular direto para a última fase e encarei o chefão final. Matei o tal e, para meu desgosto, não tem uma cena de fim. O jogo dá reinício e é isso. A não ser que para se ver alguma história fosse preciso "dar final pra valer". Nunca saberei. Alguém aí sabe?


Black Belt - Master System


Talvez seja esse o melhor jogo de Master System. Até hoje tenho cravado na minha mente as trilhas sonoras. Eu canto para você, se duvida. Um soco ou um chute desintegrava o oponente e a coisa ficava cada vez mais difícil. Foi a primeira vez que chamamos a barra que indica sua vida de "life". Os chefões, um mais foda que outro, foram o embrião de Street Fighter - aliás, E-Honda é uma cópia escancarada de Gonta, o lutador de sumô desse jogo. Coisas da vida. 



Califórnia Games - Master System


Jogos de Verão - como a Tec Toy lançou por aqui - era diversão garantida. Juntava a galera toda para fazer campeonato e a tarde voava. Acho que nossos pais começaram a se arrepender de dar um game para nós aí. 


RC Grampix - Master System


Um jogo de corrida completamente diferente de todos os outros. A começar pela posição da câmera, que era de cima! Isso resultava num comando aparentemente estranho, pois esquerda e direita não queria dizer exatamente esquerda e direita, mas sim o inverso, e numa corrida visualizada de cima isso fazia todo o sentido. Os carrinhos eram de controle remoto, foda! Aluguei essa fita e nunca mais a vi. Uma pena. 

Asterix - Master System. 


Dá uma olhada nessa capa do jogo e veja o "4 Mega" estampado. Aquilo por si já era motivo suficiente para implorar ao pai por tal aquisição. Lembro de ir nas lojas do centro de Niterói e ver o danado na prateleira. Não ganhei o jogo, e nem lembro como consegui, mas joguei até dizer chega. Um jogo inteligente, de quebrar a cabeça, pra jogar sozinho, sem depender de outras pessoas para se divertir. Um marco na minha vida. 


Mônica no Castelo do Dragão - Master System


A primeira vez que o texto era em português. Nem saquei que era uma releitura de "Wonder Boy". Foda-se. Nossa Mônica estava no Master System e isso merecia interesse. Um jogo longo e bonito, cheio de desafios cativantes. A cada capítulo você virava um personagem de Mauricio de Sousa, onde cada um tinha uma característica única. Cebolinha nadava, Bidu andava pelas paredes e Anjinho voava. Era foda. 


Labirinto - Master System


Você ligava o power do Master e quanto aparecia o logo da Sega, você segurava pra baixo e apertava os dois botões (sim, só tinha um direcional e dois botões, o pausa era no console e não no controle). Daí entrava essa tela de labirinto, onde você controlava um caracol. Vi gente que chegou na última tela. Eu nunca consegui. Mas passei muito tempo tentando. 






Altered Beast - Mega Drive


Foi outro soco no estômago. O primeiro jogo que vi do Mega. Era um dia após o natal e fomos ver a grande novidade que tinha no prédio.  Fiquei boquiaberto ao ver um video game falar pela primeira vez (RISE FROM YOUR GRACE) enquanto todo o gráfico ao redor do personagem era digerido por minha mente. O dono do console - muito caro para ganhar de meu pai - ria da minha cara ao ver minha reação. Mega Drive era coisa de gente rica. Nunca imaginei que veria algo desse tipo. O cara virava um lobo e isso era o suficiente. O resto, dali pra trás, era resto. 



Sonic, the Hedehog - Mega Drive


A abertura do jogo, que falava "segaaaa" e inciava com uma música foda já deixava qualquer moleque de pau duro. Após uma rápida introdução, o jogo começava. Música nova e o tal do Sonic voando, pulando, detonando. Vendo essa imagem eu ouço o barulho das argolas sendo colhidas. Sonic perpetuou e ainda é lançado nos dias de hoje. Um grande personagem, uma grande inovação. É claro que corria por aí um tal de Mario, mas isso é assunto para daqui a pouco. No prédio a galera usava Sega. Acho que era por causa da Tec Toy ter fabricado o Mega no Brasil. Eu sei lá. Só sei que Sonic foi um presente. 


Castle Of Ilusion, estrelando Michey Mouse - Mega Drive. 


