domingo, 23 de junho de 2013

Bravo, dia 4.


O quarto dia de gravação do meu terceiro disco de carreira aconteceu na terça feira 18, mas só agora fui sentar aqui para falar sobre isso. Cheguei a tirar fotos e fazer um filminho de eu e Luis conferindo um trecho em que somamos sintetizadores, para ver se não estava brigando com a voz. Mas ficamos tão cansados no final da sessão que nem lembrei de colocar em meu computador tais imagens e vídeo, então nos contentaremos com as palavras. 

Bravo não terá violões de aço, o que é uma coisa inédita para mim. O meu Takamine folk sempre esteve presente nas minhas faixas, desde Vejo Cores nas Coisas (Oito Mãos), passando por SOL (onde ele brinca de gangorra com o Epiphone Jumbo de meu amigo Lucas Bocchese) parando em Aliás (Oito Mãos de novo). Não sei o que me levou a tomar essa decisão. Cheguei a levar o Takamine para o estúdio, mas ele não teve espaço. Quem veio com tudo foi o maravilhoso Admira, cordas de nylon, que meu pai me comprou há um bocado de anos quando foi para a Espanha. Lembro de ter respondido "um violão" quando ele me perguntou o que eu queria que ele trouxesse das zoropa. 

Admira entrou nas faixas You Know e O Velho. No Velho nossa querida guitarra (como dizem os próprios espanhóis, Luis é um deles) foi judiada com a batida roqueira do gordo aqui, descendo o pau a cada momento em que a canção segue para o seu pico total. Já You Know é de uma leveza sem tamanho, charmosamente descrita por Guilherme Moraes como "Eric Claton tentando tocar Bossa Nova". Não se trata de uma bossa, mas a analogia faz todo o sentido. Nos overdubs de You Know, Luis me dizia "cara, falta algunas coçitas, faz uns trocitos bonitos e bamos ber no que dá". Então eu respondia "porra Luis, você está acostumado a trabalhar com os caras do flamenco... sei tocar essa merda de nylon não". Mas a gente se virou. 

Ah é, Moraes deu um pulo no estúdio e foi o primeiro a ouvir o que estamos fazendo. Ele chegou bem no momento em que eu tomava um belo dum cacete para gravar o piano de "O dia de minha morte". Piano é o instrumento que mais me dá trabalho, ser exato numa porra dessas é pra quem sabe. No meu caso, eu preciso raciocinar para tocá-lo, e é aí que eu perco o tempo. Mas deu certo. Guilherme chegou a dizer "eu nem me atrevo". 

Fizemos também os sintetizadores já mencionados acima da canção "A luz define você". Logo partiremos para os outros sints do disco - os chamados PADS. 

Por enquanto é isso. Por mais que me pareça que muita gente que eu gostaria que estivesse lendo isso aqui e tivesse esperando ou me dizendo coisas não estão dando a mínima, eu sei que tem gente que me dão certo valor por eu fazer o meu trabalho. De qualquer modo, Bravo está nascendo para ocupar mais um espaço no mundo incerto dos sonhadores. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Bravo. Dia 2 e 3.

A semana passou lentamente. Eu estava ansioso para dar continuidade ao trabalho. Mesmo com todo o assunto das manifestações desse país que um dia será digno de seus filhos, eu não conseguia parar de pensar no meu disco. Acho injusto ter que pensar em outras coisas além do que anda acontecendo. Mas precisamos continuar com a  vida. A minha me traz, mesmo que timidamente, ao estúdio para vomitar todas as minhas necessidades de vivência. Ver as cores de seus sons sendo produzidas num fervilhão de ideias e perceber que há uma banda tocando no software - mesmo que eu tenha feito tudo o que se ouve - é demais! Eu já deveria ter me acostumado com tal coisa, mas é sempre novo. 

A começar que usei o baixo Gianinni Stratosonic da igreja que minha mãe congrega. Penso seriamente em fazer uma oferte para eles. Levei o baixo no Paulinho (luthier que trabalha ao lado da Playtech) e ele deixou o bichão pomposo. Em coisa de algumas horas tínhamos todos os baixos gravados. Ele foi plugado num rack da Line 6, o tipo de coisa que ajuda a ganhar tempo, pois o som já vem pronto.

Outra coisa que traz o som pronto é um rack simulador de amplificadores e efeitos diversos da BOSS, o GT Pro. 


