sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Tulipa Ruiz no SESI AMOREIRAS



No dia 9 de agosto de 2012 eu postei meu parecer sobre o segundo disco da Tulipa Ruiz, "Tudo Tanto". Quarenta e nove dias depois (se eu não errei na conta) estou lá, sentado acho que na oitava fila, no corredor de um teatro bem bacana que eu nem sabia que existia na minha cidade - o SESI Amoreiras, Campinas-SP. 

A começar pela grande dádiva do valor da arte (ainda mais uma arte do cacife de Tulipa) - de graça! E  eu achando que seria o único interessado em conferir a continuação de Efêmera ao vivo. Da última vez que a vi, Tulipa gozava do sucesso da já citada "canção-tútulo". A coisa ainda um tanto nova. O sucesso rondando na cara, no palco, no publico. Para mim, como espectador, tudo desconhecido. Fui a convite de minha mulher - "vai ter Tulipa, aquela moça que canta aquela música tal, que eu ouço quase todos os dias... Não quero ir sozinha, vamos comigo?". Ora, mas é claro... Gosto de música e o show, naquela época, custou três mangos... Fui surpreendido e passei a ouvir Efêmera todos os dias por uns 3 meses. 

Daí a cantora consegue patrocínio da Natura (até onde li) e grava mais um disco. E tudo está relatado no post de 9 de agosto. 

O tempo que separa Efêmera de Tudo Tanto é o mesmo que separa o "muito obrigada" do último show para o de ontem. Fila tranquila, povo muito educado (dá orgulho de estar lá), gente bonita e respeitável. O teatro se abre, todos sentam. Um aviso sobre segurança e suas portas com travas. Lá fora aquele puta frio de oito graus com sensação de quatro. As luzes se apagam, o irmão dela entra e pega a guitarra, o pai dela faz o mesmo. Os dois amigos no baixo e na bateria. Todos prontos. Até aí todo mundo batendo palma. Então a Tulipa aparece trajando um vestido preto com alguns detalhes brilhantes, com um ar de maluca mas não tanto. Nem sorri. Séria de meter respeito. A virada espetacular de bateria e começa-se o espetáculo que vale certamente uns cento e vinte reais. "Pode ser ou é". Absurdamente perfeito, uma competência de ensinar na faculdade de música com ênfase em palco. A banda, o que se vê, é de uma sutiliza pesada fora do comum. O looping rolando como o quinto músico - a aqui não me interessa teu pre conceito com quem usa isso, pois bem usado é tão lindo como uma harpa. Tudo que foi gravado no disco e que não há quem execute ao vivo está nos loopings, das dobras das vozes de Tulipa ao arranjo de cordas. A impressão que se dá é que apertaram o play do CD. O pai dela é de uma precisão que só os anciãos tem - seu vibrato nas cordas é bonito de ver. O irmão dela caça cada nota como se fosse a última coisa mais importante do mundo.

Aos poucos o olhar sério de Tulipa vai dando espaço aos seus comentários divertidos, dando a certeza de que ela é uma pessoa muito bacana e que o tempo deve passar tão rápido quanto o seu show numa mesa de bar junto dela. Fez algumas confissões quanto à letras e a equívocos de encarte e gravação. Falou que não tocaria Efêmera: "Vamos desapegar gente, para nós também é difícil". E, o que mais me chamou atenção, dizendo que a primeira vez que esteve em Campinas foi no SESC, como artista secundária, tocando na piscina para um povo que estava mais preocupado em nadar e tomar cafezinho do que ver o seu trabalho, e que estar ali naquele momento era muito gratificante. 

O que será daqui pra frente? "Ah, eu não ligo... Vou lançar mais um disco, e os críticos vão meter o pau. E mais um e por aí vai". Penso "mas como é que deve ter gente metendo o pau? Ela está se gabando, só pode". Ela diz "sabe-se lá... quando eu tiver velhinha vou estar cantando ainda" e aqui ela imitou a própria voz tremula de velhice "vou ficar mais um pouquinho" tirando risada de todos os presentes. Daí aquela pausa e diz "ou não". Um show intimista que quando chegou em Brocal Dourado fez todo mundo ficar de pé e os mais empolgados irem ao pé do palco. 

Cara, a Tulipa é muito foda. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Black Sabbath, 1970





Difícil... Muito difícil falar sobre isso. Nesse momento estou ouvindo “Black Sabbath 1970” e muita coisa se passa em minha cabeça. Os sinos, o vento, a chuva. Ozzy cantando como se fosse marido da Dona Morte (aquela do Penadinho, lembra?), todo mundo um tanto calmo, mas absurdamente sinistro; Tony Iommi fazendo da guitarra algo muito além do que simplesmente tocar. Tente expressar com palavras – arrisco-me a dizer que o peso que tanto caracterizou uma era vinha praticamente do falante do seu amplificador. É claro que, como banda, todos tinham seu peso, sua evidência. Mas o timbre de Tony...

Em 1970 o mundo era um tanto do sonho que vivemos hoje (claro, depende de tua idade e do que você considera ser um sonho). O rock, em seu caule, era ousado e pesado. Mas não barulhento e agressivo. Alguns chamam isso de hard rock. Eu chamo de evolução. Não consigo imaginar Ozzy e Tony pensando “precisamos fazer algo de diferente, algo que o mundo ainda não ouviu”. Imagino que a coisa simplesmente aconteceu. Ingredientes num caldeirão fervendo. Asa de morcego, unha de porco, terra de cemitério. Contos do túmulo. Junta a galera em volta da fogueira e vamos enxergar a diversão no crepúsculo.

