sábado, 24 de maio de 2014

Felippe Pompeo fala sobre o BRAVO.




Pompeo - como é indiscutivelmente conhecido por seu pessoal - já não é mais o cara que passava horas no estúdio gravando suas ideias. Hoje ele se enrola para estar no palácio da gravação: "É muita correria, cara... Tenho que resolver problemas, fazer mercado, abrir e fechar minha loja, correr uma vez por semana para colocar o sangue pra circular, tocar nos fins de semana por grana. Tenho cachorros e uma casa para cuidar". Analisando superficialmente, a impressão que nós do Diálogo Sobre o Mal Resolvido temos é a de que Pompeo cresceu. Na época em que esse blog ainda se chamava "Os Blocos de Cimento", Pompeo era um cara que acordava depois do meio dia e vivia com os pais numa zona de conforto razoavelmente bem. Com a sua agenda de compromissos primários lotada, gravar um disco é tudo o que ele não precisava, mas o faz.

O Diálogo - Parece uma burrice, pra quem vê de fora, continuar gravando discos na realidade tão imprópria que você vive.

Pompeo - Acho que não... Pode até parecer uma insistência ou coisa do tipo. Mas, sabe, não posso reclamar. Tenho tanta coisa... Meu Playstation 3 ainda está lá. Tantos amigos meus tiveram que vender os deles para pagar contas. Vivo de uma coisa que não nasci para viver, mas que aprendi a fazer e a aceitar. E, mais uma vez, você vai me fazer eu me expor aqui né...

O Diálogo - Mas é claro. É assim que toda entrevista deveria ser, não é mesmo? Não é você o cara que mete o pau no jornalismo musical de hoje em dia? 

Pompeo - É, sou eu mesmo. Enquanto esses idiotas estiverem fazendo matérias chulas sobre beleza, vestimentas, aparências, ou escrevendo sobre burrices e mesmices, eu acho que vou cutucá-los. É claro que você pode pensar que digo essas coisas porque nenhum deles dá a menor importância pra mim. Talvez, sou humano... Quero minha fatia também. Mas sou roqueiro, e mando tomar no cu mesmo, quando necessário. Ser humilde é uma coisa, mas quado o lado rock and roll bate, cara, é foda. 

O Diálogo - É daí que veio o nome BRAVO? 

Pompeo - O conceito de BRAVO é de eu ser uma pessoa pouco simpática aos olhos de quem apenas me vê. Aquele tipo de gente que apenas vê eu passando pra lá e pra cá, com milhões de coisas na cabeça. Eu percebi um troço desde a época do ensino médio: sou um tipo de gente que chama atenção. Não sei se é o meu tamanho, se é o volume da minha voz ou a minha rizada exagerada. Sempre olham pra mim. E em dias seguintes sou um cara fechada, mergulhado em pensamentos. Não me admira mais - hoje em dia é claro - pessoas falarem que eu sou um cuzão, que eu sou anti-social (já ouvi isso numa noite... rs... todo mundo deu em cima da moça, eu nem vi que existia uma moça, e ela me chamou de anti-social... RISOS). Tem a coisa do palco também, então todo mundo num bar, onde eu estou tocando, sabe quem sou eu. Geralmente eu desço do palco e não falo com ninguém. Aprendi, com o tempo, que ao menos sorrir para as pessoas é uma gentileza e agradecimento por quem está ali. Fico meio puto porque estão batendo palmas para mim por tocar música de outras pessoas. Nunca tenho a oportunidade de fazer as minhas músicas. Mas... É só me conhecer, vir falar, trocar ideia, que eu me torno um cara dócil e que você nunca mais vai achar que eu sou um cuzão de verdade, só de mentirinha. 

O Diálogo - O single do disco, BRAVO, dá exatamente essa impressão...

Pompeo - Sim, pois o nome tem esse peso, carrega essa prepotência (como disseram por aí). A capa é meu rosto pintado, puto, fechado. Sombria, algo tenso, como o nome do disco propõe. Mas ao ouvir a música, a letra te mostra que não é nada disso, que sou apenas mais um coitado vivendo num mundo tão difícil de entender, num país tão complicado, numa cidade (Campinas) onde as pessoas são tão mal educadas. É uma canção longa porque eu quero mostrar essa coisa do desespero. O solo é desesperador, você acha que já ouviu tudo na música e quando chega o solo você fica atordoado, se perguntando "mas que diabos". E ao chegar na parte calma, é uma calmaria disfarçada - você tem um clima musical mais ameno, mas uma letra extremamente pessimista, o que te leva pra essa briga interna do cotidiano. Somos todos Bravos. Ninguém está satisfeito com a vida. Você sempre tem um problema para resolver, sempre tem uma cagada para limpar ou - o pior - um desastre natural que você não fez nada para acontecer, mas que te diz respeito. 

