terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os discos que ouvi de Paul McCartney

Não consigo parar de falar do Paul McCartney. Faz parte da eternidade que o cara está prestes a entrar - assim que ele morrer, todos com o pre conceito Lennongístico verão o quão impressionante esse cara é. Aqui vai mais uma rasgada de ceda para o maior artista musical vivo, quanto aos discos dele que já ouvi (mas ouvi mesmo, a ponto de conhecê-los de cabo a rabo) porque as pessoas têm mania de ter passado a cara na capa, apertar o play uma (UMA) vez na vida e dizer que já ouviu... Não, você não ouviu.

Aqui vai uma espécie de nível fodastico, que será meu palpite para os destaques - e tal canção, etc... quado o disco tiver "Todas", é porque ele é clássico insuperável pelos deuses da música, e os discos que tiverem as canções citadas, significa que ele já vale a pena toda a audição por ter essas tais canções.

 Você pode estar pensando "mas o cara é fã de Beatles e não ouviu tudo do Paul ainda?" - é claro que não... Pra que a pressa? Quanto mais eu puder adiar o cumprimento total do catálogo, sempre haverá a surpresa, e a vida vai fazendo sentido...




McCartney - 1970. Paul estava puto porque a gravadora que ele mesmo fundou com seus amigos estava empatando o lançamento desse disco, pois Get Back estava para ser liberado pela incorporação APPLE. De um modo ou de outro, ele conseguiu lançar quase na mesma data que Let It Be (o nome que acabou sendo vinculado ao último disco dos Fab). Sendo que Abbey Road era o grande final da maior banda de todos os tempos, é natural que um disco solo de Paul estaria nas grandes expectativas do público - que é o verdadeiro termômetro do sucesso desses artistas. Paul simplificou as coisas, do mesmo modo que ele queria ditar nos Beatles no fim da banda. O curioso é justamente a grande expectativa. Paul parece ter mandado todo mundo a merda. Esse foi o seu exagero, mandar um belo foda-se para todos, para os amigos, para os fãs, para a gravadora, para o mundo, se importando apenas com sua vida e sua Lovely Linda. nível fodástico - That Will Be Something, Every Night, Man We Was Lonely, Mabe I'm Amazed.



RAM - 1971. Paul grava esse nos EUA. Diferente do anterior, ele chama um baterista para fazer a parte do instrumento, criando, assim, uma atmosfera de banda no disco. Há mais gente tocando com ele, além de Linda nos vocais e na produção musical. O disco abre com uma estranha entonação vocal, mas que depois de inúmeras ouvidas, torna-se umas das mais lindas introduções de todos os tempos, do tipo que você se pega reproduzindo o tempo todo com a própria voz enquanto faz a sua janta. Em RAM, Paul reafirma a sua condição de melhor cantor do mundo, pois ele não tem apenas UMA voz, ele tem várias. Ele faz exatamente o que quer com o instrumento mais difícil de todos. Ele sacaneia, é sacanagem. Se em "Oh Darling" ele já mostrava o ápice de seus berros, ele vem com "Monkberry Moon Delight", pra colocar na cara de todos algo do tipo "ei, meu primeiro disco foi apenas uma torrada com geléia... eu tenho um grande baquete para você saborear. nível fodástico: TODAS. 



Wild Life - 1971 - Aqui é fundado o Wings, com o brilhante Denny Laine em uma das guitarras. A maconha é fatalmente o elemento que faz a máquina andar a todo o vapor. O mundo não teve tempo de pensar muito, pois além de Paul ter lançado RAM, George e John haviam lançado os incontestáveis All Things Must Pass (é preciso um post a parte para falar desse disco) e o Plastic Ono Band. Wild Life é o Revolver do Rubber Soul, no que se entende que os dois discos se completam, é assim com esse disco e o RAM. Parece disco um, disco dois. Tomorrow é uma faixa assustadoramente real, palpável, injetável na alma, viciante. Faz bem aos sentidos. Sentar e colocar a agulha da vitrola para raspar nessa faixa é como se o mundo fizesse sentido por alguns minutos. nível fodástico: TODAS.


Band On The Run - 1973. Se você é especialista na discografia do Paul, percebeu que já pulei um na ordem dos lançamentos. O Red Rose Speedway é de 73 também, e eu acabo de ouvi-lo, foi quando me deu a ideia de fazer esse post (não é possível que esse cara seja dessa forma), mas não vou colocá-lo na lista de ouvidos porque eu o ouvi, até agora, apenas UMA vez. Arrepiei do começo ao fim, mas é preciso mais propriedade para palpitar o disco. Band On The Run é o Sgt Pepper do Paul, na questão de divisor de águas. Uma coisa é a carreira solo dele antes desse disco. Outra coisa foi depois. Um grande marco, uma linha vertical no horizonte da vida do artista. Curiosamente, tem uma das únicas faixas em toda a carreira de Paul que lembra mesmo uma canção dos Beatles, mais precisamente de George Harrison, que é No Words.   Cheio de climas, cores, precisões, violões, vozes, sintetizadores, tudo... Band On The Run carrega a música título na abertura e é intrigante ver o velho Mcca tocá-la até hoje, como um hino. Jet é de sentir os poros tremerem, o verdadeiro Rock And Roll. nível fodástico: TODAS. 


Venus And Mars - 1975. Paul dá um tempo de 2 anos antes de lançar essa capa estranha. Seria bola de bilhar? E onde ele conseguiu bolas de bilhar sem numeração? Enfim... Rock Show! Long Hear! Oh Yeaaahhhhh! Paul é um porta voz do Rock. Claro que não é o único, não sou um fã idiota a ponto de achar que só ele fazia o verdadeiro Rock And Roll. Também sei que gosto é gosto e não se discute. Sei que vai ter gente não concordando em nada com o que eu escrevo aqui. A coisa é sinistra... O Rock tem muitos conceitos e pre conceitos. Mas um Oh Yeahhhhh é verdadeiro, é coisa do bem. nível fodástico: Rock Show, Magneto and Titanium Man, Call me Back Again. Duvida? Procure no you tube...


Back to The Egg - 1979 - Prestes a mudar de década, na qual eu adoro dizer que era o ano do reberb e caixa de bateria sintética - claro que ele entrou nessa - Paul lança esse disco que mais parece ser um filme. Sinto que ele estava no auge do consumo de maconha. Se você pegar os videos dessa época, vai ver que todo o Wings está de olho baixo, e o Paul centrado. Uma capa dessas não é coisa de neguinho que raciocina "saudavelmente". Mais uma vez um disco dele é introduzido com uma canção porrada, ao mesmo tempo doce, não como um vinho ruim e enjoativo (como disse um amigo meu dias desses) mas como doçura mesmo. nível fodástico: Getting Closer, We're Open Tonight, Again and Again and Again, Arrow Through Me, Baby's Request. 


McCartney II - 1980. Paul entra nos anos 80 com esse disco inteiramente intrigante. Volta ao básico, faz tudo sozinho. Contrata suporte técnico e os créditos estão devidamente esclarecidos. Sua máquina de fazer ruído é uma curtição só. De novo ele manda um grande foda-se. O disco é despretensioso e deixa a prova de que não é necessário largar o Rock and Roll para usar elementos eletrônicos. Da sinistra Temporaly Secretary, à pomposa Frozen Jap, Paul deixa claro sua genialidade como compositor usando e abusado do sintetizador. Check My Machine fala disso. E, claro, seu conhecimento do contra baixo vai além das possibilidades impossíveis em Coming Up, na minha opinião a melhor versão de todas dessa cação está nesse disco.  nível fodástico:TODAS



Tug Of War - 1982 (o ano em que nasci)

Quando eu estava procurando um disco do Paul que eu nunca havia ouvido ainda, um tiozinho do sebo me falou desse disco, dizendo que era um dos preferidos dele. Eu, com minha mania perturbadora de subestimar o gosto dos outros, olhei para ele meio que surpreso, peguei a capa, dei uma boa olhada, olhei as músicas... "Hmmm, ok, Here Today é linda, Tug Of War tem aquela porrada e aquele acorde menor maravilhoso... Ebony and Ivory? Ah, é produzido pelo George Matin? Vou levar". E não é que a mão de Martin pesa mesmo? A sonoridade muda completamente. O timbre das baterias de Ringo Star e Steve Gad (esse, na minha opinião, um dos melhores bateristas do mundo) soam, ao mesmo tempo, clássico e contemporâneo. A soma pra lá de animal nos talentos de Paul e Steve Wonder, não apenas em Ebony and Ivory (que muitos metidinhos a odiar a música pop ou a música óbvia ou a música do povão adoram falar mal) mas em What's That You're Doing que é claro os dedos de Wonder descendo a mão magistralmente no sintetizador, com todo aquele funkiado, e Paul cantando quase no mesmo timbre de Wonder, enquanto logo somos surpreendidos por um PUTA refrão, a lá Paul, o cara que sabe fazer música. nível fodástico: TODAS.