Há de se entender que algumas pessoas simplesmente não dão a mínima para demônios, diabos, anjos, céu e inferno. Algumas pessoas até fazem disso o seu ganha pão. Falam disso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Se você parar pra pensar, realmente, coisas que assustavam o povo antigo pode não fazer muito sentido hoje em dia. Vivemos num mundo onde o terror é outro, é bomba, é corrupção, é assalto, é assassinato, causados pelo próprio ser humano, e que algumas pessoas justificam tudo isso dando créditos ao tinhoso. De qualquer modo, até os assassinos amam. “My name is Lucifer, please take my hand”. O que isso tudo pode querer dizer são outros mils (pra não dizer quinhentos), o importante é que assustou e ainda assusta uma multidão de gente que, só de pensar em Ozzy e companhia, treme dos pés à cabeça.


Quanto à música que há nesse disco, ela é brilhante, é luz. Um diamante que reflete a claridade de um mundo recheado de mistérios, de uma vida dosada de bem e mal. Ozzy canta muito, preciso em suas notas. Tony é direto, o tipo de guitarrista que deu as mãos a tantos outros e influenciou toda uma geração de guitarristas que vieram depois. Geezer Butler e Bill Ward completam o álbum de figurinhas.
Em muitas de minhas viagens sem sair do lugar, estive com Guilherme Moraes enquanto ouvíamos Black Sabbath nos monitores do estúdio e ele berrava e apontava para os falantes, como se ali estivesse acontecendo uma performance ao vivo: “o que me entristece é o pré conceito musical que há em alguns caras, pois o que há de errado em apreciar isso e ao mesmo tempo um, sei lá... Vinícius de Moraes?”. Não vejo nada de errado nisso. Não é ser eclético, é ser justo.

A nova música pulsa. A nova era. Pulsa de dentro pra fora, de fora pra dentro. A música nunca estagnará. Ela sempre terá suas ramificações, seus caminhos, suas encruzilhadas. A música dá cor à vida. Mesmo se ela for escura, onde não há como enxergar as cores. Mesmo que seja um sábado escuro, enegrecido, há luz nisso tudo. Muitas vezes é na escuridão que enxergamos além, pois deixamos de usar os olhos e passamos a usar os ouvidos, nosso grande órgão, nosso mestre, nosso guia. O velho é aquele que morre. A história é eterna. É nova, pois o tempo é só uma questão de ponto de vista.
Black Sabbath é um retrato perfeito da virada, do novo, do incomparável, do ditador de tendências. É o simbolismo do roqueiro que se veste de preto, com camisas de banda, com correntes, anéis.  É uma banda que faz parte da evolução e que contribuiu para essa evolução continuar na maré de tendências. O mundo agradece.

Dedico esse texto ao querido Danilo Bracalenti, o cara que me disse “Pompeo, você já ouviu isso?”, apertando o play em seguida. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tudo Tanto - Tulipa Ruiz



Quando Tulipa Ruiz laçou "Efêmera" - 2011 - os "formadores de opiniões" rasgaram todas as cedas do universo em suas críticas. Eu, o mais crítico de todos os tempos, me deixei levar pela revista Rolling Stone (que é, até o memento, o veículo em que me mantenho antenado nos lançamentos apurados das grandes mídias, e podem me chamar de idiota por isso, estou cagando e andando), ao ler na edição de dezembro que "Efêmera" era o melhor disco lançado naquele ano.

O que pode estar em jogo é que me parece - sempre me parece - que os "formadores de opiniões" rasgam ceda, quando acho que deveriam usá-la para fumar. Eu usei "Efêmera". Fumei tudo. Não sobrou ceda alguma. O disco é simplesmente lindo.

Mas então ela lança "Tudo Tanto" - 2012. A princípio penso duas coisas: foi cedo, poderia esperar mais um pouquinho; e ela abusa do vibrato, o que me faz pensar que é absolutamente natural que muitas pessoas cheguem a achar sua voz irritante.

Também entendo a necessidade de continuar no trem, de pegar essa carona no tesão das coisas estarem dando certo. Ter condições de trabalhar com uma equipe séria e competente, um estúdio onde pouca coisa é limitada (ou quase nada). Diga-se de passagem que Gustavo Ruiz, na minha opinião, é o melhor produtor musical dos últimos 5 anos. É o único trabalho que ouvi em que consigo, de fato, ver o peso das mãos do produtor, sem que isso descarregue a genialidade do artista. Delays geniais, da esquerda pra direita, do jeitinho que adoro fazer em minhas mixagens.

Tulipa não é um produto. Não é uma passagem. Não é o tipo de canção que se canta enquanto faz alguma coisa. Tulipa fez o tipo de música em que você fica babando, sonhando, sorrindo, medroso, curioso. Tem momentos em que você se sente uma criancinha. Tem momentos em que você se sente um adulto velho, espremido pelos próprios conceitos mais bestas de todos os tempos. Tem horas que você deseja estar com ela, numa roda de amigos, tomando um vinho, sem precisar necessariamente falar de música (um assunto na maioria das vezes bem chato).

Ela é o retrato da mulher de verdade, da guerreira, da maluca, da séria, da não periguete, do conteúdo. Não é o tipo de coisa que se elogia só porque é mulher, como algumas bateristas que a gente só elogia pelo fato de ser uma pessoa frágil... Entende? Mulher... A mania de achar que mulheres são frágeis. Uma ova! Mulheres são o cérebro da humanidade. Tulipa é um pequeno retrato disso.

Sua voz parece um elástico. Estica, puxa, encolhe. Alguns momentos é grave e suave, como na canção de trabalho, "Ok", a única que tem certa referência ao "time que está ganhando não se mexe", o tipo de canção que parece ter vindo de "Efêmera". Ou estupidamente forte, a ponto de machucar, como em "Víbora", onde Tulipa respira e solta o berro, junto do verbo, dizendo "e você é o equívoco", de um modo tão violento, mas tão violento, que é sim insuportável, e se você ouvir apenas essa faixa, vai dizer que ela é ridícula, pois é disso que se trata, uma víbora, um veneno, um toque da cobra lustrada, do inevitável, da vida que machuca.