O Diálogo - Mas há também o sentido de congratulações, de Bravo no sentido de palmas?

Pompeo - Sim, há. Em primeiro lugar: Se eu não me achar foda, quem vei me achar? Sim, eu me acho foda. Eu acho que sou digno de braveza. E foi aí que eu me tornei uma pessoa mais tranquila. Não precisei mais humilhar músicos e compositores que estão começando, porque eu passei a não precisa provar mais nada pra ninguém, pois eu sei do que eu sou capaz e do que não sou capaz. Sou um homem muito seguro de mim. Não preciso que as pessoas me digam tal coisa para eu saber do que eu sou feito. É claro que é bom demais ouvir as pessoas me gratificando e eu me preocupo com o que vão pensar de meu trabalho. Em segundo lugar, apesar de todo pessimismo dito acima, a vida ainda é do caralho. Há momentos de extrema felicidade que vivemos que merecem palmas. Lembra daquela cena de "A Procura da Felicidade", onde o protagonista vivido por Will Smith, após saber que foi contratado, depois de tomar tanta porrada, vai para a rua comemorar sozinho? Ele bate palmas para si mesmo, dizendo "é isso, eu sou foda, eu consegui, eu sou bravo, BRAVO minha gente". Depois ele corre para abraçar o filho, que o seguiu até o fim. A vida é isso, meu caro. 

O Diálogo - O disco é sobre isso, então?

Pompeo - Sim. O disco vai do puro soco na cara, como é o caso de A Luz Define Você e o Dia da Minha Morte, ao mais sincero sentimento de gratidão, como em O Choro da Gi e Todas em Uma. Me exigiu muita paz de espírito, paz essa que fiz as coisas sem pensar muito saca? As músicas foram nascendo, foi-se criando o conceito - um disco tem que ter um conceito, se não ele vira um emaranhado de músicas bacanas. Um disco tem que ter começo, meio e fim, se não vira um disco do Restart, eu sei lá... 

O Diálogo - Como foi gravar com Luis Alcaide, o espanhol? 

Pompeo - O cara caiu do céu. Coisas que a vida nos trás e falamos: Bravo! Por coincidência absurda, o cara é meu vizinho. Um parceiro em comum me disse que eu deveria conhecer o Luis, que tinha um estúdio, que mexia com isso e que era gringo. E que morava na minha rua. Eu pensei "mas que porra é essa? Deve ser um cara doidão que mora com o cachorro fedido ou coisa parecida". Ao cruzar com Luis, percebi se passar de uma pessoa séria, que tinha uma vida estruturada e que estava no corre como eu. Começamos a nos conhecer. Eu fazia duzentas perguntas técnicas de áudio e ele respondia cada uma com analogias poéticas que eu entendia perfeitamente. Eu ia na casa dele, ele na minha, e assim nos conhecemos, antes de tudo. Então resolvi conhecer o seu local de trabalho, que para o meu espanto não era na casa dele, e sim do outro lado da cidade. Resolvi encarar o lado profissional da coisa e acho que só ganhei com isso. Luis é talentoso, conhece cada canto do seu estúdio, já trabalhou com todo tipo de artista (até os malucos dos indianos e dos africanos). Tem inúmeras histórias e te capta sem um pingo de arrogância - ele se preocupa com seu trabalho, não é daqueles que te trata como mais um cliente porque no dia seguinte ele tem que acordar cedo para gravar uma orquestra ou um trabalho de curso de música da Unicamp - sabe esses caras? Então...

O Diálogo - Mas Felippe, você mete o pau em todo mundo! Parece que está cercado de inimigos...

Pompeo - Porra nenhuma. Eu tenho amigos e nobres colegas do mesmo ramo. O Missola faz um trabalho maravilhoso, profissional, e já trabalhei com ele - é uma paz eterna. O Roger do Nosotros é um guerreiro, um cara que inspira. Os caras do TJ são demais também, embora eu não tenha trabalhado com eles, apenas conheço o TOM e toquei com ele uma única vez, e ouvi alguns discos feitos por eles, como o do Beto Sanches e do Sandro Saga, fodas pra caralho. Aliás, o Sandro é foda. O Beto é outro que eu não conhecia e acabei achando ele uma pessoa muito bacana. O Túlio Airoldi (ex companheiro de banda) é um parceiro eterno e está para lançar seu trabalho também, eu participei na voz em Dedilhar Estrelas, uma música que entraria fácil para o Lucidas. O Toninho Ruiz que produziu, um outro cara ímpar. Temos o João e os Poetas de Cabelo Solto, fantásticos!!! O Franciso El Hombre e sua paz e humildade. Meus caros Guilherme Morais, Léo Costa e Marcelo Mayer. O Marx, que faz eventos. O Will, que nos encoraja. O Vitor Moreno, gente boa. O povo da Lads, do JB...  Conheço uma galera, mano. E gosto muito de todos eles, principalmente se rolar uma cerveja no Bar do Zé. 