Press To Play - 1985


Pulei dois álbuns pelo motivo já descrito. Esse disco do Paul eu paguei R$2,00 em um sebo precário aqui no centro de Campinas. Eu era bem novo e quado ouvi achei um lixo. O disco se perdeu. Fui ouvi-lo novamente anos mais tarde, depois de baixar a discografia digitalizada. O que poso dizer é que esse é o disco mais estranho dele. Mas não deixa de ser interessante. Tem Pete Townshend na guitarra e Phil Collins na batera. Um disco cheio de ecos e essas coisas bem anos 80. MAS... todo disco do Paul sempre vai ter pelo menos duas ou três canções que valem a pena e muito, a ponto de virar uma de suas preferidas. Stranglehold abre como se fosse um clássico blues, mas caminha para o lado Paul de ser (claro, um bluseiro de primeira quando quer, mas aqui ele ousa). Good Times Coming é a segunda faixa a lá Sting, mas no fim da canção fica claro ser um álbum de Paul McCartney, nem que seja apenas em Feel The Sun Shining. nível fodástico: Stranglehold, Good Times Coming e Once Upon a Long Time.


Flowers in The Dirt - 1989


Prestes a vir ao Brasil pela primeira vez, Macca lança esse. My Brave Face é incontestavelmente foda e foi para as rádios de todo o país. Paul, não sendo nenhum idiota, aproveitou e veio divulgar o trampo. Interessante é que nas coletivas por aqui, Paul disse "eu já compus com pessoas super interessantes; Steve Wonder, Michael Jackson e Elvis Costello (que colaborou com a já citada e You Want Her Too, outra lindaça) mas John era o melhor". Eu era um molequinho e ouvi falar do Paul pela primeira vez. Morava em Niterói-Rj e tudo mais, vi um cara saindo do meu prédio, todo feliz da vida, dizendo que ia ao show do Paul. Um outro amigo meu foi e disse que as 180 mil pessoas eram sentidas em todos os membros de seu corpo naquele minúsculo Maracanã. Um outro conhecido disse que a mãe dele morava na Zona Sul do Rio, e que o show do Paul parou completamente Copacabana, Leblon, Ipanema... O poder de Paul McCartney era provado para entrar na história naquele ano de 1990. Nessa mesma leva de entrevista, ele diz algo do tipo "ora, veja bem... eu estou com 45 anos e cheio de energia para continuar compondo e subindo aos palcos, que é o que eu mais amo fazer". 21 anos depois foi a minha vez de ver esse cara no palco. nível fodástico: My Brave Face, You Want Her Too, This One


Off The Ground - 1993

Vejo esse com a mesma nóia de Rubber Soul/Revolver ou Ram/Wild Life, no que se refere a serem parecidos ou irmãos ou coisa que o valha. Flowers in The Dirt/ Off The Ground soam parecidos em timbres e na pegada da banda (acho que é a mesma banda nos 2 discos). Eu, particularmente, prefiro o Off The Ground. E lá vem o Paul de novo, só que dessa vez em Sampa, no Pacaembu. Um show mais relax, como conta o mesmo amigo que esteve no Maracanã em 1990. nível fodástico: Hope Of Deliverance, Biker Like An Icon, Piece in The Neighborhood, Golden Earth Girl, The Lovers That Never Were, Get Out Of My Way, C'mon People.


Flaming Pie - 1997

Na era do CD - Paul, o artista que atravessou eras - chama uma tonelada de brothers e diz ele mesmo, no encarte, que o disco foi feito na base da risada, sem neuras, sem pretensões... SEI... O disco soa muito fresco, finalmente não há mais a sonoridade dos anos 80. Os reverbs da bateria voltaram a ficar em segundo plano. Violões voltam a tona, do jeito que só Paul toca. A música título é simples e direta, do jeito que deve ser o Rock. Paul volta a ser o roqueirão de sempre, mostrando que pode fazer de sua música exatamente o que lhe der na telha. Ringão toca com ele em Beatiful Nigth - e soa como Ringo, sempre, mão direita precisa do hi-hat, bumbo simples e assustadoramente preciso, suas viradas de caixa e tons e surdos, do modo de ser, no modo Rock. Ringo é o melhor, tocando para o melhor. nível fodástico: TODAS.


Driving Rain - 2001

O artista que atravessou gerações. Se eu pudesse perguntar algo para ele, seria uma pergunta óbvia de resposta óbvia, mas eu iria olhar nos olhos dele e tentar ver o ser humano que há por detrás do mito: "Paul, em 1963, quando de fato os Beatles apareceram, você dizia ao topo John, mas, de fato, sabia que 40 anos depois seria tão agraciado quanto nos anos 60?". É claro que a resposta seria "não, eu não sabia". A história é coisa séria. Paul ainda está vivo. Driving Rain foi o primeiro disco que comprei do Paul, depois de ter ouvido o ONE dos Beatles e de ter vasculhado a internet na época do Napster. Tive a felicidade de ter duas canções produzidas por Sérgio Dias, do Mutantes, e na ocasião ele me falou dos Beatles e que eram de supra importância para a música do mundo. Ao ouvir esse disco, de fato minha vida mudou. O velho é mais fresco que muita gente, ainda assim tradicional. A nova banda é espetacular. O Hofner está mais timbrado do que nunca. A Epiphone, a Gibson, a Fender, a Ludwing, todos os melhores instrumentos do mundo nas mãos do melhor do mundo. De novo, depois de anos, Paul faz um disco delirante de cabo a rabo, com direito a apelo para a liberdade sobre o atentado de 11 de setembro. nível fodástico: TODAS.


Chaos and Creation in The Backyard - 2005

Porra. Vai tomar no cu. Filho da puta. Velho lazarento. Eu amo a música desse cara. Eu dou glórias ao incalculável processo da paixão musical. Toma no cu, isso é sacanagem. Tanta gente tentando ser algo, tentando fazer pelo menos UM refrão. Vem esse velho e fode todo mundo, numa complexa humildade. Precisava ter chamado o produtor do Radiohead? Só para deixar mais foda ainda. Depois de tantos anos, como pode ser tão estupidamente preciso em tudo o que faz? Como pode nos fazer chorar depois de The Long and Rinding Road e tantas e tantas e tantas outras? SIM. Paul McCartney é e sempre será o meu grande horizonte, o farol, o norte. Esse disco é aquele que ele nem precisava ter feito e já seria o maior dos maiores, o foda dos fodas. Mas ele quis ser mais foda. Fazer o que? Absolutamente PERFEITO.  nível fodástico: TODAS.


Ecce Cor Meum - 2006

Fui presenteado pela minha mulher com esse disco. Eu nem sabia que havia sido lançado. Sabe aquele tipo de coisa que é feita de repente? Do nada, esse disco estava nas prateleiras da Saraiva. Era meu aniversário e ela achou se tratar de mais um disco do Paul. Não fazia ideia de que era uma de suas aventuras clássicas. Um amigo meu me disse "mas se o Paul peidar, o mundo inteiro vai curtir". É... bem por aí. Não sou de ouvir música clássica. Colocamos o disco para tocar e veio aquela surpresa. Não sabemos se gostamos, não sabemos se não gostamos. De qualquer modo, um dia eu estava com meus 39° de febre por conta de minhas sofríveis crises de sinusite, jogado ao canto, querendo a morte, sofrendo mesmo, muito mal tratado pela minha própria natureza bacteriana - aí me deitei no sofá, sozinho, e coloquei Ecce Cor Meum para tocar. Me senti tão bem, tão leve, tão longe de qualquer sofrimento. Eu sorria e pensava "grande Paul". Um disco que vale a pena ouvir. nível fodástico: TODAS, desde que esteja deitado. 