Em "Expectativa", Tulipa parece sorrir maleficamente, dizendo que tudo o que você viveu não é nada, que ainda vamos pirar de vez nessa vida maluca recheada de expectativas e esperanças, mesmo que você se apegue nas coisas que fazem parte dessa vida, sempre vamos viver sob expectativa, sempre vamos querer algo que não temos, sempre vamos correr pra lá e pra cá, e vamos, um dia, me perdoe a redundância, pirar de vez.

Ah, e tem Lulu Santos... Lulu dispensa apresentação. O curioso é que Lulu fica na mesma proporção que Tulipa. Ela não soa tímida, acanhada, medrosa, por gravar com um dos caras mais complicados da música brasileira. Lulu deve ser exigente, deve ter toda a sua bagagem expelindo pelos poros. Isso intimida. Tulipa tira de letra. Fica quieta, dando espaço ao fabuloso Lulu manter sua impressão digital na canção, até um "que o quê" a gente ouve antes do refrão, ao maior estilo Lulu de ser "hei sou foda e faço o que quero". Mas ela, ao ser requisitada na canção, que aliás se chama "Dois Cafés", vem que vem, como em todo o disco. Mesmo sabendo que cada um gravou sua parte vocal em estúdios diferentes, não há pesos e medidas na música.

Isso prova que a música no Brasil não é ruim. Não estamos entregues ao produto. Os produtores não estão gravando apenas o que vende, apenas o que que faz dançar ou pegar mulher na balada. Não estamos jogados ao esquecimento, não somos apenas adolescentes curtindo rock colorido. Isso tudo existe e sempre existiu e sempre irá existir. Mas a música refinada - e essa não é necessária graduação ou coisa do tipo para se ter acesso e ela, a música, não precisa ser complicada, pois é tudo uma questão de gosto - sempre estará entre nós. Sempre seremos agraciados por artistas como nós, que acham isso ou aquilo um grande equívoco, uma curva de rio, uma grande merda, e fazem de sua arte um presente para a humanidade.

Tulipa Ruiz e todo o seu time de impressionantes profissionais. Tudo Tanto. Meus sinceros parabéns.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Eu e a Política.

Vejo esse blog como uma casa de veraneio. Eu não tenho uma, mas como sou uma pessoa alienada pela própria imaginação, me vejo olhando para isso aqui como se lembranças pudessem serem tocadas. Entro na casa, abro as janelas para espantar o cheiro de mofo, sacudo a poeira dos móveis e deito numa rede da varanda. É assim que eu vejo esse blog.

Estamos na época de eleições para prefeito e vereador. Vejo, no Face Book, tirinhas e quadrinhos no que diz respeito ao povo que caga e anda pra política. Me sinto atingindo quando essas coisas acontecem, pois eu quase cago e ando para a política. Às vezes eu tenho que tomar cuidado com o que escrevo. Queria ter a capacidade de escrever como alguns amigos, que conseguem passar para o texto um tipo de raciocínio diferente do seu diálogo. Uma das coisas que mais me arrepiam é quando me dizem "poxa cara, vejo você falando em seus textos". Acho que é por isso que sempre sou mal interpretado. Tenho que tomar cuidado... Mas não vai ser o caso aqui, e acho que isso nunca acontecerá. Não sou eu que sou polêmico, são as pessoas que se sentem agraciadas em sua zona de conforto e ficam ali, ouvindo e absorvendo o que os outros dizem, sem ter o peito estufado para criticar. Eu quero ser o cara que apresenta a nova forma de pensar. E, quando me deparo com pessoas como eu, o colapso é inevitável.

O político - a pessoa que entende de ciências políticas - não vai conseguir, em hipótese alguma, colocar na minha cabeça suas ideias mirabolantes, assim como eu não consigo colocar na cabeça de um protestante que Cristo não é Deus. Não vai me convencer a achar que isso é a nossa salvação assim como não consigo colocar na cabeça de um corintiano que o São Paulo é mais time. Não vai por em minha razão que o protesto é a forma mais sensata de se passar uma indignação. Não vai me fazer sorrir ao dizer que parar o trânsito de uma rua importante em frente à prefeitura será a forma mais elaboradamente justa de chamar a atenção.

Mas é claro que não sou nenhum boçal a ponto de pensar que os políticos, os ativistas e os próprios candidatos estão perdendo seu tempo - muito pelo contrário. Acredito na utopia de um mundo melhor, onde as pessoas se tratem com mais respeito, mais vigor, menos "jeitinho brasileiro", mais dignidade. Acredito num mundo de direitos preservados, valores pessoais e intransferíveis, do "é proibido proibir".  Imagino um Brasil varrido da corrupção.

É aí que entra o problema. Acredito - veja bem, acredito - que o homem veio ao mundo para aprender, evoluir. Se você parar pra pensar, vai perceber que desde o começo de tudo (outra suposição não provável, veja bem... nenhum cientista consegue me fazer crer piamente no que ele crê simplesmente porque ele diz se tratar de uma ciência provável... O número pi, por exemplo, é um "mistério provável") estamos em constate evolução. Isso tudo um dia vai acabar. Até lá, estamos caminhando para a destruição ou para um novo passo. Nenhum homem é capaz de ter tal poder, mesmo que esse poder seja democrático (uma ova, okay?), pois o poder corrompe. E, se não corrompe, outros corruptos envolvidos o matam, o assinam. Foi o caso do melhor prefeito que Campinas não teve, o PT Toninho 13 - nunca esqueci seu slogan. "É na prefeitura que o PT vai bem, uh tererê, vote no PT".

A ficção trata diariamente do tema. Em "Game Of Thrones", Ned Stark é a salvação, o vereador, o prefeito que tanto queremos, insuportavelmente íntegro, cego pela própria devoção ao império, aos verdadeiros valores do homem correto. Seus deslizes são pessoais. Cumpre as leis, mesmo que achando exageradas e desapropriadas, ele as cumpre. E o matam!