Havíamos jogado o de Master System, que era um jogo ok. Quando rolou a releitura para Mega, o mundo desabou. As músicas e os cenários, inclusive os movimentos e história, eram a mesma coisa - só que melhorados! Essa foi outra grande coisa que marcou: a melhora dos jogos de um console para outro. Músicalmente falando, esse jogo é um dos melhores de todos os tempos. Grandes canções eram - e ainda são - criadas para os jogos, que nos emblemavam e nos envolviam. Sei cantar todas e se você me cruzar um dia, me cobre isso. Um jogo de plataforma para nenhum outro por defeito. 



Flashback - Mega Drive


Um dia fui na locadora de games e não tinha o que eu queria. Olhei a capa de Flashback e levei pra casa. Talvez porque eu não esperei nada, sei lá... O jogo me conquistou a ponto de, hoje, achar o melhor game do Mega Drive. Flashback é incrível, um RPG em plataforma de tirar o fôlego. Às vezes calmo, às vezes intenso, Flashback conta a história de um cara que teve a memória apagada e correr atras do prejuízo. Passa-se num futuro nada próximo e é um verdadeiro desafio sacar as coisas. Acho que foi aí que comecei a entender um pouco o inglês, do contrário não passava das fases. Outro embrião de Uncharted. 



Moonwalker - Mega Drive.


Um jogo que você controla Michael Jackson, que logo de início ele joga uma moeda na Juckebox e a gente ouve Smooth Criminal, e que também usa seu moonwalker dance como ataque aos inimigos. Precisa falar mais alguma coisa? 






F-Zero - Super Nintendo


A batalha era grande e quem ganhava com isso eramos nós. Sega e Nintendo disputavam no mercado qual era o melhor console de todos os tempos. Aos poucos fomos sacando que a Nintendo estava ligeiramente na frente. Minha história com o Super Nes se dá quando pedi um para o meu pai de aniversário e ele apareceu com um violão. Daí virei músico. Mas um dia, mais tarde, mais velho, ganhei uma grana e comprei um SN de um amigo da escola e finalmente pude desfrutar do game que ganhou como o melhor da minha geração. Alguns jogos eu vi e joguei na casa dos amigos, como esse maravilhoso jogo de corrida, de um jeito que nunca mais fizeram. Porque será que nenhuma releitura saiu para as gerações PS3? F-Zero era um jogo de alta velocidade mesmo! Sem frescuras. 


Donkey Kong Country - Super Nintendo


Outra inovação. Esse jogo trouxe gráficos jamais vistos, uma profundidade de cenário maravilhoso, um 3D surreal para as televisões de tubo. Seus mapas e cantos a serem explorados, somados com a incrível jogabilidade, fizeram desse jogo algo altamente viciante. A gente terminava o jogo e via que não estava 100% finalizado. Nessa época a revista Ação Games era primordial nas minhas mãos, já que You Tube não existia. Os dois macacos mais bacanas de todos os tempos nos levaram a magníficos desafios. Foi um dos jogos que eu mais xinguei por cair em buracos quando tentava alcançar uma plataforma. Destaque para as fases das minas, onde você guiava um carrinho que, sem ter treme-treme no controle, dava pra sentir encaixando no trilho a cada pulo, de tão perfeito que esse jogo era  (e ainda é). 

Mortal Kombat - Super Nintendo



Não havia a menor condição de se trazer um Arcade para dentro de casa. Para se jogar MK, era preciso ir ao Shopping e gastar uma grana com fichas. Tinha gente que sabia tudo, todos os Fatalites com todos os personagens. Quando vi Kanon arrancar um coração, achei que o mundo poderia acabar ali e nada mais seria feito melhor. Outra coisa importante nesse jogo foi a comparação do Mortal do Mega para o do Super Nintendo - o segundo dava um show e era igual - IGUAL - ao do fliperama. Os movimentos eram perfeitos, o sangue jorrava litros e os fatalites um melhor que o outro. A Nintendo trouxe o jogo do fliperama para nossas casas, simples assim. A Abril não dava conta de prensar tantos exemplares da Ação Games para dar de presente os comandos - o mais famoso é o meia lua + soco, que praticamente em qualquer jogo de porrada é resultado de magia. Meus personagens: Sub Zero, Scorpion e Liu Kang. 


Street Fighter - Super Nintendo. 