Memory Almost Full - 2007

Posso estar falando merda (na verdade, acho que estou falando merda desde o dia em que nasci, mas é assim mesmo) mas esse disco tem a masterização mais porrada da discografia do Paul. É alto mesmo. E, de novo a nóia de discos irmãos. Chaos/Memory soam na mesma linha - apesar de eu ter acabo de falar da masterização. See you Sunshine mostra o melhor baixista de rock do mundo em ação mais uma vez no seu incomparável Hofner. Só ele tira som desse instrumento. The End of The End Paul anuncia seus desejos sobre sua morte (com muita lucidez). Dance Tonight é o som de dançar mesmo, o rock feito para bater pé. Ever Present Past carrega, mais uma vez, a simplicidade dos acordes - Paul até arrisca uns passos no vídeo da música. Only Mama Knows é rockão, de novo, e nunca vi uma banda tocar igual (até eu tentei, um resultado sofrível da parte dos envolvidos). nível fodástico: TODAS.




Kisses On The Bottom - 2011

Magnífico. Ousado. Clássico. Paul cantando de um modo novo, uma nova voz. Instrumentos clássicos. Um disco de remasters que soa como mais um projeto solo de Paul. Ele começa a cantar e se você não sabe que é um disco dele, não vai matar que é a voz dele. Ele tem sim a sua marca, mas ele consegue se desvincular disso, tamanha é a sua propriedade como músico. Um homem apaixonado pela sua missão aqui na Terra. E já disse que terá um disco de inéditas esse ano. Espero com todas as ansiedades possíveis. nível fodástico: TODAS. 




Se você leu isso até aqui, é porque de alguma for eu prendi sua atenção. Eu duvido muito que alguém vá chegar até aqui, mesmo porque esse post não vai te acrescentar em porra nenhuma. Nem me acrescenta em nada. Mas a vida é assim mesmo. Acrescentando ou não, o que importa é o sentido que damos a ela. Acredito muito nisso. A coisa do gosto musical é tão própria que é uma questão de sentido vital mesmo. Algumas coisas fazem sentido, outras não. Se você curte meus textos ou a forma com que me expresso e quer mandar o disco da tua banda para eu ouvir e escrever sobre, farei com todo o prazer. mande no email felippepompeo@gmail.com e juro que vou ouvir mesmo. Faço essa promessa porque sei que a demanda vai ser mínima... Um amigo meu diz o seguinte:" Porra, o Pompeo é foda...ele fica doidão e começa a fazer promessas de shows, gigs e jams... no dia seguinte esquece tudo". Sou assim mesmo. Prometo que vou ouvir, mas não garanto que vou gostar... Prometo que escrevo. 

Grande abraço. 






segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SOL - 2011

Para download... para você que deu um google para achar o disco. Antes de tudo, muito obrigado.

http://www.megaupload.com/?d=F9NAGB3N

!!!

sábado, 29 de outubro de 2011

Felippe Pompeo lança o SOL.

O título é um tanto pretensioso ou duplamente sensitivo. Mas é claro que Felippe não lançou o astro rei. Mas nos daremos a liberdade para introduzir esse texto, usufruindo da licença poética ou artística. Ultimamente andam falando muito de arte, tentando conceitualizá-la num rótulo disso ou aquilo, como se ser artista fosse uma coisa para poucos ou para escolhidos. Felippe parece ter a visão curta e grossa sobre o assunto: "Isso tudo é besteira. Mas não me pergunte o que eu acho que é arte, porque vou estar caindo em contradição. Para mim é o tipo de coisa que não se conceitualiza". Um curto espaço de tempo separa o lançamento de "Esperanto", seu último disco, ao de hoje, intitulado "Sol". Em nossa última entrevista, Felippe nos recebeu na casa de seus pais, um tanto atento às criticas sobre seu trabalho lançado em março de 2011, onde foi escrachado por causa de um mal entendido a cerca do nome Esperanto e do propósito do disco em falar sobre Deus, coisa que, para ele, ninguém entendeu. Dessa vez ele nos recebeu em sua nova casa, onde mora com sua companheira de longas datas, a jornalista Silvia Montico, um lugar charmoso e aconchegante no distrito de Joaquim Egídio. A cadela Maria Bethania - uma vira lata marrom - parece se entusiasmar com a chegada de nossa equipe. Felippe vestia uma bermuda manchada de cloro e uma camisa branca que mal parecia caber nele. 

Os Blocos de Cimento - Dá a impressão de que você é um viciado em trabalho. Esperanto é de março. O Sol foi lançado sete meses depois. Dois discos em um ano é um tanto desafiante...

Felippe Pompeo - É só uma impressão. Na verdade tem dia que tenho vontade de jogar tudo no lixo, meus equipamentos, minha disposição. Gosto mesmo é de não fazer nada. Ficar sentado na sala olhando pro teto ou deitar na cama e deixar a vida passar. É uma ilusão a coisa de amar o trabalho. Acredito que realmente existam pessoas que amam o que fazem, assim como eu. Mas trabalho é trabalho, e tudo que dá trabalho na maioria das vezes vira um saco. No caso desses discos, é um trabalho não remunerado, onde a coisa se complica, pois o meu tempo e disposição são colocados no meu trabalho remunerado, e quando tenho que fazer essa coisa que tão chamando de arte, eu estou muito cansado e sem vontade de querer mudar a vida das pessoas. Eu não sou viciado em trabalho, eu apenas sinto a necessidade de fazer isso. Parece que sou obrigado, existe uma força maior que não me deixa mandar tudo ir a merda. Porque, cara, deu muito trabalho criar e realizar o Sol. O disco vem sendo feito há 4 anos. Decidi lançar o Esperanto antes porque era mais fresco o tipo de coisa que eu estava compondo e porque ele é um disco menos experimental, se é que isso é algo para ser levado a sério. Os dois serem lançados no mesmo ano é uma coincidência que eu não tinha percebido.

Os Blocos - Você faz música para mudar a vida das pessoas?

Felippe - (pensativo) Se eu te falar a razão de eu fazer música, vou estar mentindo ou equivocado. É uma parte de mim que compartilho com quem estiver disposto a recebê-la. É a minha parte dócil, se é que posso dizer isso. Grandes artistas mudaram a minha vida sim, no sentido de antes e depois. Antes de ouvir The Dark Side of The Moon (Pink Floyd) eu era uma pessoa, depois eu me transformei em outra, por mais que eu seja a mesma pessoa, a informação que entrou na minha mente nunca mais me abandonou. A experiência de se ouvir um disco desses é de fato reveladora. Um sorriso, um arrepio, uma lágrima. Eu ouço música para me deixar de pau duro, ouço um som para me revelar a verdade sobre os meus sentidos, tudo ao mesmo tempo. Para mim não há nada mais puro do que a música. Se eu conseguir fazer isso nas pessoas que me ouvirem, acredito que mudei a vida delas sim. Se para sempre elas se lembrarem da experiência de ouvir o Sol, acredito que para sempre se lembrarão de mim. Acredite, não é pretensão, é necessidade de compartilhar o amor que há dentro de mim, querer compartilhar essas coisas que martelam na cabeça. 

Os Blocos - Falando nisso, o disco é dedicado a Brain Wilson e Roger Waters.