Eu não acredito na integridade dos homens. Nós somos facilmente corrompidos, contra nossa própria vontade, contra nossos próprios valores. Mesmo que saibamos que estamos no caminho errado, porque certo é errado é questão de ponto de vista né... O Brasil é um país onde a coisa começa muito antes, onde sacolinha de supermercado é um assunto superestimando para obscurecer alguma outra coisa muito mais importante. O mundo tem que se salvar, conseguir passar para nossas crianças, de uma forma ou de outra, que o pre conceito é uma banalidade. Deveríamos ter um tratado de "certo e errado", como na época das provas do colegial. Nosso país é um lugar em que todo mundo quer ganhar uma fatia do bolo, quando o bolo deveria ser desprezado pelo bom senso.

Voto no cara que estiver disposto a morrer pelo o que ele acredita. Cristo foi assim. O Toninho, se soubesse que ia morrer (e ás vezes parece que ele sabia, como no dia em que ele morreu, dizendo "se algo acontecer comigo, teremos a primeira mulher prefeita de Campinas) certamente ele diria que estava disposto a morrer, e assim o foi. Mexeu no podre, na fatia do bolo dos vermes, dos mosquitos comedores de bolo fecal. Voto no cara que falar "eu vou morrer pela nossa utopia, e espero agregar um grande número de pessoas dispostas a morrem por isso, até que não haja mais gente no mundo para os corruptos regerem, até que o dinheiro perca o seu valor". Voto no cara sangue nos zóio, nos poucos que tiveram peito para enfrentar a ditadura, para enfrentar Adolf Hitler.

A pergunta é... Esse cara existe?

Meu voto, daqui pra frente, até que se prove o contrário, será nulo.

E que fique claro que esse é apenas o meu ponto de vista. Você, meu caro leitor, não é obrigado a pensar que nem eu.

Paz.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

The Wall, o show.


O poder de Roger Waters é finito porque ele é um homem. Um ser humano que usou vibrações de outras dimensões para compor seus clássicos. The Wall é, antes de qualquer coisa que vimos nesse ultimo domingo - 03/04 - um disco. 

A visão do artista é profunda, enigmática e acessível. Digo acessível porque a coisa não é complicada. É claro que o conceito de The Wall é recheado de caminhos compreensíveis - e incompreensíveis - e poderíamos fazer aqui uma analise sobre o disco em si. Mas não é o caso. Basta entender que Roger Waters está nos dizendo: Tirem a bunda da cadeira, lute, pense, diga, reaja. Não seja um idiota. Estamos morrendo nesse mundo jogado à eterna zona de conforto, onde coisas injustas saem nos noticiários e no dia seguinte já foram esquecidas. 

É o caso do que aconteceu com Jean Charles na Inglaterra - Roger não esqueceu. 

O disco é atual, embora fora escrito imaginado nos tempos de segunda guerra. Ainda vivemos a guerra e seus ecos. O militante é aquele que vê injustiça invadindo nossas casas e quer ver um mundo melhor, mais justo, mais coerente. Geralmente os militantes ricos não são levados muito a sério. Roger é trilionário, vive num mundo capitalista que parece não prejudicá-lo diretamente, mas sim indiretamente. E é aí que a coisa fica grandiosa. 

O show é um espetáculo que foto ou vídeo algum no face book ou you tube conseguirá mostrar. De qualquer lugar do estádio, o espectador e fã devoto sentiu na pele, nos ouvidos, nos olhos e no coração o pânico mesclado com doçura e lucides. O muro, que na técnica era um telão que cinema algum no mundo reproduzirá, revelava a face emblemática do gênio. Sua voz é perfeitamente e assustadoramente a mesma. O cantor que faz as vezes de David Gilmour parece ter nascido com o mesmo DNA nas cordas vocais. As guitarras e seus timbres exatamente como ouvidos há anos no disco estão lá, deixando claro que Roger não renega seu passado com seus companheiros do Pink Floyd. Fica a dúvida de até que ponto o gênio é dono de todas os caminhos percorridos. 

O professor gigante olhando para nós enquanto berramos, em alto e bom som, num vômito de frases impactantes, tais como "Hey, teaches, leave them kids alone", é de repensar sobre a educação que ainda dão aos nossos filhos - não apenas os professores, mas também os pais. Quando Roger canta para a mãe em Mother, e a mãe diz "é claro, mamãe vai te ajudar a construir um muro", nós sabemos que todos nós precisamos de um ninho. As frases são enigmáticas mesmo. Ele diz, bem no começo, em In The Flesh: "Isso não é o que você esperava ver?" e é exatamente o que queríamos ver, lembrando ainda que o um disco você não vê, você ouve, dando a entender a mescla das ideias, tanto no disco quanto no show. O porco sobe sobre o pessoal da pista, e um dizer curioso em português: MUITA FÉ, POUCA LUTA. Os efeitos sonoros te dão a impressão de que há uns dez helicópteros em cima do estádio - MUITO ALTO, alucinante. 

O muro é claramente uma referência ao Muro de Berlin. Quando no efeito de telão, vê-se a cor dos tijolos envelhecidos e pichados. Ou então vira um pano para cenas de filmes. O muro fecha e banda fica atras dele. Roger aparece e se você já havia sido impressionado, impressiona-se novamente. Os bons e velhos palavrões soltados pelos fãs quando Roger toca no muro e um efeito indescritível abre um buraco iluminado. Roger interpreta o show todo, como um ator. Um completo artista, que de quebra escreveu grandes discos com o Pink. E, no fim, nem precisava ter caído o muro. Mas foi necessário. A quebra do muro é um alívio, pois a experiência chega a ser tensa, porque a vontade é de parar o tempo e ficar vendo aquilo por mais umas quatro horas. 

Esse show é uma soma de música e visual. Perfeitamente equilibrados, coesos. Os deuses do rock agradecem a mais uma aparição de um Titã. Só podia ser perfeito. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Os Melhores filmes do mundo


Mais uma vez, essa é apenas uma forma de expressão baseado em meu próprio gosto, não significa a verdade absoluta. 