Se me perguntar qual prefiro, Mortal Kombat mil vezes. Mas se em uma lista de games não aparecer esse aí, não dá para levar a sério. A mesma coisa: A Nintendo trouxe o fliperama para nossas casas e novamente deixamos nossos trabalhos escolares para depois do banho. Me sinto feliz por fazer parte de uma geração que viu isso tudo. 



Internacional Superstar Soccer - Super Nintendo. 


Simplesmente o melhor jogo de futebol de todos os tempos. Sem comandos complicados, sem frescura, sem babaquice. O jogo era simples: Corre e manda pro gol. Recheado de detalhes como chuva, neve e sol; jogador cansava e havia substituição. Cartão amarelo e vermelho. Penalidade máxima também. Esse foi o jogo responsável por me tirar o tesão dos jogos de futebol dos consoles da nova geração - complicadíssimos! Realismo, às vezes, empobrece a diversão. Era só risada e a molecada se divertia pra valer. Allejo para seleção! 


Super Mario Kart - Super Nintendo. 



Todo mundo, absolutamente todo mundo, que teve um SN sabe da importância de Super Mario Kart. Nunca tínhamos visto um jogo tão cativante. Difícil de jogar, um verdadeiro desafio! E as batalhas era de tirar gargalhadas. Um visual lindo, trapaças legais, competição acirrada! Esses caras que faziam games era verdadeiros gênios e nós, mais uma vez, ganhávamos com tudo isso. Você acha que gasta muita grana com jogos hoje em dia? Mal sabe como era naquela época... 


Super Mario World - Super Nintendo. 


Isso não era um jogo, era um estado de espírito. A paz estabeleceu nos nossos controles e a vida fazia todo o sentido. Vi esse jogo, pela primeira vez, numa televisão de 30 polegadas - uma máxima para a época - e todas as cores saltaram aos meus olhos. A música desse jogo já vale tudo. Todas as fases eram maravilhosas e guiar o encanador mais famoso do mundo nos fazia esquecer os problemas (poucos para um garoto de 14 anos). O maior ícone de todos os tempos, o tipo de coisa que faz os estúdios de hoje gastarem cada vez mais com gráficos para trazer diversão - quando só trazem desafios. Divertir é a chave do sucesso do entretenimento. Super Mário World foi o maior jogo da franquia e, talvez, o maior jogo de todos os tempos até então. 





Goldeneye - Nintendo 64. 




James Bond foi avassalador na geração de consoles 64 bits. Daí pra frente, pararam de contar essa medida. Gráficos mais reais do que tudo. Não dá pra descrever com exatidão a emoção de jogar isso. O modo de batalha era uma verdadeira guerra e juntar os amigos para curtir um dia inteiro ainda é válido: se alguém tiver um 64 plugado com um Goldeneye e dois controles, senta que lá vem o sofá esquentando. Os caras eram tão fodas que faziam você jogar no modo sozinho 3 vezes! E se pá jogava tudo de novo. Mais uma vez a Nintendo mandava no mundo enquanto Microsoft e Sony se trancavam em seus laboratórios para tirar de vez a nossa querida da liderança. Só que com alguns aspectos do passado não se mexe: Nintendo vive. 



God of War - Playstation 2



Quando a Sony lançou o Playstation 1, eu estava ocupado demais com o Nintendo 64. Não dei a mínima para o fato de um console 64 bits trazer sua mídia em CD. O cartucho, até então, ainda era mais bacana - não tinha load e não travava. Agora você pare de ler isso e volte no primeiro jogo desse post. E imagine só a reação minha ao ver Cratos partir um monstro na primeira cena do filme... ops, jogo. O que a Nintendo tentou fazer com o gráfico 3D de Super Mário 64 ficou evidente nesse magnífico jogo. God of War é um marco zero. Dali pra frente a coisa seria muito diferente e eu já não tinha mais certeza do que o homem era capaz de fazer. Lembro que, nos anos 90, eu pensava "será que um dia nós mesmos estaremos dentro de um video game?". Ainda penso nisso, mas com menos pessimismo. A Sony nos mostrou (e continua mostrando) que não há limites. Os investimentos em chips e processadores são enormes. Logo estaremos babado novamente (ainda não é com o PS4). 