O Diálogo - Da última vez, quando lançou o SOL, você se despediu dizendo que havia um disco novo para sair e com um nome já, que era o que você está lançando. Há mais um?

Pompeo - Sim. E sempre haverá. Mas dessa vez não vou revelar o nome. 


Bravo será lançado dia 28/05, via facebook - https://www.facebook.com/events/1462679040636518/



terça-feira, 15 de abril de 2014

BRAVO - Bastidores.

cara, não gostei da mix de ontem...
1º apertou demais na master... tá insuportável a porrada...
2º, com a afinação da voz, acho que ficou bem ruim o reverb na cara.... tá plástico, de mentira manja
o esquema vai ser secar essa voz....
e deixar mais natural...
a master bufando deixou muito sujo...
acho que o volume das vozes está muito bom...
principalmente no final, que vc achou que estava alta...mas, cara... a master tá alta demais!! hauhauhauhauha

e esquecemos de fazer o fade out ddas trilhas... tem gtr roncando pra caralho..
pra falar a verdade, to ouvindo aqui nos fones bacanas que tenho..
tá tudo meio porrada..
.mas acontece que O VELHO é uma canção cheia de dinâmica..
e a master matou a dinâmica
bom , eu acho que sim é provável que a outra mix estava boa e no ultimo minuto eu subi o mastering pra deixar mais no volumen das outras , mas vai ser muito facil voltar atrais . e o negocio da reverb eu falei varias vezes que o efeito estava muito exagerado , mas nao se preocupe que se os problemas sao esses ......maravilha !!!sao muito facil de resolver
cara... era meia noite!!!
UHAUHAUHAUAH
vc falou mesmo do efeito..
mas eu tava querendo o efeito para encobrir a desafinação...
daí arrumou...
e não precisa mais..
só tem UM pauzinho minusculo do Auto Tune..
que ás vezes o programa faz merda..
tudo vai ser facil de resolver
vamos por um delay bem grande e ai nao vai dar pra ouvir mais nada
demoro
assim o efeito e desafinaçao vai ser inaudivel
porra.
tá exagerado rpa caralho! UAHUAHUAHUA
mas é isso mesmo.. uma squesdtão de exagero..
só reduzir as paradas..
ficou VOZ DE PlÁSTICO manja?

eu acho que nossos ouvidos sim ficaram de plastico depois de 4 horas
e a Master.... cara, detonou a dinâmica
virou tudo uma coisa só...
uma bola sonora
enfim, vc entendeu...
os 10% final das mixes ainda virão..rs
se vc perceber, ela é um FADE IN eterno...
começa leve...
termina porrada
e tem que respeitar isso..
oltamos na mix anterior que com certeza estava boa
acho que teremos que pilotar a voz...
pq é linda baixinha no começo, só com o violão.
mas na hora que a betra vai entrando, tem que ir subindo..automatizando...
mas, em questão de volumes, no fim, as 200 vozes, acho que ficou muito bom.
amanha vou no estudio e vou dar um toque nela e te reenvio
blz, é nóis.
:)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Francisco El Hombre - 09/03/2014 - Quintal do Gordo, Campinas SP.

Se eu pudesse congelar um dia dessa semana maluca pós carnaval que passou, seria aquele lindo momento em que todo mundo parece um só. Nesse momento eu me arrepio ao escrever isso aqui. Abracei o Mateo, sentindo seu suor gelado escorrendo de sua vasta cabeleira, eu eufórico pela cerveja gelada, os amigos por perto, alguns colegas, e me veio o seguinte enquanto eu abraçava esse maravilhoso e cativante garoto de apenas vinte anos: "cara, eu não tenho palavras, vou ter que escrever uma resenha". E foi só isso, não conversamos mais, era tanta gente querendo falar com ele que eu fiquei apenas observando de longe a força e magnitude do poder das cordas vocais, do pé no chão, do violão desligado. Ah, o momento que eu queria congelar? Algo como "hey hey hey hey, shaballacumbá na naha, hey hey hey heey, shaballacumbá". Um mantra, eterno e certeiro, todos um só. 