Luis (o Alcaide, sem acento no i) dono do estúdio Norte, disse que essa ferramente era uma mão na roda, pois teríamos um mundo de possibilidades. Confiei nele e largamos os amplificadores de lado. O interessante nisso tudo é que o som vindo do Boss parece algo muito "forçado", muito "pasteurizado". Mas quando é somado à música, parece que ele estava pronto para uso. Você consegue fazer de tudo - regular delays, flangers, chorus, compressores, drives, octaves... Você vai  do som mais limpo e encorpado ao mais trash possível. Com essa belezinha nós fizemos verdadeiros paredões de sons. Há momentos em que temos quatro ou cinco guitarras fazendo a mesma coisa para dar uma profundidade colossal ao som. Tudo isso gravado com minha Fender. Estou considerando a hipótese de mandar um email ao pessoal da BOSS e perguntar se eles não querem que eu seja um representante sobre como usar as coisas dele. (sacanagem, eu não me acho tanto assim). 

Mas daí tivemos que gravar um solo. Algo que viria das profundezas, carregando fogo numa bola de fúria incontrolável. Seu feedback deveria ser incontrolável. Precisávamos de uma força insuportável de watts vindo de válvulas de potência somado com ruídos de carga elétrica e ondas sonoras dançando entre alto falante e captador das minhas cordas 0.10. Dessa vez não foi meu bom e velho amigo Fender Hot Road, ele ficou pra outra. Entrou no time uma combinação inusitada (ou não seria tão inusitada assim?). Em cima, mandando todo o seu amor e ódio, nosso amigo Marshall JCM. 


Em baixo, recebendo tal amor e ódio, um caixa de 4 falantes de 10 da Mesaboogie. Guitarristas de plantão, é preciso sorte e um tiquinho de grana para ter essa experiência. Estar numa sala de captação, afinar sua guitarra, o técnico dizer "vai" e você ter que ter discernimento suficiente para controlar um monstro desses no volume 5... Chega a doer na pele. Os takes são cada vez mais mágicos. Só depende de você fazer o seu trabalho. O único solo de guitarra propriamente dito que ouviremos em BRAVO foi feito dessa maneira. Eu abria o volume e vinha aquela "búúúúu´píííí fuóóóón" e eu tinha que tocar imediatamente para não ter isso. Viro de costas para o ampli para limpar o solo. Viro de frente pra ele para sujar tudo e meto o foda-se. Penso em Jimi, em David, em Eric (sério). Sinto que, mesmo tocando todos os instrumentos do meu disco, é na guitarra que eu mando bem. Deus nos abençoe! 
Logo logo voltaremos com novidades. O disco está ficando altamente Bravo. 

Que nosso país seja abençoado pelo criador. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bravo - dia 1.


O BRAVO nasceu sem a mesma pretensão de ESPERANTO e SOL. Que eu me lembre - e lembrar é algo raro para mim - fiz canções que me pareciam "bonitinhas", nada mais. Listei-as totalizando 13 canções, guardei no HD e parti para o "Aliás", da Oito Mãos, para o "Delírio e Destruição", do Guilherme Moraes e do disco do Leo Costa, sem nome ainda e sem finalização. 

Nesse domingo me tranquei no Estúdio Norte, de Luis Alcaíde - o mesmo que masterizou a versão vinil de Aliás - e nos entregamos ao trabalho. Uma semana antes nós chegamos a conclusão de que se conseguíssemos matar a batera de pelo meno 4 canções, seria um bom feito. Só que o clima ensolarado de um domingo ressacudo em Barão Geraldo tinha outros planos para nós. 

A coisa soou tão natural que antes do almoço tínhamos metade das bateras prontas. Fomos almoçar um temaki e retornamos. Tomamos um chá verde - sério, chá verde mesmo - e voltamos ao trabalho. A única canção em que empaquei foi "O Choro da Gi", que resolvi fazer uma leva de hi-hat que não sei executar. Luís me aconselhou a deixar essa por último. Assim foi. Matamos o resto e, as 19h, quando fui gravar mais uma vez "O Choro da Gi", matei em um take. Luís me olhou da técnica, fiz um sinal de Heavy Metal enquanto esperava o som do prato se dissipar. Quando Luís apertou o stop, eu berrei "ROCK AND ROLL!". 