Como pode ver, se você andou lendo meus textos ultimamente, mudei a fonte. É como cortar o cabelo, muda um pouco mas continua a mesma coisa. Ontem pela noite, no banho, fiquei pensando em quais seriam os melhores filmes que vi na vida. Vieram tantos na cabeça. Tantos que tive que tica-los num bloquinho que ando escrevendo as letras e anotações do próximo disco do Oito Mãos. Enfim... Lá vamos nós para mais uma viagem sem noção, coisa que ninguém perguntou, sabe? 

Antes de mais nada, na minha lista tinha alguns filmes dos posts "Os Melhores Filmes de Porrada" e "Os Melhores filmes de Terror", então não vou falar sobre eles, já que já foi elaborado uma ceda rasgada em prol dessas películas. São eles: O Exorscista; Rock Balboa; O Grande Dragão Branco; Karatê Kid; Falcão - O campeão dos campeões. 


Ok, então...

Os Goonies - Não lembro o nome dos personagens, infelizmente. Mas não acho necessário dar um Google para isso, porque não vai fazer diferença. Era o gordinho (sempre tem um), o maluco (sempre tem), o forte irmão do esperto (sempre tem isso também e o esperto também tem), o japonês (que é fera em alguma coisa que ninguém mais é)e as mina (sim, no plural com singular, do jeito que os mano fala tá ligado?) - a gata e a estranha. Uma história qualquer daria certo, desde que haja a evolução carismática dos personagens, coisa que naquela época neguinho fazia mesmo. Um marco na minha geração (sou de 82). Um filme que dá vontade de chamar a galera e dar aquela volta no bairro caçando problemas por tudo quanto é lugar. 


Conta Comigo - A amizade é intrigante. Não se entende, não se sabe o que sente. Os mais românticos falam no amor... Sei lá. Atá acredito nisso, mas quando a criança é durona, é capaz de certas coisas duvidosas, coisas que só acontecem nos filmes... Ou não. Os quatro amigos, assim com nos Goonies, partem para uma aventura contada num clima nostálgico pelo protagonista. Um elenco de primeira. Frases de primeira. Trilha sonora de primeira. O cigarro longe dos pais, as regras estabelecias por eles próprios, os contos (o do gordão vomitando na galera é inesquecível) morte, vida e quem é melhor: Superman ou Supermouse?


O Poderoso Chefão - Pô... até hoje meu pai dá o dedo mindinho para mostrar a soberania na minha família. É claro que ele faz de sacanagem, mas a sacada é o significado da palavra respeito, este que, na trilogia de Mario Puzzo dirigida por Copolla e estrelada por Pacino, De Niro e Brando, é algo conquistado na base do mais frio e calculista meio possível. Matar, seguir um padrão de regras, debochar do "poder", é coisa de gente fria. Aquele olhar sereno de Michael, aquela soberania de Vito, o ódio esplêndido de Sony, o raciocínio de Tom... Uma família aparentemente no controle. Um crime aparentemente organizado. Um poder que pula de gangorra, no qual o Estado parece nem existir. Junta isso tudo com uma história pra lá de prendedora, tem-se um dos maiores filmes de todos os tempos. Hollywood não precisa ser burra para vender. O Poderoso Chefão é uma prova disso. 


Gladiador - Sabe... É a coisa do poder sendo enfrentado pelo mais fraco. A coisa da humilhação. A coisa da monarquia sendo massacrada pela ideia da república. A inveja, soberana sobre todas as virtudes. Sim, inveja é uma virtude! Ela te faz repugnar todas as coisas belas, todas as coisas que incomodam. A vaidade é outra virtude! O pecado é uma virtude! Ou você acha que um homem cresce na vida apenas sendo bonzinho? No caso de Gladiador, nem o bandido e nem o mocinho são bons. É uma questão de justiça, essa que é cega e infeliz. 


Matrix - "Suas escolhas já estão feitas, basta você entendê-las..." Com essa frase do Oráculo, meu modo de enxergar o Livre Arbítrio criou um amplo sentido. Se Deus sabe todas as coisas, então não há livre arbítrio. Se há livre arbítrio, então Deus não mexe pauzinhos nenhum, ele fica lá em cima, apenas existindo. Sendo que todas as escolhas já estão feitas, num modo irreversível e insubstituível, mesmo que na vida nós tenhamos a ilusão dos caminhos a seguir, nossos passos estando já traçados (pois não somos nada na humanidade) e compreendê-los, senti-los e aceitando-os, tudo faz a porra do sentido. Duvida? Pense em sua vida há 15 anos... Os passos que você deu e os caminhos que percorreu... Teria como, em alguma hipótese, ser diferente? Cheears, Matrix!


O Exterminador do Futuro - O conceito de inteligência - segundo vi no Discovery Channel - é o "penso, logo existo". Creio, de um modo ou de outro, que as máquinas têm condições de criarem inteligência. O problema é a falta de emoção, essa que interfere os seres humanos a agirem, num misto confuso de razão e emoção. Uma máquina teria condições disso? O que pode acontecer se elas se revolucionarem ao botão on, off? No filme, o roteirista traça a história dos responsáveis e envolvidos nessa revolução. 


De Volta para o Futuro - O futuro, o passado e o presente. O homem nunca entendeu isso direito. Esse filme, em particular, fala do assunto com uma propriedade surreal, te dando a notória certeza de que viajar no tempo seria daquele jeito. Tudo é altamente apaixonante nessa história. Hoje em dia o filme é ainda mais loco, porque os anos 80 já não existem mais, fazendo parte de uma passado distante. E o ano 2000 também é uma grande ilusão, uma coisa que o homem ainda espera que vá acontecer. A máquina do tempo é algo útil, mas de um perigo sem prescindentes. Interferir nos caminhos já escolhidos... Seria como brincar de Deus, negligenciar o livre arbítrio, ignorar as regras da vida pura e absoluta. Seria, como é no filme, uma grande aventura!