Francisco El Hombre é o resultado de uma arte que nos enche de orgulho e de esperança. O melhor show que se pode ver. O ritual é completo. Você, na platéia, se sente junto deles, eles te convidam com o olhar. Sebastian, o loiro de barba grossa, olha nos seus olhos, com um sorriso cativante. É irresistível. Os mais céticos (eu, claro, pensando como é que fariam um show com os violões desligados e um guitarrista ligado numa caixa de um falante de oito) caí pra trás ao ouvir, de longe, que o show começou. Eles vêm cantando, como nos tempos de cantiga de roda, como nos tempos de romaria - é quase sagrado. O recinto se cala de uma tal forma enquanto eles se colocam em seus lugares, cumprimentando os presentes com sua música infinita. Então eles contam o tempo no peito, como um cumprimento tribal, e o show começa pra valer. É coisa para guardar na memória pra sempre. O show é perfeito, é sorriso atrás de sorriso. Mateo fala com a platéia com uma propriedade que todo roqueiro deveria ter. Sem medo de errar, sem medo de passar ridículo, a graça estampada na sua breve juventude. Sebastian é lindo, e sua beleza e pureza transcende os limites da caretice. São acompanhados por uma banda que faz jus ao significado do coro - Juliana Strassacapa canta e canta e canta e, porra, canta!. E não seria justo deixar passar despercebido a incrível presença musical de Erin O'connor nos vocais e Andrei Martinez na guitarra. 

Mateo e Sebastian, Francisco El Hombre


Campinas está escassa. Não de arte, jamais! Mas de amor. De respeito. De felicidade. Os irmãos Piracés são de uma simplicidade que me coloca a pensar na minha própria humildade. Sou carregado de um sentimento competitivo que às vezes dói. Estou deixando essa besteira pra trás há bastante tempo e acredito que é um processo que durará pra sempre. O monstro sempre mexe dentro da gente. Ver esses dois sacerdotes da música me enche de felicidade, por saber que Campinas, uma cidade cheia de gente de nariz empinado - imagine os músicos!!! - está se rendendo ao canto da felicidade. E você que entrou aqui e está pensando "porra, o Pompeo pagando pau pros caras"... Largue sua inveja, seja feliz. A música é a maior amiga da felicidade. Deixe o ego de lado e aceite o sucesso dos nobres colegas - só a gente tem a ganhar com isso.

Muito feliz pela noite de ontem. 

FRANK THE MAN!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As 10 maiores bandas da minha vida.

É fim de ano e o povo começa a vomitar as listinhas que deixam alguns artistas bem felizes, outros bem putinhos. Aqui vai a minha, que não tem nada a ver com o fim do ano e com novos artistas. 

Pois agora eu pego o barco rumo ao mar de águas turvas que é falar sobre suas bandas preferidas. Você, caro e não tão raro leitor (as proporções não me iludem, quantidade é algo há muito tempo superado) por muitas vezes se indignará com tais citações, poucas vezes concordará comigo. Talvez isso aqui não saia como eu imaginei. O tempo todo eu imagino as coisas. E já adianto: trata-se de um post longo, talvez eu nem termine hoje ou nessa mesma folha. No fim das contas eu direi quantos dias levei para fazer isso aqui. Num primeiro momento pensei em escrever um livro, mas eu já tenho um e ninguém comprou (não vou cair na contradição da quantidade) o problema é que ficou caro pacas... Talvez eu reconsidere, ia ser bem legal um livro que desse de dez a zero naquela merda que o Zeca Camargo escreveu certa vez sobre suas entrevistas, onde cada capítulo era uma banda. Pensei em fazer assim também. Mas daí lembrei do blog, etc... 

O critério usado foi bem simples: as 10 bandas da minha vida vieram a tona no que diz respeito ao meu nível de conhecimento das tais. Se eu conheço todos os discos e ponto final. Depois pensei nas bandas que eu sei que são impecáveis e que deveriam entrar em qualquer lista que se mereça o respeito. Não quer dizer, em hipótese alguma, que uma é melhor que a outra por causa dos algarismos em que ela se posicionam. Só quer dizer que essas são as 10 bandas que me fazem ter vontade de ter uma banda também. Não estou considerando artistas solos. Banda é aquela coisa de quatro cabeças criando, brigando e tocando. 

Isso aqui não se trata de um concurso literário ou porra alguma. É só mais um post, pois eu realmente gosto de escrever. Vamos lá.