Felippe - Pois é justamente o que estou te dizendo. Esses caras mudaram mesmo o meu jeito de enxergar um disco. Não é apenas um emaranhado de canções bem trabalhadas e mixadas, onde o bumbo bate forte e o baixo tem aquele som que todo mundo comenta depois. Brian Wilson escreveu Smile, que demorou quarenta anos para vir a tona de fato, um trabalho que fez as pessoas pensarem que ele estava louco, que ele se entupiu de comprimidos e drogas e se trancou no seu espaço vazio interno. De louco, o senhor Wilson não tem nada. Se você ouvir o Smile, vai perceber que muitas vezes você vai querer jogar seu aparelho de tocar música no esgoto, mas também vai querer apertar a mão de Brian e abraçá-lo depois que você compreende o conceito do álbum. Quando meu amigo Thiago me trouxe o The Wall para ouvir, me lembro bem cara, puta merda... Apertei o play, e começa aquele sonzinho baixo, fui aumentando o volume, aí vem aquele BUM de In The Flesh?, eu não acreditava no que estava ouvindo. Todo o conceito do muro está ali, esteticamente, numa soma de sons, melodias e palavras. Aí você vai ver os créditos, está lá "escrito por Roger Waters". Foi aí que pensei, depois de ouvir esses dois discos, nessa ordem, preciso fazer algo desse jeito. E foi assim que escrevi o Sol. 

Os Blocos - Você diz em "Simplesmente Seja" que se espelha em gênios. 

Felippe - E eu só quero ser um deles... (risos). Não sou hipócrita, de fato eu quero fazer parte do hall dos gênios, mas isso não é um título que se consegue numa faculdade ou coisas desse tipo. É um desabafo mesmo. E quem é que te elege um gênio? Tem gente que adora me lembrar que depois que morremos é que vamos ser lembrados. Tem gente que adora me lembrar que não nada e que ninguém sabe quem sou eu. Eu sei disso, oras bolas. Acima de todo mundo, eu sei que não sou ninguém. Acho que incomodo as pessoas pelo meu jeito carrancudo e pelo fato de ter um certo conteúdo. Antigamente eu achava todo mundo merda. Hoje eu acho que todo mundo têm o direito de se expressar, de um modo bom ou ruim, e esse modo é relativo. A coisa da qualidade, sabe... E, cara, quando eu gosto de algo, eu me apaixono. Vou e rasgo ceda para a pessoa. Ainda mais se é alguém daqui da cidade que está ao meu alcance, eu colo no cara e falo um pacote do quanto eu acho foda, etc... 

Os Blocos - Como foi o processo de composição do Sol? Porque demorou 4 anos?

Felippe - Demorou por falta de recurso mesmo. Eu tenho a demo do disco, que foi feito num Compac podre. Mas era a minha ferramente de trabalho. Eu lembro que dei os primeiros acordes de Luz, e fui cantando "eu vejo a luz no fim do túnel, eu vejo Sol no amanhã" e pensei "peraí, que túnel é esse? vamos lá, vamos ver onde vai dar". Já com o pensamento voltado para o disco conceitual, depois de ter ouvido Wilson e Waters, fui levando a coisa. Usei algumas coisas que já tinha escrito, como "Ele e Ela", e o conceito foi nascendo, foi dando liga. Depois ficou impossível separar os capítulos, tinha que ser assim. Não queria dar a liberdade ao ouvinte de poder pular uma música. É disso que se trata, não é uma ou seis canções, são 3 atos - que nem o Smile, só que o Smile é recortado. O Sol é chato por isso, porque tem que sentar e ouvir. Esqueça o que há em sua volta. Esqueça refrões ou se você acha que vai ficar cantarolando as canções depois. É um disco para prestar atenção. É um disco desafiante. E eu acho isso fascinante. 

Os Blocos - Dessa vez você fez quase tudo sozinho. Tem o teu irmão na bateria e foi dirigido por André Leonardo, do Oito Mãos.

Felippe - Nossa, eu adoraria ter uma equipe, uma banda de apoio, apoio mesmo, que me apoiasse. As pessoas não tem paciência comigo porque, na verdade, eu não tenho paciência com as pessoas. Essa coisa de produtor musical é só um nome, uma referência de trabalho. Não sou produtor, eu apenas gosto de estar presente no ambiente de gravação e criação. Eu queria dar a oportunidade pro meu irmão gravar em um disco e de tocar bateria de verdade, tocar para a música. Bateristas são complicados, porque é um instrumento tão intrigante que é preciso força moral e psicológica para simplesmente sentar e tocar, e não ficar fazendo malabarismo. Ele o fez. Me deixou falar para ele exatamente o que deveria ser feito e o que não deveria. Me deixa tão orgulhoso isso, meu irmão confiar no meu trabalho, no meu talento, e deixar um cara como ele, foda, que toca muito, ser dirigido por um lunático. Em apenas um momento do disco, na música Sol, lá no finzinho do terceiro capítulo, ele vai que vai. Foi até engraçado, ele disse no meio da gravação "mano, deixa eu fritar aqui, por favor"... abri outro canal da batera e ele se regravou, fazendo aquelas viradas doidas dele... Caguei de rir quando acabou o take, ele parecia um cavalo que foi solto num enorme pasto depois de ficar preso o dia todo. Acho que foi assim que fiz ele se sentir, preso. Mas foi bom, muito bom. Quanto ao André, alguém tinha que apertar o rec pra mim. Foi isso que ele fez, e deu os toques preciosos que só quem sabe dirigir uma gravação o faz. Como fui eu que produzi, ás vezes ele dava umas opiniões e eu dizia no microfone "sua sugestão foi indeferida". Acreditem, é engraçado de mais trabalhar com essas coisas.  

Os Blocos -  Você ainda é uma pessoa insegura? Você disse que era inseguro em nossa última entrevista quando lançou o Esperanto. 

Felippe - Você gostou do Esperanto?

Os Blocos - Gostei muito. 

Felippe - Que legal... Me dou melhor com a coisa da normalidade de não gostarem do meu trabalho do que antigamente. As pessoas que me vieram parabenizar pelo Esperanto disseram coisas tão bonitas. Mas as pessoas que escreveram coisas do Esperanto, pessoas que nem me conhecem, coisa da exposição máxima saca, me disseram coisas tão terríveis. Isso me fez não querer lançar o Sol para essas pessoas, porque daqui pra frente vou fazer música para meus amigos, as pessoas que me respeitam. Uma vez eu mostrei esse disco, e versão demo, para um amigo. Ele me disse que não era o tipo de som que ele gosta, mas que se espantou com a minha capacidade de composição. Porra, o cara não curtiu em tira o chapéu? É o respeito, né... Eu espero isso das pessoas. Por isso a insegurança. Mas ainda sou inseguro com a coisa da técnica, que ainda estou aprendendo. Mixar, meu camarada, é muito difícil, porque sempre vai ter um filho da puta para falar isso ou aquilo. Aí eu me espelho em gênios, e os filhos da puta que se fodam. 

Os Blocos - Você acha que tem fãs?

Felippe - Eu tenho sim. Uns seis ou sete. A essas pessoas eu tenho o meu profundo agradecimento por tudo que ando passando. Quando lanço um disco, eu me liberto, porque o processo me deixa pesado, é um fardo mesmo. Quando é lançado, fico livre. Mas procuro pelo novo fardo imediatamente.

Os Blocos - Já tem um disco novo para vir?

Felippe - Tenho até o nome, que se chamará Bravo, e quando dou um nome, ele fica. As músicas do Bravo estão prontas. Só estou pensando bastante em como fazê-lo e, assim, dar início ao processo. Só não quero demorar muito. Espero gravar, mixar e lançar o disco num espaço de tempo curto. Quem sabe ele não fica pronto em 2012? E tenho músicas antigas, que uma vez toquei num show exclusivo para amigos, esse show se chamou "Nós somos mais do que eu". Mas não pretendo gravar essas músicas tão cedo. Talvez o show dessas canções antigas já foi a experiência em si. 

Os Blocos - Então você não tem limites para a composição?

Felippe - Tenho sim. A morte. 

...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Contando os anos. (mais uma vez, o passado!!!!) ou E agora o que nos resta é saltar.

Com ou sem retórica?

COM.