Batman, o Cavaleiro das Trevas - Não só pelo Coringa, mas pela obscuridade que o enredo proporciona. Ele não começa "tá tudo bem", "fudeu", "ah, agora tá beleza", como é a franquia de Missão Impossível... Esse filme é todo: fudeu!!! Uma fotografia escura, mas não forçada. Uma trilha que parece que só eu percebi que existe, pois toda vez que to vendo o filme com alguém, eu pergunto "tá ouvindo isso? tenso", e ninguém saca. Perceba que toda vez que fica tenso, há um barulho estranho que o diretor coloca ali para dar um clima melancólico e insuportável, principalmente quando o Batman interroga o Coringa. Eu chamo de trilha, porque dá a impressão de que foi usado algum instrumento, sei lá... O crime perfeito, a insanidade do poder, a procura da justiça feita as próprias mãos. O melhor herói, o herói humano. 


A Procura da Felicidade - A vida é uma merda para muita gente, porque simplesmente parece não ter felicidade. Felicidade é um estado de espírito, baseado em suas conquistas e derrotas. A gente releva algumas coisas, engrandece outras. Mas e quando tudo dá errado? Há luz no fim do túnel? Deus é tão cruel assim? Há algo para aprendermos? A luta só pode ser vencida por quem está passando pela batalha. Ninguém vai mexer uma palha por você, e se se fizer, estará devendo. A gentileza deveria ser regra na constituição, pois ela gera boas novas. Um corre aqui, outro ali. Chorar é preciso para não explodir. Viver é preciso para não sucumbir. Quando a coisa tá apertada, é melhor ser forte e saber que a felicidade está sempre a teu favor, basta você enxergar longe. 


Amor Além da Vida - Foda-se a crença religiosa. O que vale nesse filme é a frase do protagonista: "Por ela, eu vou até o inferno". E ele foi, de fato. Depois deixa claro que nunca vai desistir da sua amada. O amor, piegas na maioria das vezes, cafona em todas as vezes, é visto como brega ou coisa que o valha. Nos tempos de hoje, crer que existe a pessoa que nasceu para você é coisa de filme mesmo. Mas, mesmo nos filmes, o amor é irresistível. Eu sou uma pessoa completamente aberta ao amor em todas as suas formas e valores. Lutar pelo o que se acredita - muito além de valer a pena - é coisa de pessoas fortes. Desistir é para os fracos. 


Uma Lição de Amor - Lindo de cabo a rabo. Para ajudar, a trilha sonora é dos Beatles (releituras) e o protagonista, um cara que tem autismo, é fanático pelos Beatles. Aqui não só se trara de lutar pelo amor, mas sim de que tudo o que precisamos é de amor, uma das frases mais felizes de John Lennon. Mais uma vez a gentileza está em risco, mostrando o seu valor. A vida é um emaranhado de coisas, entrelaçadas por pessoas que entram em nossas linhas do tempo, onde cada um é absurdamente único e tem a sua jornada protegida por sete chaves pelo o poder da mente - essa que ninguém consegue ler. O que isso tem a ver? Tem tudo a ver, pois esse filme é mais uma história de superação emocional, onde devemos nos preocupar com o andar da carruagem que cada um persegue, todos os dias. Ah, lembre-se: sempre que passar ao lado de uma pessoa, dê bom dia, boa tarde ou boa noite. 


Curtindo a Vida Adoidado - Eu prefiro chamar esse filme carinhosamente de "Save Ferris". Um tremendo cara de pau, mas irresistível. Pois o lema dele faz sentido, ô se faz. Foda-se essa merda! Nem que seja apenas por um dia. O filme é friamente calculado no time da comédia - se é que isso é algo para ser levado a sério. Não há drogas, não há álcool, não há cigarros, não há putaria; apenas a boa disposição dos personagens em serem completamente non sense. O diretor da escola é o Skinner (dos Simpsons), só pode ser! Só se fode, e a cada fodida que ele se mete, é de doer o queixo de tão engraçado. Ferris e seu amigo que tem um pai que tem um Porshe (ou seria Ferrari?) são unha e carne, a ponto de se conhecerem perfeitamente e saberem os limites um do outro. Mais um filme bacana que fala de amizade e curtição sem forçar a barra. Ah, e tem Beatles!




Um Lugar Chamado Nothing Hill - Desculpem o comentário, e podem me chamar de homofóbico, não tenho que me explicar para ninguém.... Mas esse filme me faz parecer um viadinho. Toda vez que está passando eu paro para assistir. Minha mulher já sabe, tá na grade da programação, esqueça... Vou assistir! Esse filme é ridículo, mas eu ao adoro de uma tal forma... Não sei dizer ao certo a razão. Talvez o humor sarcástico do britânico, talvez aquele Spike ser tão desdenhosamente irresistível, talvez por ser o papel mais simpático de Julia Roberts, talvez por ter aquela coisa da amizade mais uma vez - podem perceber que sou profundamente tocado pela boa socialização. O clima do bairro londrino Nothing Hill ou a casa com a porta verde bem ao estilo inglês... Uma livraria, uma cafeteira, jantar regado a vinho e piano... Não tem a porra do sonho americano? Então, enfia no cu... Gosto mesmo é desse sonho inglês. 


Mudança de Hábito - O que os produtores musicais fizeram com as músicas tradicionais cristãs foi algo de tirar o chapéu e bater palma por 10 minutos sem parar. Deve ter algum significado especial a coisa da transformação. E, de uma vez por todas, não há barreiras entre o secular e o evangélico, toda música é divina, queria você ou não. Uma pecadora chegar chutando o pau da barraca numa igreja e transformar o que era um tédio num grande louvor feliz e gratificante, isso é coisa para poucos. E, acreditem, isso acontece! O louvor é coisa séria e o testemunho não é o que você faz fora da igreja, mas sim o que você faz estando dentro da igreja. Na continuação, Lauryn Hill e cia arrebentam no caminho entre humildade e agressividade. Não é um musical - mesmo porque eu odeio musicais - mas sim um filme que mexe com quem já esteve desbravando seu instrumento em nome do criador. 