LED ZEPPELIN 

O que eu sei - desde os tempos em que meu pai passava suas bolachas da época em que ele tinha seus 18 anos para nós - é que John Bohan merece o título de melhor baterista do mundo. O nome da banda já remete ao nó na garganta, ao álcool na veia, seu nível de chapadeira carregando um peso de bigorna que voava e pegou fogo. O Zeppelin era perfeito, mas havia seus defeitos. Os caras eram muito loucos! Pra falar a verdade, todo mundo é louco - já diziam os Lucidas em "Até o Fim", nosso último disco. Quando ouço Led Zeppelin, tenho a impressão de que eles estão na minha sala. Robert Plant cantava com as mãos na cintura, sem o menor esforço não é mesmo? Aquelas frases épicas, aqueles gritos e gemidos sem o menor pudor, com a maior cara de pau que só o rock and roll pode proporcionar. John Paul Jones não se intimidava e caía com tudo em cima dos grooves. Recentemente li na Rolling Stones que é dele o riff de Black Dog! Mas eu fico me perguntando se o riff foi criado no baixo ou na guitarra... O que é mais fácil de se tocar, baixo ou guitarra? Não tenho a resposta para isso. De qualquer modo, Paul Jones desempatava no órgão. Daí o time se completava com o produtor da banda, além, é claro, de ser o guitarrista e o fundador. Diz ele que criou a sua banda para ele tocara seus riffs (sério, li na tal Rolling Stone, uma entrevista). Jimmy Page é de uma genialidade que agride. Seus quase dois metros de altura o elevavam a um pedestal de iluminação sonora pra lá de paralela. No mais delicado foda-se, ele passeava pelas seis cordas como se nada importava, como se tudo o que te dizem ser certo ou errado fosse a maior babaquice e cafonice de todos os tempos. Ele é o cara que pegou todo o modismo da guitarra elétrica e jogou num caldo em ebulição. O que se ouve nos discos do Led Zeppelin é de fazer o cérebro tremer, de querer pegar qualquer instrumento e partir para a estrada. A única banda dessa lista que não dá para apontar o pior integrante, os caras eram impressionantes. Sabiam misturar a técnica do peso (o que chamam por aí de "pressão") com as palavras e os riffs (que eram verdadeiros refrões). A ficha caiu pra valer em mim quando vi "Celebration Day", o DVD ao vivo, que meu amigo Guilherme Morais nos trouxe numa noite dos solteiros aqui em casa. Abrimos várias latinhas de cerveja enquanto eu ficava babando - ele apenas fazia aquela expressão de "te falei", com o orgulho explícito no olhar. Ao ver os coroas descendo a porrada no palco, me veio à mente que o Led Zeppelin é uma das melhores bandas do mundo, não só por tudo isso que escrevi, mas por tudo o que ainda não tive como colocar aqui, talvez por ter de desbravar ainda mais essa filosófica maravilha da música desses ingleses. Ah, os ingleses!!!





QUEEN

Como eu disse: Ah, os Ingleses!!! Acho que é o sotaque. Talvez seja o clima. Eu ainda não conheço a Inglaterra, mas tenho a impressão de que aquele lugar vive e transpira refrões. Imagino que em quase toda casa tem um piano e que é de praxe nas festinhas caseiras rolar um som depois do jantar, o povo bêbado de vinho bão, debruçados sobre o sofá, cantando sobre coisas antigas, canções populares, do jeito que eles sabem fazer muito bem. Penso que o inglês é friamente calculado. Talvez seja nesse clima que nasceu o Queen. Tinham a pretensão der ser uma banda que não iriam sair batendo de porta em porta nas gravadoras, mas sim as gravadoras que disputariam a tapas o contrato com eles. Acho que assim foi. Cheios de pompa, um visual estranho até para a época. Eles fizeram os refrões que ecoam na duvidosa história da música mundial. Freddie Mercury é o tipo de cantor que merecia muito bem o título de melhor cantor do mundo. Recentemente vazou na net uma trilha da voz dele cantando alguns clássicos sem a música no fundo. Ele não tinha medo do microfone. Ele era um sem vergonha danado da porra, além de ser um gênio pra lá de impecável. Sua maneira de liderar o palco foi de um jeito que nunca mais vimos. Aquela coisa de fazer um "êêêrô!" e a galera responder. Tem aquela cena do show do Wembley, onde um helicóptero com o logo tipo de A Kind Of Magic circula, filmando a galera correndo de felicidade quando o portão se abre. A arena vai entupindo, lotando, coisa de banda gigante mesmo. Mostra-se atras do palco, Freddie está se alongando no jeitão mais molenga possível, aquele bigode taturana tomando todas as proporções da câmera. Vestido de camisa branca regata, ele pula para dentro do palco, fazendo milhões de pessoas irem ao delírio extremo. Seus delírios, seus berros, seus dentes enormes que quase não cabiam na boca. Então temos Brian May e sua distorção com chorus na introdução de One Man. Mais épico, impossível! Com uma moeda de one dolar , May faz da guitarra coisas que não são possíveis de fazer com uma palheta de verdade. Seu tamanho desengonçado faz parecer que sua Guild vermelha nasceu apenas para ele em suas devidas proporções. Ainda vou provar que foi ele quem ensinou o Iron Maiden a tocar guitarra com aqueles riffs de terças e quintas. Um solo mais lindo que o outro, um wah wah de virar o estômago, de fazer cair de costas. Roger Taylor detonava os tambores de sua Tama. Sempre gostei muito de sua condução no chimbal, muito preciso. Suas viradas quase óbvias serviam o rock and roll numa taça profunda, onde John Deacon se debatia todo com seu preciso contra-baixo, o tipo de baixista que toda banda deve ter, calmo e sereno, dono da mais pura pulsação sonora do magnífico Jazz Bass. O Queen é uma banda de hinos, de fazer amigos se abraçarem ao ouvir We Are The Champions, de cair lágrimas na reprodução de Somebody To Love, de bater palmas em We Will Rock You e Radio Ga Ga, e tudo quanto é música que não tem outra palavra: foda!