Então... esse facebook. Ainda não escrevi nada sobre ele. Não faço ideia do que vai ser escrito aqui...Mas sei do que quero falar. É um bom começo. O Facebook, o Google, a Macintosh e a Microsoft são os grandes aliados (ou não) de nosso tempo. Sendo assim, resolvi aqui fazer uma peneira da minha breve vida aqui na Terra nesses tempos loucos, que na verdade a loucura que faz somos nós mesmos.

1982 - nasci
1983 - eu tinha um ano.
1984 - eu tinha dois anos.
1985 - eu tinha 3 anos.
1986 - eu tinha 4 anos e aí as lembranças começam a pintar. Eu mostrava os 10 dedos das mãos indicando minha idade quando me perguntavam. Eu via jogo de futebol e gritava gol toda hora. Lembro que tinha piscina na escola e que minha mãe adorava embrulhar sanduba de mortadela para minha merenda.
1987 - eu tinha 5 anos.
1988 - eu tinha 6 anos. Fui alfabetizado.
1989 - eu tinha 7 anos. Escrevi meu primeiro calendário, nunca me esquecerei do ano no fim dele. Foi nesse ao que descobri que vivia em Niterói. Foi nesse ano que nos mudamos para o prédio que mudaria minha vida: O Papas de Niterói.
1990 - eu tinha 8 anos. Grandes amigos eu fiz nesse tempo de infância.
1991- eu tinha 9 anos. Guns And Roses era a melhor banda do mundo.
1992 - eu tinha 10 anos. Tenho uma vaga lembrança de que completar uma década foi importante para mim. Estufei o peito.
1993 - Guns ainda era a melhor banda do mundo. Piratininga era logo ali, assim como Itacoatiara. Icaraí era o quintal da minha mãe. O meu era o play do Prédio Papas, com os meus amigos da mais pura infância. Viemos para Campinas
1994 - eu tinha 11 anos. Brasil ganha a copa. Eu ganho um violão. Alguns amigos que entraram para a lembrança.
1995 - eu tinha 12 anos. Descobri que se eu fosse folgado com algumas pessoas erradas, eu tava fodido. Descobri o carrinho de rolimã.
1996 - eu tinha 13 anos. O sol seco de Campinas ainda é o mesmo. Descobri que eu não levava o menos jeito com as mulheres.
1997 - eu tinha 14 anos. Eu era um idiota. Um moleque chato. Mas eu era original...
1998 - Eu tinha 15 anos. Sabia tocar um pouco mais de violão. Ganho minha guitarra. Ganho um microfone Le Son. Depois de tentar montar algumas coisas frustrantes em quesito de banda, entro pra banda Estaka Zero.
1999 - Eu tinha 16 anos. Com um nome novo, o Lucidas grava seu primeiro disco. Eu estudava no Batista. Entrei pro Louvor da IPI Canaã. Conheci outros grandes amigos.
2000 - Eu tinha 17 anos. Terminei meu namoro com a Flávia. Conheci Thiago Henrique (o Ramirez). O Lucidas começou a tocar bastante.
2001 - eu tinha 18 anos. Não liguei muito por fazer 18 anos.
2002 - eu tinha 19 anos.Lucidas ganha Sprite Sounds. Fui pra Saturno. Gravamos com Sérgio Dias. Beatles aparece, de fato, na minha frente.Eu começo a achar que minha vida seria um artista do rock. Queria ser famoso.
2003 - eu tinha 20 anos. Gravamos Até o Fim.
2004 - eu tinha 21 anos. Termino meu namoro com a Fernanda. Entro para a PUCC. Conheço a Silvia. Conheço mais grandes amigos.
2005 - eu tinha 22 anos.
2006 - eu tinha 23 anos.
2007 - eu tinha 24 anos. Viagem para Olimpia-SP.
2008 - eu tinha 25 anos.
2009 - eu tinha 26 anos. Faço gastronomia. Conheço mais grandes amigos.
2010 - eu tinha 27 anos. Meu pai me disse "agora você é um homem".
2011 - eu tenho 28 anos. Começo a achar que a vida não faz o menor sentido. Sinto que já vivi demais e não espero grandes coisas da minha vida. O mundo é um lugar filosoficamente compreensível, mas na prática é outros quinhentos. Acho que tô doidão.

sem mais.
que preguiça.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

SOBRE NOSSA ÚLTIMA VIAGEM AO ESPAÇO - FIZ NO COMETA.

É estranho... Como é estranho o jeito em que as coisas acontecem.

Recebi um email cerca de um ano e alguns meses atras, de Christian Camilo, me chamando para entrar "numa banda grande em Campinas". Comentei com minha Silvia a respeito. Ela perguntou "o que você vai fazer" e eu respondi ao mesmo tempo em que respondia o email "to dentro".

Comecei a aparecer nesse tal circuito "Indie" (um rótulo infeliz, na minha opinião) quando passei a produzir o Oito Mãos. Pompeo isso, aquilo. Eu, da mesma forma, rebati. Eles isso, eles aquilo. Desses alguns eles e estes, Christian Camilo e André Dalbó me mostraram que a vida é feita de dias e dias. Não conhecia o Morrice, e o Bola eu havia conversado umas duas vezes no Bar do Zé. Tive uma impressão estranha com Dalbó num show do Oito Mãos e Monaliza Overdrive. Com o Tita (Christian) havia aquela birra clássica com outras bandas, as chamadas concorrentes. O Instiga sempre me pareceu uma banda manca. Até ouvir "Aquela da Cachorrinha". O pré conceito, como dizem por aí, é realmente uma perda de tempo.

Marcamos um bar (o 1° de Abril) e trocamos uma ideia. De cara o Dalbó me pareceu uma pessoa muito simples, divertida e da minha laia. O Morrice estava um tanto desconfiado, assim como eu. O Bola (ah, o Bola) sorria para tudo e para todos. Christian com um certo receio de como seriam as coisas numa banda em que ele não seria o primeiro a apitar. Eu? Bom... eu estava dando um pulo nessa correnteza, a fim de ter novos amigos, novos ares, para provar a mim mesmo que não era música que estava me cansando.

O Cometas fizeram cerca de 3 ou 4 ensaios. Fomos nos sacando, vendo o que rolava. Cantávamos "blá blá blá", "uhhhh", "daran daran" e "tchaptchura" em melodias que ia sendo criadas. Alguém tinha um riff, outro uma batida... Alguém tinha uma ideia. Alguém vetava, outro opinava, outro apoiava. Tudo numa total transparência desprovida de egos. Ora, vejam só... Na banda os 5 sabiam, com exatidão, quem éramos: ninguém.

- Estou cansado de dormir em pacotes de cópias de Cd's - disse Morrice.
- Eu não espero mais nada da música - disse eu.
- Pompeo, não fala assim... Você fala como um velho - disse Christian.
- Caralho, falamos sobre ter uma banda esses dias - disse Dalbó.
- Isso é genial. Foda demais, Porra, lindo - disse Bola.

Fomos para o sítio de Dalbó, em Guaretinguetá, apoiados pelas namoradas. Só nós 5, com um freezer cheio de cervejas, uma geladeira cheia de mantimentos e todos os instrumentos montados no carro. Entre churrascos, banho de rio, banho de Sol, banho de Lua, tiro ao sapo (com massas de farinha de trigo) e outras molecagens que só homens conseguem fazer, demos forma ao EP a ser lançado nessa quarta feira.

A mim foi confiado a mixagem. Eu quis isso. Pra quem gosta de informações, lá vai: A bateria foi captada no Síncopa. As guitarras foram captadas na casa do Bola e na minha loja. As vozes foram feitas nas salas de ensaio do estúdio do Rafinha. Trouxe as coisas para minha máquina e fiz meu trabalho confiando no que os caras da banda iriam achar. Se eu sou inseguro? Pra caralho. Prometi que não iria ficar profissional, mas sim apresentável.

Aprendi mais um pouco dessa função tão importante para uma música soar bem no ouvido das pessoas. Nos meus ouvidos, o EP soa bom.

"Sobre nossa última viagem ao espaço" foi construído com muita risada, dúvidas e seriedade de quem ganha rios de dinheiro com isso. Tudo, pelo incrível que pareça, pelo amor ao grande dom que foi nos dado.