Jurassic Park - Os dinossauros são reais! A carne do T-Rex é texturizada. Não há computação gráfica sobressaindo e ofuscando a imaginação do diretor, que é passada diretamente ao expectador. Quando esse filme saiu, eu fiquei perplexo. Eu era uma criança e fiz minha mãe me levar no cinema. Fizemos contagem regressiva para a estréia do filme. Na capa da revista Veja, Spielberg entre as patas de sua criação. Todo um alvoroço que não foi em vão. O resultado é absolutamente real, pavoroso e divertido. Ninguém mais conseguiu fazer isso e o que mais me espanta é que foi utilizada uma tecnologia ultrapassada. Você pode alugar o filme em HD e vê-lo numa tela mais foda de todas e duvido que vai achar um erro de digitalização ou coisa parecida - algo que aparece até mesmo na visual de O Senhor dos Anéis (não estou comparando, mas já comparando...). Peter Jackson é fantástico, mas foda mesmo são os robozinhos de dinossauros criado por esse que já veio fazendo história em E.T.


Irreversível - Tenho um grande amigo que morou por uns anos na França. Ele viu esse filme lá. Então um dia ele veio para minha casa. Estávamos a toa, zapeando a net, quando vimos a chamada do filme "a seguir, Irreversível". Ele exclamou, bem carioqueix : "Mermão, esse filme é sinixtro!" A começar pelas cenas iniciais que dá enjoo por causa das tomadas da câmera, o filme já te deixa tonto. E o decorrer da vida dos envolvidos, de frente pra trás, deixa claro que as coisas acontecem por que têm que acontecer e não há nada que você possa fazer para impedi-las. Um filme altamente repugnante, chocante e impressionante. Uma viagem a podridão humana e ao que o homem é capaz de fazer pela total falta de bom senso. Um bom exemplo sobre as consequências da falta do amor na vida de certas pessoas. E, também, sobre o que somos capazes de fazer quando mexem com nossos queridos de um modo injusto. Mais uma vez, a justiça é completamente cega. 


Meia Noite em Paris - Já dizia Sandra de Sá: "Que tempo bom que não volta nunca mais". E Cazuza "Eu vejo um museu de grandes novidades". A nostalgia é a nossa maior ameaça. Ficamos cegos com as grandes novidades do mundo moderno. O novo já nasce velho. Qualquer filme de Woody Allen é garantia de diversão. Mas eu não sabia que ele também era capaz de sedução. Sedução no sentido de ver a história e ver uma profunda semelhança com sua vida. Ou seja, eu não estou sozinho nessa. Não se faz mais nada como antigamente. Sinto saudade de um tempo que nem vivi. Tudo no passado me parece mais saboroso, sincero. É por isso que quando você vê algo do passado na sua frente, mesmo que ele esteja velho e cansado, a energia da glória está presente, e não há outro resultado senão as lágrimas. E, como uma avalanche retrocedida, sempre vão falar em nostalgia, pois uma coisa influencia a outra, e por aí vai. Nunca estaremos satisfeitos. Os grandes alicerces e tijolos que moldaram a história da arte sempre serão os grandes, os perfeitos, os mestres. Não é uma questão obvia de pioneirismo, mas sim de culto ao seu molde, até o fim dos tempos, amém. 






Há tantos outros filmes...


















quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os Piores Filmes do Mundo.



               Isso é um post baseado no meu gosto. Se você não viu nenhum dos filmes apontados aqui, não se preocupe - você não está perdendo nada. 


Piranhas - Americano continua achando que a fórmula do sucesso é peito, bunda, festa e sangue. Mesmo porque o sucesso, para esses caras, deve ser a conta bancária engordando a cada lançamento. Eu adoraria ver uma reunião de negócios no que diz respeito em pauta o lançamento de filmes ruins, que subestimam a inteligência do público. É que nem música... Sempre haverá público para esse tipo de película. No meu caso, a curiosidade me levou a parar no Telecine (é aí que eu gasto meu dinheiro) para ver esse incrível enredo de piranhas mutantes num lago tal de uma cidade tal no tal país de estados unidos. Eu não sabia que haviam piranhas naquele país. A coisa é de tão mal gosto que nem as tripas para fora ou a mocinha gostosa decapitada ou o fortinho partido ao meio deixando exposto sua coluna vertebral me deixou chocado. Nada é de chocar. Bem, na realidade o chocante é o nível dos atores, o nível dos romances repentinos, o excesso de nudez e erotismo. As piranhas mutantes são verdadeiros monstros Pré-Históricos inteligentes e tudo mais, famintas por sangue e carne. Junta isso com uma completa falta de noção do ridículo e temos o resultado. Sofrível.  

FIM DOS TEMPOS - É outra piada infame de muito mal gosto. Nada é explicado (se há uma explicação, a hipótese das árvores terem um certo complô entre os humanos só é considerável nos filmes de Peter Jackson e etc). Uma toxina que deixa a galera doidona? Um casal com o relacionamento à deriva? Uma menina que precisa de proteção extra? O problema de filmes desse jeito é que quando há o desastre, tentar romantizar e sintetizar o instinto de sobrevivência do ser humano em padrões de Hollywood, o resultado é sempre um desastre. Aliás, filmes de desastre geralmente são superfulos e com finais "oh God, why?". Eles acham que somos estúpidos. É por isso que temos mania de dizer, com um certo orgulho no peito, que americano é tudo idiota. Não são burros, de modo algum. Fazem os melhores efeitos do mundo. Mas em questão de conteúdo, é quase raro se deparar com um filme passa tempo inteligente. E, para ser inteligente, não precisa ser difícil. 