THE BEACH BOYS

Mal cheguei aos 31 anos e já me vejo como Didi Mocó contando as mesmas histórias de sempre. No caso dos Beach Boys, acho que já falei o que vou contar inúmeras vezes, mas vamos lá. Fiquei sabendo, não sei quando, que a famosa lista da Rolling Stones gringa (olha as listinhas de novo, e a RS de novo!!! Pablo Myazawa, me chama pra trampar na revista!!!) em que enumeram os melhores álbuns de todos os tempos, Sgt Pepper (Beatles) sempre aparece em primeiro lugar seguido de Pet Sounds (Beach Boys). E eu fiquei com a pulga aqui, quem diabos são esses caras? Fui na extinta CD WAY, uma locadora de CD's aqui em Campinas, onde Thiago Cury trabalhava e formávamos altos papos, pedi o tal do Canções dos Animais e fui pra casa ouvir. Achei estranho em todos os sentidos e devolvi ao Thiago dizendo o seguinte: "Tem que fumar uma vela para entender isso". Só que, por via das dúvidas, gravei o CD (no tempo em que queimadores de CD eram caríssimos) e guardei. Depois fui pra faculdade e conhecia um cara, Ericson Cunha, que manjava de música boa e me disse que os Beach Boys eram do caralho, que Brian Wilson havia lançado um tal de Smile e que eu deveria ouvir. Não sei o que me deu quando topei com o tal do Smile na Saraiva, capa branca, lindo, escrito BRIAN WILSON PRESENTES SMILE, comprei na hora. Cheguei em casa e ouvi. Novamente me veio à mente que eu precisava fumar uma vela para entender o trampo do cara. Mas não era possível! Daí ouvi e ouvi e ouvi até que TCHUM! Bateu! Daí lembrei do Pet Sounds e o revisitei. TCHUM BUM! Bateu! Daí eu corri na CD Way e peguei Smile Smiley e Wild Honey. FLAU! Bateu de novo! Daí eu ouvi tudo deles, e me apaixonei pelos Beach Boys e Brain Wilson. Li tudo o que eu encontrei a respeito deles e comprei DVDs e o caralho. É uma mística sem tamanhos a história de Brian Wilson. Tempos depois me vi novamente na CD Way, papeando com o Thiago, e lá tinha um CD player para ouvir um tiquinho do CD a ser levado pra casa. Uma moça perguntou dos Beach Boys, eu disse imediatamente "ouça Pet Sounds". Ela colocou no aparelho usando fones. Resolveu levar dizendo "é um disco bem romântico". FLOU! Bateu de novo! Mas é claro! Se trata e sempre se tratou do romantismo! O bão e danado do amor. Brian Wilson é um cara que enxerga sua música no ar, como ele mesmo disse. Vê as notas voando em sua frente e as escreve na partitura. Se trata de um loco? Mas é claro que sim!!! Artistas abrem sua mente para um completo de distorcido paradoxo. Seria magnífico, se não enlouquecesse. Duvida? Pesquise a história do fodástico sr. Wilson.