A Música ainda é uma das melhores formas de comunicação estabelecida nesse mundo carnal. Dizem por aí que ela ultrapassa tempos, dimensões e limites. Eu me dou bem com essa amizade que tenho com a Música e fico imensamente grato aos amigos que conquisto tentando fazer desse dom meu ganha pão.

Um grande abraço.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os Melhores filmes de Terror

Pra que serve um filme de terror? Pra deixar com o cú na mão, é claro. Quando eu era criança esses filmes ficavam na minha mente e viravam realidade num canto escuro da noite, seja onde fosse que eu estivesse dormindo. No som do silêncio somos capazes de ouvir tudo quanto é barulho, depende do seu grau de cagaço. Eu sempre fui cagão. Até hoje sou cagão, só que consigo controlar minha ilusão. Quando a coisa é forte, faço uma oração e tudo fica normal. Não que a oração tenha o poder de espantar coisas do além, nem que, de fato, há alguma coisa do além por perto. É que, ao orar, distraio o pensamento numa coisa gostosa e confortante. O cobertor vira um escudo e nada pode me atingir. O medo é um sentimento saudável, mas o foda é quando esse medo se torna um doloroso "medo de quê?". De bicho papão à espíritos ruins, o tema geralmente é bem discutido nos filmes dos autores mais engajados na parada. Luzes apagadas, som no talo. Sem pipoca. Embarque num belo filme de terror, daqueles que a gente nunca mais esquece.


A casa das almas perdidas - O filme conta a triste história da família Smurl na luta contra as forças das trevas - espíritos que não têm o que fazer, ao meu ponto de vista. Uma história real, se você quer saber. Pediram ajuda para a imprensa e apareceu gente de todo o tipo, de curiosos a especialistas no assunto. Uma coisa não fica bem explicada: porque, meu Deus, porque eles são atormentados? Foram premiados, só pode. Se mudaram para uma casa linda e não foram bem vindos por aqueles que já moraram naquela residência. A coisa é intrigante: sofrem "pegadinhas" dos que chamam de espírito zombeteiro. Quem nunca pegou uma coisa na mão, largou por uns segundos ao seu lado e quando volta para pegar essa coisa a parada sumiu? Depois de tanto procurar, a coisa tá lá, no lugar de sempre, ou então num lugar inusitado, como um armário bem longe de onde você tava. Manchas estranhas na parede começam a transparecer que algo está errado. Vozes chamando seu nome, como se fosse sua mãe ou seu pai, mas que não é nada. Um empurrão do vazio em suas costas. Um vulto que passa diante de seus olhos de um ponto a outro. Passadas de mãos invisíveis em suas pernas durante a noite. Um ataque sexual de uma entidade do mal. Você não acredita nessas coisas? Pode ser que não. Mas converse com gente que jura já ter presenciado o mau, as histórias são de arrepiar. O filme é só mais uma delas, contado de modo sério. Um tipo de filem que te dá medo depois que seus amigos vão embora e você fica sozinho em casa. Foda pra caralho.



O Exorcismo de Emily Rose - Ok, ok... Tem gente que não sentiu um pingo de tesão por esse filme, muito menos medo. De fato, medo mesmo são poucos que causam. Um bom filme de terror não é aquele que assusta, mas que impressiona. Como tenho uma criação nas raízes do cristianismo, sendo que minha mãe, antes de se converter, era adepta do umbandismo, já ouvi tudo quanto é história bizarra. A maioria dessas histórias estão em Emily Rose, moça que é escolhida por Legião para ser mais uma de suas vítimas. Aquela coisa do pastor abrir a bíblia e o demônio dizer de cor o versículo é batido... Contorções e forças sobrenaturais, batido... Tormento mental... Tadinha de Emily, tadinha... Imagina uma situação dessas? Uma pessoa devota, educada, feliz. Não merecia tanto. No fim, uma boa mensagem - por mais que pareça absurdo... Mas, peraí... Você não acredita nessas coisas, né? Então é tudo, desde o começo, um grande absurdo.




Poltergeist, o Fenômeno - A cena do moleque sendo arrastado pelo palhaço para debaixo de sua cama é o suficiente para não dormir perto de qualquer boneco palhaço. O desespero de um pai de família em querer salvar seus filhos de um desastre psicológico é de comover qualquer durão. Exagerado na maioria das vezes, esse filme de Spilberg é foda. A mãe sendo levantada na vertical, depois no teto, depois jogada na cama é uma obra prima. Especialistas filmando um fenômeno que teima em não dar trégua. Caroline, a loirinha estranha, levada a um outro lado - o lado da TV fora de sintonia. Duvido que você durma com sua televisão nessas condições. Duvido que você vai ignorar seu filho quando ele começar a rir de coisas que não estão ali, ou quando ele falar que vê a vovó que ele nunca conheceu. Isso sim é um fenômeno.





Stigmata - Não chaga a ser um filme de terror, mas sim um suspense recheado de mistérios da igreja católica. Põe em xeque o livro escrito pelos próprios punhos do Messias, onde é abordado a necessidade ou não de prédios e pedras para se adorar o salvador. Massa! Mas aí essa mensagem é passada através da protagonista, uma moça que não sabe de porra nenhuma. Um padre tenta compreender o que há de errado com a moça e descobre uma verdade terrível, lembrando muito as histórias de Dan Brown. A medida que o filme se desenrola, uma mistura de atos bizarros se desencadeia, desde as dolorosas e arrepiantes estigmas até as mensagens em aramaico escrito na parede pela moça, enquanto ela está completamente fora de si, andando cambaleando, irreconhecível, com seu rosto branco e levemente contorcido, olhos sem vida e um dialeto arrepiante ao responder quem era ela: "Um mensageiro não importante". Inesquecível.


Atividade Paranormal - Esse filme é demais! Chamei-o de Montanha Russa, porque só quando ele acaba é que você desce do carrinho, depois de se cagar todo, e anda sorrindo, feliz pela experiência. Um filme idiota quando termina (o fim do cinema), mas que faz jus ao que veio: dar medo. Vou te dizer, o filme é de dar medo. Você se lembra da moça sendo arrastada e do seu berro desesperador e pensa se isso poderia acontecer com você. Acho interessante quando há pessoas que duvidam dessas coisas e tentam tirar explicações plausíveis, que é o caso do namorado da moça. O tinhoso está nela e ele não crê muito nessas coisas. Aos poucos ele vai ficando muito desconfiado. No meu caso, depois da menor aparição do inexplicável, nunca mais eu dormiria com a mina.


O Exorcista - Os Beatles dos filmes de terror. O clássico mais assustador de todos os tempos. Nunca mais fizeram um desses. A história mais que mentirosa da batalha travada entre padre Merin e o demônio Pazuzo no corpo de Regan. Deus não aparece, dando a impressão de que nesse mundo a luta entre bem e mau é problema nosso. A perseverança na força das palavras do ritual romano dos católicos é grandiosa, mas a insistência do demônio também. De todos os lados há a presença do sobrenatural e Regan é inexplicável, inadjetiva (se é que existe essa palavra). Um esforço enorme em chamar a atenção? Poderia ser, mas se pensarmos que a mente é tão forte a ponto de fazer uma cama tremer é algo de ficar com a pulga atrás da orelha. Esse filme me assustou por muitos anos. Hoje sei de cor as cenas que procedem, de tanto que enfrentei esse medo usando o pensamento de "é apenas um filme". Se você for parar pra pensar, de fato é apenas um filme, mas um filme muito complicado de se assistir. O melhor.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ESPERANTO - Felippe Pompeo


Felippe Pompeo é polêmico até quando não quer. Tem o costume de dissertar sobre coisas que fogem de seu conhecimento, mas que ele, no fundo, acredita ter alguma coerência. "Esperanto", seu disco de estréia, gravado independente, foi lançado no site do Rock n' Beats (http://www.rocknbeats.com/), há cerca de 20 dias e já gerou intrigas entre os apreciadores e especialistas em línguas. Um disco recheado de mensagens simples, arranjos um tanto reconhecidos pelos fãs de Beatles, com pitadas de rock and roll, soul e até música instrumental, que é o caso de Prelúdio, faixa que abre o álbum. "Nunca imaginei que o nome do disco ia dar tanto assunto". Felippe nos recebeu na casa de seus pais após prender o Pit Bull fêmea que atende pelo nome de Madalena. "Pra você ter uma idéia, eu entendo o meu cachorro sem falar a língua dele, se é que existe uma língua para a comunicação desses animais. Se existe, ninguém sabe falar". A casa de Felippe é um amontoado de amplificadores, bateria, guitarras, violões, P.A's (caixas de som usado em eventos) um piano de armário e inúmeros artigos de colecionadores referente aos Beatles, desde quadros e placas até o box remasterizado lançado recentemente com todos os discos da banda mais famosa do mundo, coisa que Felippe deixa exposto na sala de estar todo orgulhoso. Vestindo uma camiseta velha do "Let it Be" e uma bermuda manchada de água sanitária, Felippe respondeu algumas perguntas enquanto bebericava um copo de Jack Daniels e Coca-Cola com bastante gelo.