AVATAR - Toda vez que um filme faz um puta sucesso - ainda mais quando a coisa dele é o visual - eu penso "la vem merda". Ok, visuais são foda. Mas tem o céu aí do teu lado para ficar viajando apenas em visual. Filme tem que ter conteúdo convincente. Clichês existem para serem usados na medida do possível, para ter aquele leve tom de familiarização, aquele deboche de nós mesmos, aquela coisa de tirar um sarrinho com o próprio ser humano. Clichês reais, não uma lista de "o que vende e o que não vende". James Cameron tem capacidade para chamar roteiristas mais competentes, que é o caso de "O Segredo do Abismo ou "O Exterminador do Futuro". Absolutamente tudo que há em Avatar, menos o visual, já foi visto. Esse filme é uma grande perda de tempo, porque não acrescenta nada, não muda nada e você não sai da sala de cinema viajado no filme. Tenho sérios problemas com coisas "já te vi".

Marley e Eu - Esse filme é lindo? Peraí... Tá de sacanagem né? É a mesma coisa que colocar Didi Mocó no meio de um monte de moleque chato pra caralho que só querem saber de quebrar tudo e fazer a maior zona e colocar um finalzinho merreco de arrancar lágrimas (ah, as mulheres se derreteram). O cachorro é um pentelho! Dennis, o pimentinha em quatro patas. Um bicho desse não é bonitinho, é caso de psiquiatria canina. Mas aí o foco vai para o protagonista... Mas quem é o protagonista? O Marley ou o Eu? Aí o cara entra em crise existencial de ego tripp no trampo dele, aí tem a mulher que engravida três (TRÊS) vezes. Aí a criançada toda cresce pra caralho o Marley ainda tá vivo! E vai aquele num fode e não sai de cima até a porra do cachorro ficar velho (não bastava morrer de velho) e tem que ser sacrificado? E tem a continuação? Aff.


Deborah Secco em Bruna Surfistinha -  É esse mesmo o nome do filme, não tem outro. Os seios de Deborah Secco são os dois protagonistas do filme, tudo gira em torno de mostrar o que tondos nós já vimos nas páginas da revista Playbloy. A vida da prostituta (porque chamar de puta é sacanagem... Puta é aquela que se entrega pro seu puto em quatro paredes) mais socialite do Brasil é de acabar com qualquer humor. Que novidade há no uso de drogas? Que novidade há em vidas regadas de baladas, sexo, dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro e dinheiro? Rock and Roll? Nem fodendo, o roqueiro dá seus toques para a sociedade, seja nos discos, em entrevistas ou em discursos nos palcos. Um filme que parece mingau de farinha de trigo... Com gosto de porra nenhuma. Pô, e precisa falar da atriz querendo ser sexy? Sexy de um modo forçado... O filme não presta nem pra deixar os marmanjos excitados, a lá Instinto Selvagem, uma coisinha mais ousada. Dá a impressão de que essa Raquel Pacheco é uma moça que veio ao mundo para nos fazer passar por papel de palhaço. 

A SAGA CREPÚSCULO - De duas, uma: Ou você é fã de carteirinha ou você odeia tanto que não consegue olhar para uma foto de Bella ou de Edward e não pensar "vai tomar no cu". Quando eu soube dessa história, uma amiga minha que dividimos gostos sobre histórias me contou sobre essa ae. Vislumbramos no que poderia ser alguma coisa no sentido de Anne Rice. Ela me fez uma resenha oral sobre o livro. Pensamos que era algo interessante, a coisa da mortal loucamente apaixonada por um vampiro, e que tem clãs de lobos numa briga sensata por amor, ódio e ciúmes. Ok. Um tanto macabro, me parece, com um leve toque de romantismo vindo de Lestat e Lowis. Não! Não, não, não e não! O filme é uma merda. Tudo é uma merda. O livro pode até ser bom. Estou falando do filme. Edward é uma gazela, uma fada, uma mentira, um sonho besta americanizado de meninas idiotas - aquela mesmo que a macharada fica babando no colegial, mas ela sonha com o do terceiro ano. Um bando de marmanjo pagando de adolescente. Uns vampiros nada assustadores, nem mesmo quando aparece o dente pontiagudo. Nem mesmo quando voam e saem detonado tudo. Um lobisomem que anda praticamente pelado? Wolverine mandou um abraço. Uma mocinha que não presta nem pra filme de bang-bang. Onde foi parar a inteligência de nossas meninas adolescentes? Onde foi parar filmes como "Titanic" e os seus galãs que interpretam com uma propriedade fora do comum? Imagina só como será daqui 10, 15, 20 anos... As grandes merdas que teremos que aturar em prol de grana e burrice alheia? Não to julgando quem gosta e se diverte com essas merdas, mas também não me dizer que é bom. 

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Qualquer filme do bruxo foi lamentável. Mas o grande final... Eles conseguiram piorar e tenho o palpite de que esse era o objetivo. Eu li todos os livros, conheço a história e não acho a das melhores que já foi escrita. Por exemplo: "As Crônicas de Nárnia" - os livros - me agradam muito mais. Infelizmente a coisa da grana e do vendável é algo levado muito a sério por esses produtores. E eu duvido muito que o padrão de qualidade seja algo levado a sério. Duvido muito que eles não sabiam que estavam fazendo um filme de merda. Eles sabiam... O comércio estraga o raciocínio artístico. Poucos artistas se dão ao luxo de deixar o faturamento de lado e fazer a coisa com a razão, mesmo sendo um do tipo que lucra milhões e milhões. O prestígio que esse personagem alcançou através de seus livros foi por mérito próprio. Não precisava dar aquela pitada comercial. Seria o alvoroço? Harry Potter tornou-se um clichê dele mesmo. Draco Malfoy, em minha cabeça, é um cara muito mais filho da puta que passou nas telas, sendo que o mal impregnado nesse menino passou longe das expectativas. Harry, quado sarcástico, é um perfeito britânico em sua mais pura personificação do humor negro - isso não tem no filme. Hermione não é bonita. Ronny não é um pateta. Voldemort é mais egocêntrico, muito mais! E por aí vai... Um acerto aqui, um erro ali, uma cagada no final.