Daí sim nós celebramos um domingo inspirador. Na verdade a semana toda foi inspiradora. Meu ombro esquerdo doía muito, mas esquecer por horas o trabalho que paga minhas contas para executar o trabalho que faz vivo é um alívio para a alma, mesmo que o corpo tente ceder. Dia 15 e 16 faremos os baixos e guitarras. 

Até. 



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aliás, o vinil.

Depois que entrei para a Oito Mãos, minha vida só foi subir degraus. Essa banda é a maior que eu já participei e, pelo jeito, temos muita lenha para queimar. Quando eu realmente acho que já deu, cá estamos nós sendo presenteado com o acaso. 

Quando comprei uma vitrola - após ter ouvido o Revolver num sebo em Itatiba-SP - cacei todos os discos que amo. Eu vibrava a cada Band On The Run que achava nas lojas, levava pra casa e me deliciava com o som do vinil. Percebia que o Dark Side Of The Moon tinha mais dinâmica, silêncio era silêncio, porrada era porrada, pianinho era pianinho. 

Foi quando, após começarmos a pensar em gravar um novo disco para a humanidade, eu disse "e se a gente prensasse em vinil?". A coisa era impossível. No Brasil - tinha que ser né - só existe uma empresa fazendo isso, cobrando um preço exorbitante com a falta de concorrência. Era praticamente impossível, um duro e tortuoso sonho de ser alcançado. 

Gravamos o disco. Mixei o disco. Masterizamos o disco. Sonhávamos mais um pouco.

Até que teve um dia que eu chamei o compadre Felipe Bier para dar um rolê em sampa, queimar umas verdinhas - to falando de dinheiro também - em mais discos de vinil. Entramos numa loja de uma moça simpática que já veio me zoando de maluco - eu devo ter cara de maluco. Entre compras e outros papos, lançamos a ela que éramos uma banda. 

"Ah tá, e cade o produto de vocês?" - essa pergunta nos deixou de cara no chão. Deve ter uns 800 CDs do Vejo Cores na casa do André e a gente simplesmente não sai com ele por aí. "Vocês têm que vender, sem esse papo de consignação. Eu teria comprado uma caixa de vocês". Sim, ainda tem gente que acredita na mídia física. A razão? É simplesmente o melhor. Foi quando, nesse mesmo instante, dissemos que estávamos gravando outro disco e que nosso sonho era prensar em vinil. Ela nos passou todos os contatos, e nós sabíamos que prensar na gringa era mais barato. E funcionava!

Daí pra frente toda a parte burocrática foi feita pelo Bier. Aqui deixo o meu mais sincero obrigado. Quando esse cara põe algo na cabeça, ele faz acontecer. 

A prova do LP chegou ontem. Cheguei em casa, dei comida para as cachorras, tomei um banho, troquei de roupa e coloquei a bolacha dupla pra tocar. 

A viagem que passou pela minha cabeça foi tamanha que eu não conseguia pensar em outra palavra além de uma: surreal. 

Quando a gente diz que está gravando um disco, as pessoas não têm muito a noção do que isso realmente quer dizer. Alguns dizem "você está gravando um CD?". Mas, dessa vez, eu posso dizer: gravamos um disco, porra!

O Aliás versão vinil tem 4 lados. A pausa que há entre as canções é cinematográfica. Você adquire, entre um lado a outro, tempo para assimilar as coisas - é um disco longo. No formato vinil a mixagem finalmente pode ser ouvida do jeito que ela foi concebida, como se você tivesse ouvindo dos falantes do estúdio. Hoje eu posso dizer, quase que prepotente: Quer ouvir uma mix minha? Compre o vinil. 

A isenção do compressor - absolutamente necessário para as masterizações digitais (CD) - nos dá um quê de segurança no que se ouve. O que se passa na agulha é de tamanha precisão que dá a impressão de que a banda está na sua sala, tocando ao vivo. Não sei dizer se é porque o trabalho é meu. É muito diferente. Também não sei dizer se é a impressão que temos na ranhura da agulha com os sulcos do vinil. O físico girando realça os graves, os médios e os agudos. As canções porradas - A Vitrine, Um Amigo, Infância, Lá se Diz e Linhas de Fogo - ficam mais "soltas", dando uma profundidade tamanha. 

O que impressiona é o retorno ao passado. A tecnologia atual é normal aos nossos olhos acostumados com PS3. Mas ao submeter-se à tecnologia antiga (e põe tecnologia nisso) você se vê rodeado de significados. 