RADIOHEAD

Meu amigo Ramirez tinha (ou tem, eu sei lá... ele vive perdendo as coisas na sua zona) o The Bends, com Fake Plastic Trees, a música do Carlinhos. Aquela capa esquisita do jeito que só o Radiohead consegue ser. Antes mesmo de existir Ok Computer (o álbum que me fisgou de vez). Só que eu não dava a mínima para esse disco e essa banda. Mas eu me lembro que sempre pegava a capa e ficava olhando, olhando... Anos mais tarde fui fazer gastronomia com dois irmão que acabaram virando meus grandes amigos, os Bocchese, e é bem legal quando há gente por perto que ouve coisas que você nunca ouviu: há muito o que aprender. Lucas (um dos irmãos) nos guiava em seu Prisma preto até a cidade de Itu, todos os dias, sempre atrasados. Ele tinha um subwoofer (eu odeio isso, mas a gente estudava a tarde e o grave estúpido que batia no banco traseiro do automóvel ajudava a nos manter acordados depois do almoço) com um som da Sony. Raramente eu levava coisas que eu gostava. Na maioria das vezes eram eles quem levavam tudo. Entre inúmeras coisas que eles ouviam e eu ficava babando, pois os caras têm bom gosto (Rage Agains The Machine, Queens of The Stone Age, Pink Floyd, etc) certo dia eles colocaram o último lançamento do tal Radiohead, que era o In Rainbows. Foi na primeira e eu já virei fã. Simplesmente não acreditava na junção do eletrônico com o Rock And Roll contida em 15 Steps, e a cada música que avançava eu ficava ainda mais surpreso. In Raninbows foi, literalmente, o pote de ouro no fim do arco-íris para mim. A gente ouviu o disco um zilhão de vezes. Depois Lucas me arrumou uma cópia barata do Ok Computer e foi aí que tudo fez o maior sentido. Onde é que eu estava e como foi que vivi sem isso todo esse tempo? Que banda surpreendente! Depois, é claro, cacei tudo dos caras e a coisa só foi melhorando, tirando Pablo Honey, que eu não gostei. E, naquele mesmo ano em que tudo isso aconteceu, o Radiohead resolve vir tocar no Brasil. Nunca vi um show daquele. As luzes, ah meu Deus, as luzes! Os bastões que se iluminavam inteligentemente, acompanhavam cada vibração sonora, as cores vivas e quentes em momentos tensos, as cores frias e leves em momentos delicados e doces, aquele telão na maior resolução de todos os tempos focando a banda e cada pingo de suor, o olhar esquisito e emblemático de cantor nos encarando através da câmera, nos desafiando, com sua voz de anjo. O som daquelas guitarras, algumas vezes robóticas, outras vezes clássicas, mesclando com os racks e periféricos que trouxeram pro palco - o tipo de coisa que nem o Reason eu consigo imaginar como se faz - e cinquenta mil pessoas cantando Creep. Foi o suficiente para saber que o Radiohead acabava de entrar no top 10 da minha vida.





LOS HERMANOS

Tudo que é genial, gera birras. Aqui, no meu caso, os fãs que surgiram das faculdades e o povo mala que teimam em dizer que Camelo e Amarante são as maiores compositores que surgiram nos últimos 15 anos e - o pior - tudo que fizeram depois é parecido ou lembra os Hermanos por se tratar simplesmente de Rock And Roll com notas dissonantes (algo que os Beatles sempre fizeram). Diga-se, de uma vez por todas, que Camelo e Amarante são os melhores compositores conhecidos dos últimos 15 anos. Pois há muito e muitos outros caras por aí, conhecidos ou não. De qualquer modo, os Hermanos inauguraram uma safra de desprendimento econômico da música popular (mesmo que, para tal coisa, eles tiveram que lançar um sucesso estrondoso meramente comercial, temos aí uma perfeita contradição). Hoje gozam do status de celebridades do sub mundo, no mais perfeito estilo "foda-se o que você acha de mim". Camelo lançou dois discos e Amarante acaba de lançar o seu, reforçando cada vez mais que a genialidade dos dois aflora quando estão juntos. O Los Hermanos é do grande caralho. Sou da época em que eles eram uns bostas. Eles vieram numa festa junina aqui do Círculo Militar fazer um show do seu primeiro disco e com um único sucesso - Anna Júlia. Eu não fui, mas alguns chegados foram e voltaram dizendo que LH era uma bosta. Acho que veio daí a teimosia de alguns que realmente não conhecem a banda dizerem que eles são uns bostas (volto a dizer: tudo que é genial gera birras). Daí teve um colega da escola, o Rafael Ploch, que me emprestou o CD deles, dizendo que era bem legal. Ouvi e achei, sim, bem legal. Mas não saiu disso. Nessa época não existia O Bar do Zé, na Unicamp ninguém falava do LH, não havia Orkut e muito menos Facebook. Não existia banda cover dos caras e ninguém, absolutamente ninguém, pedia Los Hermanos numa rodinha de violão. Tenha Dó, Quem Sabe, Pierrot, essas coisas ae... Eu e mais uns 200 caras apenas ouvia isso e achava legal, ok. Foi quando, justamente nesse mar de "ah, beleza, a banda é bacana" que eles apareceram com Todo Carnaval Tem Seu Fim na Mtv, pegando carona no sucesso de Anna Júlia (caso contrário nunca conseguiriam entrar no canal com uma música dessas). Fiquei atordoado no que diz respeito à dúvida. Como é que uma banda que fazia aquele hard core de letras frouxas e melosas (mas até que bacanas) passou a dizer algo do tipo "toda rosa é rosa porque assim ela é chamada, toda bossa é nova e você não liga se é usada"? Corri no camelô para comprar o tal do Bloco do eu Sozinho. É claro que tinha no camelô, pois eles eram bem comercias, lembra? Além do mais, eu não quis arriscar minha grana e comprar um disco que eu não saberia se iria gostar. Napster e essas coisas eram complicadas na época. Corri pra casa e coloquei o tal disco pra ouvir. Quando chegou em A Flor, o mundo virou. Sentado no tapete de casa, sem meus pais por perto, eu entrava em mundos maravilhosos com a audição desse disco sem palavras, sem medidas. Retrato pra Ia Ia só firmou a pilastra da condição de fã. E assim foi. Logo eles soltaram o Ventura, o 4, e eles viraram o que hoje dizem ser a maior banda do país. Concordo, em partes, mas concordo. Eles são incríveis e um show do Los Hermanos, se você, como eu, conhece todas as canções deles, é garantia de felicidade infinita em coisa de duas horas.