Os Blocos de Cimento: Como é para um artista ver sua obra ser lançada e ter uma repercussão um tanto contrária do que foi planejado?

Felippe Pompeo: Com dono da obra, acho uma tristeza. Como artista, acho válido. De um modo ou de outro, o disco não passou despercebido. Acho que eu teria a mesma reação se algum idiota falasse alguma cagada sobre algo que eu teria muito mais conhecimento, como muitas vezes já aconteceu comigo. O que acontece é que, no geral, as pessoas são muito maldosas. Faz parte do processo. John Lennon é o maior e recebeu o ódio do mundo na sua amada Yoko. Se ele estava pronto pra isso? Duvido que sim. Eu não fazia idéia de que o nome do meu disco daria tanta intriga. Tive a idéia de dar esse nome numa aula de etiqueta na faculdade de gastronomia. A professora, que tinha muita propriedade em suas falas, citou o Esperanto como uma língua que havia sido fracassada em sua proposta e tudo mais. Achei o nome da língua fantástico. Eu estava procurando um nome bom para um disco que fala sobre Deus. Como eu teria esse nome? Chamaria de Jeová? Alá? Oxalá? Ou sei lá... A coisa toda eu amarrei. Você não precisa se dar ao trabalho de ouvir o disco para sacar isso, eu digo: O disco fala que Deus é a soberania do universo, que o amor, que é a pregação mor de Jesus Cristo, é a cura e a saída para todos os males, isso inclui perdão e compaixão, bom senso e humildade. Eu já tive experiências de me comunicar com um sueco sem entender absolutamente nada do que ele falava, e ele me entendia, apenas com olhares e gestos. É disso que estou falando, a língua não é a coisa mais importante para a mensagem ser completa. É uma pena que as pessoas não entendam isso, e, sinceramente, acho isso uma burrice.

OS Blocos: Burrice?

Pompeo: Cara... É foda, sabe... Vai xingar o Restart porque? O Fresno, essa galera toda... Tudo tem um propósito. Posso não gostar de alguma coisa ou outra, mas todo mundo faz a sua parte. Esse pessoal que sabe tudo de línguas deveria entender o que é ser artista. Achei curioso um cara que escreveu que iria tomar cogumelos para entender um artista. Ele deve ser fã de Paulo Coelho, ou deve curtir coisas como Zorra Total. Deve ser uma pessoa careta. Eu não sou careta. Muito pelo contrário. Sou um adorador de idéias novas e gosto das que geram polêmicas, porque te põe pra pensar, pra raciocinar. Gosto de um bom debate. Adoraria que essas pessoas me encontrassem um dia e falassem na minha cara o que tem pra falar, se é que eu as feri de alguma forma. Adoraria debater. Odeio discussões e confusões. Se eu pudesse ter a ordem de falar, um após o outro, eles me entenderiam. Pô, entrei num fórum sobre línguas e estava lá a mesma e velha discussão sobre o fracasso do Esperanto. O que não entendem é o duplo sentido que há nisso tudo. O fracasso é o meu disco... Oras bolas. E não a língua. Até o meu disco é fracassado diante de sua proposta, que é falar de Deus, algo que não cabe em 45 minutos de canções. Ou seja, eu sei que fracassei nessa coisa de falar de Deus, entende? O disco se chama Esperanto. É coisa de artista. Se a pessoa não entende, é uma pena, porque sacar uma obra de arte é uma delícia. Você se envolve, ignora todos os processos acadêmicos e passa a fazer parte desse mundo. O mundo é cruel, a arte é um mundo melhor, uma mentira, uma ilusão, uma utopia. E, claro, entretenimento puro.

Os Blocos : Você acha que a arte tem coerência?

Pompeo : De modo algum. Se há algo que possa conceituar arte, essa coisa é a total falta de coerência. A academia não fala disso. Fiz 3 anos de jornalismo - que parei por falta de grana - e lá vi os mestres em comunicação social simplesmente virarem as costas para a arte. A estrutura comercial que se apodera disso é muito forte. Havia um professor que levava a arte a sério. Mas ele era diferente. A aula do cara era diferente. Jamais ditava, apenas conversava, passava seus conhecimentos contando suas histórias. Adorava falar dos Beach Boys, da sua banda em que ele tocava bateria. Enfim... A coisa da arte é ampla. A licença poética é coisa séria. A Monaliza, de Da Vinci, não faz sentido para uma pessoa com suas portas da percepção fechada. Essa pessoa, na minha opinião, é um infeliz, pra não falar um idiota. É claro que muito artista fala muita besteira, mas a sua arte, por mais que seja uma "besteira", é arte. A profundidade de uma obra - seja um quadro, um texto, um disco - é desprovida de erros. Se a pessoa tem a sensibilidade da criação, então essa pessoa é um artista. Esses críticos babacas que adoram falar de suas especialidades estão cegos a ponto de não ver a profundidade de uma obra de arte. Aquele nosso amigo vai ter que fumar muita maconha pra compreender o que isso quer dizer. Não recomendo os cogumelos, que aí ele entra em sintonia com a natureza e o caralho... Não deve ser um sujeito preparado para isso. Ele, assim como todos os que me criticaram pelo título do disco, deveriam mostrar suas criações. Deveriam publicas os seus trabalhos de conclusão de curso, que até nisso pode haver vestígios de arte, mesmo que eles não saibam.

Os Blocos - Você sabe falar Esperanto?

Pompeo - É claro que não! (risos). O disco poderia se chamar Português, Inglês, Francês. Esperanto é pomposo, fodão. Tudo a ver.

Os Blocos: Em "Reticências" você fala mais abertamente sobre o fracasso do Esperanto.

Pompeo : A música Reticências é mais uma conversa minha com Deus. Esperanto, ali, é o disco. A língua do mundo é você, esse você é Deus, eu falando pra Ele. Na minha opinião, língua alguma é pário para o poder da criação, das árvores. Em inglês árvore é thre, mas eu sei o que é uma árvore. O americano também. A gente aponta pra árvore e ele também. Então nós sabemos que ali há algo que os dois entendem. Eu li uma entrevista do John Lennon para a Roling Stones desse mês. Cara, é foda. Ele fala muito da coisa da crítica sabe. Respeita os críticos que falam mal dele mas que produzem seus trabalhos. Mas os que o criticam e não produzem nada ele simplesmente despreza. Com tantos anos de trabalho e ainda rolava aquela coisa de incompreensão de seus textos musicados. O repórter citava várias frases de músicas do compositor, pedindo para explicar. Disco nenhum vem com bula, dizendo o que realmente queria dizer com aquilo, ou com isso...

OS Blocos : Então vamos fazer a bula aqui. O que acha?
Pompeo: A entrevista é sua... Vamos lá, se é isso que quer fazer...