Nós fizemos história lançando esse disco nesse formato. A alegria é indescritível. Eu passei por tanta coisa nessa vida de música - estou só começando - que fica complicado conter a emoção ao ver, finalmente, o teu disco! A internet é pequena. O Mp3 é surrado. O Wave é logaritmo  Sim, eu sei que gravamos em Wave, mas a ranhura do físico acaba com isso tudo. 

Fizemos o Aliás com uma placa de som M-Audio Fast Track 8R, compressor DBX ligado no automático. Vozes plugadas no pré Blue Tube da Pré Sonus, utilizando um microfone AKG Perception 120 (o mais bosta da categoria). Guitarras Gibson SG plugada num Fender Blues Deluxe microfonado num SM 57; guitarra Fender Telecaster Mexicana plugada num Fender Hot Road Deluxe. Contra baixo Fender Jazz Bass Marcus Miller ligado direto na placa. Tudo isso em 16 bits. Sim, 16 bits. 

E daí? 

HAHAHAHAHAHA!! PORRA!! PUTA QUE PARIU!!! NÓS SOMOS A OITO MÃOS, MUITO PRAZER! 

Viemos para nunca mais sermos esquecidos. 

Fazendo história. 


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Batman, o herói que não existe.


Gente dedicada faz a coisa certa.

Isso serve para o Batman, isso serve para o Christopher Nolan.

Num primeiro momento temos a história contada através de mentes brilhantes. Pro inferno os amantes dos quadrinhos. Esse filme foi feito para os amantes de filmes, para os que gostam de uma boa trama policial e suas conclusões emblemáticas, daquelas de fazer a gente ficar pensando um bom tempo depois que os créditos sobem na tela. No meu caso, tive que vir imediatamente escrever sobre, após perder a versão cinema e assistir (com uma boa carga de atraso, confesso) na minha televisão LCD amparada pelo excelente Blue-ray do meu PS3. 

Diga-se de passagem que o Coringa valeu pela trilogia. Não há um psicopata a sua altura e nunca haverá uma mente hitleriana tão ofensiva quanto ao do palhaço interpretado pelo inesquecível Heath Ledger - isso é indiscutível. 

Outra coisa que me surpreendeu foi o bico calado das pessoas que iam assistindo o filme. Apenas diziam "é demais, é fenomenal" mas nunca entregando o jogo, sabendo que, se contassem o que acontecia, privaria o próximo de uma experiência inspiradora, a mesma que me trás as palavras aqui. O filme e seu desenrolar, em si, é superável. Tantos e tantos foram feitos. Mas  a conclusão, ah, a conclusão! Tudo bem que grandes expectativas geram grandes decepções, então se você ainda não viu esse filme, não gere as melhores. Mesmo porque eu duvido que você que está lendo esse texto ainda não viu. De qualquer modo, foda-se.

Nolan é da leva dos grandes profissionais que sabem gastar dinheiro. Não é um desperdício de conta bancária. Ele nos brindou com um marco, conseguindo fazer melhor do que já foi feito. Do inesquecível Batman de Tim Burton, Nolan apenas melhorou - esqueçam Joel Schumacher e sua tendência colorida, aqueles foram tempos nada sombrios, esbanjando otimismo. Batman é da escuridão, é da feição sem sorriso, do sorriso irônico, é sobre perder e nunca ganhar. É doar no piloto automático (puta merda, piloto automático!!!). 

É difícil falar desse filme porque citar os ocorridos seria acabar com as surpresas, e são elas que nos brindam. Ainda bem que existem mentes brilhantes com capital de sobra para fazer essas coisas absurdamente geniais e gigantes. O mundo agradece. 



Batman é o tipo de herói real. Seu poder é o dinheiro. O verdadeiro poder, as verdinhas. Será mesmo que teríamos um playboy que arrumaria nossa cidade? Que varreria os corruptos? Que daria muita porrada nos Dirceu's e Sarney's e Maluf's? Nos traficantes que tentam, dia ou outro, matar a polícia com verdadeiros atentados terroristas? Será que daria certo um cara com tanta grana que faria armas e aeronaves mais qualificadas que as do próprio governo e, assim, levar paz aos morros do Rio? Um cara sangue nos zóio para dar esperança ao povo? 