Uncharted -  Playstation 3


Na minha opinião ainda não temos um novo marco zero. O PS3 apenas trouxe mais gráficos e mais cores, nada do que não tínhamos visto em God Of War. Mas as histórias vão crescendo, inovando, e os criadores de games vão sacando cada vez mais do que eles são capazes. Aqui começa o jogador barbudo com casa para cuidar, do tipo "depois eu faço a janta, agora vou jogar uns 40 minutos". Drake é fodão demais, puta merda. Uncharted é obrigatório. 




Assassins Creed - Playstation 3



Sempre evitei esse jogo. Me diziam que era longo demais e que enjoava. Um dia, sem jogo para curtir, pedi a um amigo meu - o Capi - se ele poderia me emprestar para ver qual era do game. Ele jogou na minha mão os três primeiros, com a promessa de "leve o tempo que precisar". Acho que foram uns 4 meses, sei lá. Só sei que me apaixonei por esse jogo e o tempo que ele me roubou foi o tempo que ganhei. Assassins Creed é tudo isso que te falam. Não conhece? Tadinho... 




Batman Arkan Origens - Playstation 3


Claro, o Arkan City veio antes. Mas era emprestado e tive que devolver assim que capturei o Coringa. Esse aí é meu e estou jogando nesse momento da minha vida sem a menor pressa para terminar. Pretendo dar 90% nele. Um jogo que me faz lembrar da época que os controles tinham apenas um botão e com aquilo você fazia tudo. Batman é muito, muito foda. Esse jogo é uma visão do futuro - onde é que iremos parar? Minhas noites estão mais felizes por esse simples detalhe. Jogo uma hora, uma hora e meia, e largo. Quando posso, volto e entro de cabeça em Gotan City. Um brinde!




É claro que joguei tantos outros que não lembro aqui. Mas esses jogos que citei são os que me marcaram de uma forma. Agora temos o PS4 dando as caras mais forte do que nunca, mas em todo esse tempo sempre fui um retardatário. Tive o Master quando todo mundo tinha o Mega. Tive o Mega quando todo mundo tinha o Super Nintendo. Tive o SN quando todo mundo estava no PS. Migrei pro 64 por conta do Goldeneye. o PS2 eu emprestei do meu irmão. Agora tenho o PS3 quando todo mundo está migrando para o PS4. Mesmo atrasado, vivi e curtir absurdamente todos os incríveis jogos de video game. Agora só me resta detonar tudo que tenho direito no PS3, aproveitar que tem gente desovando seus jogos que um dia custaram R$250 por R$40. Quando lançarem o PSP Plus C3P, eu migro pro 4... E por aí vamos. 







sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Blue Waltz - Phillip Long



Phillip Long não precisa provar mais nada pra ninguém. Talvez seja aí que a coisa ainda funcione. A impressão que A Blue Waltz (independente, 2014) passa é a de um Long querendo provar algo para si mesmo. Não foi deixado claro o que houve entre ele e o mago do violão Eduardo Kusdra, responsável pela genialidade sonora e brilhante dos sete discos passados de Long. A diferença entre os discos antigos e o novo é gritante. Tecnicamente, perdeu-se muito. 

O que antes era perfeitamente tocado, executado, mixado e masterizado hoje soa como iniciante. Isso não é ruim, isso é coragem. Traçar o rumo pelos próprios pés, mesmo que no começo se engatinhe muito - sim, há de se caminhar muito para se chegar na qualidade de Kusdra, um produtor que morou e trabalhou girando botões de equalizadores, processadores e compressores por muitos anos nos EUA, na disputada Nova York. 

Musicalmente Long mantém o ritmo daquilo que ele acredita ser a sua causa: o folk. Para os fãs, isso é magistral. O artista não decepcionou. Fica um alerta: até quando um compositor está disposto a manter a sua causa? No gosto pessoal nada jornalístico desse que vos escreve, a obra prima de Long é Sobre Estar Vivo, 2012. 

Esse garoto de Araras, que se expões sem pudores na rede social, nos apresenta, em seus oito discos de carreira, uma maneira intensa de viver da música. Dias desses me disse que arrumou um trabalho, que não dá pra viver de música. Sorte dele, porque o país está ridículo. Corre atrás do seu pão. Mas nunca se esqueça, caro Long: é a música que te mantém vivo, e sobre estar vivo é sobre fazer música, um dom raro nas pessoas. 

Parabéns pela iniciativa de andar com os próprios pés. Agora sim eu posso dizer que é você ali. Sinceramente, era isso que faltava.