OS Blocos: "Prelúdio"... O nome é compreensível, mas o que quer dizer aqueles 3 climas que você e João Paulo Rodrigues criaram?
Pompeo: Nós sentamos na casa dele em frente ao computador. Tomamos uma garrafa de vinho. Eu levei uma idéia, que era basicamente os primeiros acordes que você ouve no disco. Gravamos as idéias iniciais usando o Roland Juno G dele. Foi um dia muito bonito. Nós dois somos adeptos das viagens do Apocalipse. Queríamos transmitir como seria a volta de Cristo ao mundo. Ou seja... o 1° momento é o desespero da humanidade rumo ao desconhecido. O 2° momento é uma breve felicidade pairando sobre todos nós. O 3º e último momento é o fim dos tempos, antes você houve 3 acordes de piano desafinados e desafiadores, coisa que eu e o Jota, sei que é loucura, chamamos de "os passos de Deus".

OS Blocos: "O Exilado" é sobre o diabo?

Pompeo: Pode se dizer que sim. Eu não fiz pensando nisso. Foi para um amigo meu, que eu estava puto com ele e fiz essa. Mas o sentido da canção é amplo. Não creio no diabo como uma entidade, mas sim como o mau existente dentro de cada um de nós, isso se aflora ou não. O diabo, na minha visão, é a confusão mental, a falta de bom senso. Uma pessoa exilada é aquela que não vê nada além de seus próprios valores, mas que é salva assim que percebe que o amor é a razão de tudo.

Os Blocos: "Diálogo sobre o mal resolvido"...

Pompeo : A faixa Los Hermanos, desde que o LH tenha mostrado para o Roy Orbinson aquela batida de batera que neguinho tanto fala que lembra o LH. Isso não me incomoda, sou fã do LH pra caralho. Eu saí da igreja e nunca mais voltei. Muitos amigos e familiares questionaram sobre minha fé. A resposta foi essa música. Até chegar no solo de guitarra sou eu falando pra Deus, o que imagino que ele estava me ouvindo. Depois do solo, é Ele respondendo pra mim, até o fim da música.


Os Blocos : "Gigante do Universo" é um tanto polêmica também... Na mesma proporção, se você incomodou os especialistas em Esperanto, vai ser enforcado pelos protestantes e católicos...

Pompeo : Eu poderia dizer "eles que se fodam". Mas seria um tanto contraditório à minha proposta. Espero que eles pensem nisso. Porque Deus tem que estar na igreja, sobre o poder da burocracia dos encarregados pela mensagem? Porque o pastor é o conhecedor da verdade absoluta sobre o criador? Quem disse que os mensageiros têm o poder de saber o que Deus quer pra mim, ou o que Deus gosta ou não que eu faça? É prepotência, manja? A bíblia é apenas uma reportagem de tempos antigos. O Apocalipse é uma profecia que eu creio que um dia se cumprirá, mesmo que não seja nas proporções ditadas por João. Imagine só aquele puta monte de anjos rodeando o messias, ou aqueles trovões e cavalos alados... Um basta no mau seria uma coisa de filme americano. Eu acho isso tão grande quanto o universo. É uma história incrível. Não sei das outras histórias, mas tenho certeza que todas elas são tão lindas e grandiosas. Eu só conheço essa e acho que é o suficiente para me fazer cagar nas calças. "Gigante do Universo" é isso. Essa coisa enorme que faz do ser humano um simples grão, uma simples parte de um todo infinito. Olhar para o céu e tentar procurar o criador é difícil. Eu vejo a criação no meu cachorro, no mar, no ar, nas pessoas, nos olhares, nos sorrisos... Vejo no inimigo e no amigo, vejo na insanidade, na loucura. É o tipo de coisa que não se explica, por mais que a ciência tente. Essas coisas nós estamos supondo até hoje, desde o início dos tempos. Deus é um grande mistério.

Os Blocos: "Anéis de Saturno" fala sobre a maconha?

Pompeo: Sim.

Os Blocos: Você faz apologia a maconha, então?

Pompeo: Não. Anéis de Saturno é uma expressão que quer dizer o alcance ápice da sua experiência relaxante que a planta te proporciona. É uma mera necessidade de viver numa condição além da vida de rotina. As pessoas dizem tanta coisa, principalmente seus pais, numa tentativa quase sempre hipócrita de te dizer o que é certo ou errado. Na minha opinião errado é fazer o mau para os outros. O que você faz consigo não é errado, é uma experiência. As consequências disso podem ser absurdas, mas você teve essa escolha. Anéis de Saturno narra a bagunça que tua mente - na verdade, a minha - é. Com ou sem substâncias. Nossa mente é um aglomerado de informações que na grande maioria das vezes há coerência e sentido, mas que também, na exata proporção, é uma bagunça só. É sempre bom ir pra bem longe desse lugar. Quanto à apologia, isso é coisa pro Planet Hemp.

Os Blocos: "Found Joy"

Pompeo: Essa é do João Paulo. Uma música linda, em inglês. Esse meu inglês merda, mas que fiz um esforço foda para soar bacana. Uma música simples, mas na simplicidade moram as grandes coisas. Achar a alegria é uma razão de paz interior muito confortante e revigorante. Engraçado... Você não precisa saber falar inglês para sacar que a músic se trata de algo pra cima, feliz.

Os Blocos: "Reticências". Porque esse nome?

Pompeo: Porque a música não tem nome. Quando eu escrevi a letra, deixei na parte superior do papel como título três grandes pontos. (...) Ficou, porque me faz pensar nessa coisa de infinito. Um pensamento infinito, uma sugestão sem fim. Essa música fala de Deus também e do dom que Ele me deu. Sou um entusiasta de um download do céu. Saber tocar, cantar e escrever só pode ser coisa espiritual. Sou burro pra muita coisa, inclusive para ortografia. Cometo erros constrangedores, mas eu consigo passar ao leitor uma mensagem que faz sentido. Eu tinha a idéia de colocar um coral de crianças cantando o refrão do fim. Eu e o André (Leonardo, co-produtor do disco) cantamos bem fino pra ver se soava bem. Depois triplicamos as vozes, e isso deu um puta trabalho por Boto (Fabio, mixador do disco). No fim das contas que percebi que chamar a molecada do projeto Itatiaia da Igreja Presbiteriana Independente de Canaã ia dar muita dor de cabeça e eu ia acabar sendo grosso com uma das crianças, então ficaram as vozes que você ouve.

OS Blocos - "Homes e Mulheres" é uma música muito bonita...

Pompeo - Obrigado. Essa é a única das muitas que fiz pra minha Silvia que foi parar no disco. Eu também creio no relacionamento como uma regra dos céus, por isso ela está no álbum. É uma letra melosa, mas que no fim diz ao que veio. Tive essa revelação de que os homens nascem para serem filhos e as mulheres para serem mães. Quando o cara sai de casa e vai morar com sua parceira, ela toma conta dele e ela faz isso naturalmente, com muita satisfação. A coisa vira um ciclo eterno.

Os Blocos - "O Fim" deveria ser a última!

Pompeo - Assim como "Sgt Peppers Reprise" deveria ser a última do disco dos Beatles, mas terminou com "A Day In The Life", dando o fim fabuloso que há naquela coisa que já não sei mais o que é. Essa música é antiga e entrou pro Esperanto para preencher uma lacuna. Tudo tem um fim. Esses dias vi num programa de televisão que o Big Bang caminha para o fim. E no fim o que nos resta é o amor, né...

Os Blocos - "Música" é apenas mais uma música?

Pompeo - É sim. Sem refrão. Ela vai mudando de clima e nunca volta no ponto de partida. Tem um solo bem bonito, a lá George Harrison, meu guitarrista preferido. Tem uma levada de batera não comum em minhas músicas. Várias influências de misturam ali, resultando em mais uma música. E, realmente, eu não descansarei enquanto eu não for morar à beira do mar. E no dia de minha morte, eu quero estar com minha Silva nos confins da eternidade. É nisso que eu creio, sempre me baseando onde o sonho pode me levar. Sou um cara de grandes sonhos, mas que descobri que o trabalho é a realidade. Quando um sonho se torna realidade, é uma coisa absurda. Tive essa experiência no show do Paul (McCartney). Era um sonho, sabe. Se realizou.