Isso não existe. Ninguém pode nos salvar do nosso inevitável fim, da nossa inevitável pré-disposição ao mal. Não existe tal coisa e não imagine que há gente disposta a colocar as mãos na lama para manter a sua limpa. É por isso que o mito de Batman, o homem-morcego, o faz tão peculiar. Trata-se de uma história real, é o Tropa de Elite americano, o sonho do herói do povo, que não vê credo ou time de futebol ou raça ou grana - ele vê moral e justiça. 

Que o herói que há em todos nós, na imaginação das telas de cinema e da sua casa, nos lembre do quão limitados somos e, por isso mesmo, nos deliciamos com histórias bem contadas. 

Estoure uma pipoca para comemorar!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Aos homens que mataram Cristo.


Se você morresse sabendo que iria ser julgado, o que pensaria? Tenho a leve impressão de que certas pessoas creem na graça porque do contrário estariam em verdadeiros apuros. Imagina só, você aí, todo errado, todo pecador, ser, um dia desses, julgado? O pior julgamento é o que fazemos a nós mesmos.

Na época de hoje, coisa entre 22 e 25 de dezembro, fala-se um pacote do maior personagem contemporâneo de todos os tempos - Jesus Cristo. Dizem ser o próprio Deus encarnado, dizem ser apenas um homem de muita moral, dizem ser o verbo da criação. O que dizem por aí se não nada e ao mesmo tempo tudo?

Mas por trás de tudo que se diz sobre o Cristo Terrestre, a coisa que mais me atrai é justamente a sua morte e o seu bom senso. Amor e morte. Amou seu inimigo e morreu por seu ideal, seja lá qual fosse ele. Alguns até pensam que esse cara não passava de um maluco. Talvez sim, afinal, somos todos loucos não é mesmo? Ainda mais os homens brilhantes. Se hoje a gente ri de um cara que se diz ser santo, que cura, que diz que tem um pai no céu e etc, imagina há 2 mil e tantos anos atrás? Os caras matavam!

Ouvi uma certa história de que o espírito de Adolf Hitler está trancado em um diamante. Parece até coisa de Super Homem, lembram-se dos três vilões de preto que eram trancados em outra dimensão? Então... Depois lembrei da Jean Grei, do X-Men, que era uma mutante tão forte que deveria ser controlada. O diamante que controla o espírito de Hitler - seria ele um animal? Um monstro? A personificação de Lúcifer na Terra? Seria ele merecedor do julgamento que toda a humanidade lhe dá? Seria ele uma personalidade tão forte que qualquer lembrança sua nos dá aquele desprezo pelo homem e a sua capacidade de ser mal?

O mal é necessário. Não duvide disso. A doença é verdadeira. A vida é cruel. A Terra é um lugar onde nós, seres humanos encarnados, viemos aprender algo; e aprender requer repetições, até que conseguimos fazer a coisa certa sem pensar muito, quase que automaticamente - você foi alfabetizado desse jeito, veja como funciona.

Como, então, iremos julgar Judas Escariotes e os soldados romanos que mataram Jesus Cristo? Como faremos juras contra os sacerdotes que se viram confusos diante de um judeu que curava, impressionava e que dizia ser o filho de Deus e rei dos judeus? Alguém tinha que apertar o gatilho, se não a história de Cristo não seria lembrada até os dias de hoje. Alguém tinha que colocá-lo na cruz, para essa virar o símbolo de muita gente. Hitler é o gatilho da humanidade nos dias de hoje e tem gente que ainda não aprendeu. Exige muita repetição! Mas é tranquilo, o Sol ainda tem muito o queimar, a humanidade tem muito tempo para aprender.

Jesus Cristo foi o primeiro a perdoar e não julgar. Aceitou o seu julgamento para, sei lá, perpetuar... Vai saber. Disse ele (e aqui me pergunto quem foi que ouviu ele dizendo isso para seu Pai lá nos céus, pois estava sozinho no jardim né?) que era um fardo muito pesado. Sentiu medo. Sentiu a dúvida, será mesmo que os seres humanos mereciam o seu sangue? Espero que um dia tenhamos essas respostas.

Se, de fato, o criador, o verbo, que esteve presente na criação, o mesmo que disse "meu reino não é nesse mundo", estiver nos esperando em algum outro lugar, onde nesse lugar a LEI será aplicada de um modo moral e tão justo que ninguém verá necessidade em quebrá-la, gosto de acreditar que há um fim muito bonito para nós, nos esperando calmamente, enquanto a humanidade caminha em passos de formiga - como canta Lulu Santos.

De qualquer modo, tenha um bom Natal.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um fã - Jefferson Inácio Pereira

Certa vez abri o face book e havia uma solicitação de amizade de Jefferson Inácio Pereira. Mandei uma mensagem perguntando quem era ele. Disse algo do tipo "conheci a Oito Mãos, virei fã e queria manter contato contigo". Na época eu nem mais era da banda, havia sido convidado a me retirar dos trabalhos artísticos e me vi colocado pra fora, pois, pela primeira e única vez na banda, todos acataram a decisão de um. Hoje, prestes a ser lançado o maior trabalho que eu estou envolvido - é claro que isso é uma questão pessoal e meramente mimosa, vejo vários comentários a respeito do que anda sendo lançado - primeiro o clipe de Passo a Passo, depois os dois aperitivos do filme produzido pelo Tita, e logo o filme em si.

Como artista, ter um fã é algo indispensável. Resumindo, é massagem de ego. E o ego necessita ser massageado, sabe como é, né... Pelo Ego perdi muita coisa e ganhei quase nada, pra não dizer nada. Deixando meu ego de lado (o que chamam por aí como humildade) eu consegui participar de um disco com os mesmos que acataram a minha saída da banda. Confesso que o fiz por mim. Porque, independentemente do que eu acho realmente dos meus companheiros de banda, as canções que esses caras escrevem são de outro cosmo. Então optei por entrar no trilho, porque se fosse pra ser como antes, não tínhamos passado nem do primeiro ensaio.

Fica aqui o texto escrito pelo querido Jefferson, um grande fã de música, do tipo que chora quando ouve algo espetacular - que nem eu.


18/12/2012 - 15:37

Oito Mãos - Algo Espetacular

Grande dádiva é uma boa promessa q nos faz sonhar além e alcançar, maravilhosa coisa é
quando o sonho, mesmo que distante, concede partes que nos permitem contemplarmos sua
concretização. Essa é a experiência que se tem ao assistir o belo filme Algo Espetacular.

O sonho, que é o futuro cd da banda Oito mãos, revela-nos sua realização em pequenos
trechos mostrados no filme citado. Este filme, belíssimo trabalho do grande "multi-talentos"
Christian Camilo, conta fielmente como se deu a formação da banda campineira Oito Mãos.
A história da banda garante grandes emoções ao ilustrar o encontro de seus integrantes. A
espontaneidade mesclada ao talento, carisma e simplicidade de André Leonardo, Felipe Bier,
Felippe Pompeo e Leandro Publio abrilhantam cada cena. Estes jovens e experientes músicos
dedicam respeito, empenho e amor à música, mutuamente, afim de desenvolverem a arte
cantada e tocada pela Oito Mãos.

A Oito Mãos permite aos fãs apreciarem o brilho dessa grande pérola que está chegando,
o cd Aliás, ao lançarem e disponibilizarem gratuitamente o single Passo a Passo e, logo em
seguida, seu clipe. O lançamento garantiu á Oito Mãos 2.890 likes em sua página no Facebook.

A humildade e generosidade dos quatro membros que formam a Oito Mãos faz com que os
fãs tenham total acesso e contato com cada um deles, isso, afirma o fã Jefferson Inácio Pereira,
residente em Goiânia GO, é um exemplar diferencial. Ele confirma que já foi presenteado
por Felippe Pompeo, baterista da banda, e que também recebeu cartas assinadas á mão pelo
próprio. Jefferson Inácio enfatiza que ama as músicas da Oito Mãos e que a bondade dos
integrantes aproxima a distância entre São Paulo e Goiás. Essa virtude e várias outras o faz
admirar cada vez mais a banda.

Christian Camilo não economizou talento e esforços afim de nos emocionarmos com a
qualidade de vídeo e áudio do filme, trabalho digno de aplausos. Ali, em meio á um cenário "in
natura" direcionou seu foco á particularidade de cada um dos integrantes da Oito Mãos
coletando relatos e encenando talentos. Com apurado bom gosto alucina á todos ao utilizar
trechos de canções do cd Aliás na trilha sonora do filme.

Assim, através do filme Algo espetacular , temos essa maravilhosa coisa... o sonho
concedendo partes que nos permitem contemplarmos sua concretização. Aliás, sonhar além
e alcançar. Assistam, vocês verão que esse filme... essa banda... essa história ... é ALGO
ESPETACULAR !!!

por Jefferson Inácio.

FUCKING CHEEARS!