OITO MÃOS

Eu poderia estar roubando, matando ou fugindo da minha própria vida, do meu próprio ego. Eu poderia escrever infinitamente sobre essa banda aqui. Mas vamos por partes, pois esta é a minha banda. Num primeiro momento, vamos falar como fã. Sou fã das músicas, antes mesmo de ser minha banda. Vejo Cores nas Coisas e Aliás carregam uma sagaz busca pela história completa da humanidade - o que gostamos de chamar de maior que a vida. Não consigo falar da Oito Mãos sem me incluir na coisa toda. Eu poderia estar me escondendo, metendo o pau em tudo quanto é trabalho sem dar a própria cara pra bater (como fazem muitos, muito, muitos, por aí!). Eu poderia me fechar na minha casa e guardar as minhas canções no meu HD. Eu poderia desistir por conta de tanta briga, tanto rancor e ódio que isso tudo causa. Poderíamos, talvez, nunca ter nascido e ter ido adiante. A vida é perfeita e nunca vou duvidar disso. Acho que somos isso ae porque nos levamos muito a sério, talvez por isso tomamos uns capotes - como um lindo show para ciclistas que fizemos e ninguém deu o menor ouvido à nossa linda canção. A gente sobe no palco e algo negativo acontece, quase sempre. Não sei explicar o quê. Seria a ansiedade? Seria o lema contrário dos 3 mosqueteiros? Cada um por si e o resto que se foda? Confesso que isso ocorre muitas vezes, inúmeras vezes, nos shows. Mas tem momentos - raros, diga-se de passagem - que a banda consegue juntar cada mão em uma coisa só. Daí quem está vendo simplesmente cai de queixo. Poucos entendem, poucos comentam. O povo quer novidade, quer gringo cantando na esquina. O povo quer ver o cover do Los Hermanos cada vez mais. O povo está quase burro. Não que nós sejamos a salvação do rock. Somos nada! Mas nós somos de verdade, nós somos reais. Quando você nos ouve no CD, você pode seguir a mente de cada um de nós, como se nós nos abríssemos num mapa de cada alma envolvida no processo todo. Dá um trabalho do cão criar um disco da Oito Mãos. Daí quando vê a banda na tua frente - é claro, se você estiver ligado e entender - você nunca mais vai esquecer e com certeza entraremos na sua lista de top 10 das bandas da sua vida. Você, fã de internet, faça um esforço e vá nos ver ao vivo. Somos incríveis.






PINK FLOYD

Talvez o som do Floyd se pareça cada vez mais com um sonho. Uma fumaça densa que não vai embora. O lado escuro das coisas, aquilo que a gente sabe que está lá mas não vê. Seria uma ilusão? Pink Floyd, até que se argumente no nível técnico da criação (coisa de artista louco) é puramente simples. Quase todas as canções estão em 4/4, carregadas de um bbm lento. A ponta da montanha na carreira do Floyd é , sem a menor sombra de dúvidas, a santíssima trindade - Dark Side of The Moon, Wish You Where Here e Animals - e o que vem antes e depois são os anjos e toda a humanidade. Embora o conceito impregnado em The Wall seja de avacalhar qualquer tentativa do mesmo nos dias de hoje, pelos artistas de hoje - a começar por mim no meu subestimado SOL. Mais uma vez os Ingleses e a sua capacidade ímpar de encarar as coisas - uma seriedade quase cômica, ou uma comédia quase séria. A música do Floyd não é apenas música, é história lapidada, você pode tocar as densas camadas produzidas pela grandiosa pretensão humana. O vinil era pequeno - ou as canções eram enormes - e suas capas absolutamente sem sentido, me disseram  que a música não deveria ter sentido algum. Ou sei lá, talvez exatamente o contrário. A loucura breve no primeiro disco, vinda de Syd Barrett, o fundador, o cara que não participou da verdadeira farra, apenas viu de longe e eu duvido que deu a mínima - era louco, oras bolas! O tapa buraco David Gilmour - foi dada a ele a função de fazer as guitarras de Syd - rapidamente se mostrou um componente único, uma chave em todo o motor da banda, enquanto a liga de tudo isso chamada Roger Waters resolvia a matemática da música certeira, errando e acertando, assinando a criação das canções. Nos vemos no meio de uma paisagem - a calmaria sombria da música do Floyd. O sorriso tímido de Richard Wright, sempre absurdamente perfeito, na sua característica do acorde certo na hora certa, aquele integrante que pouca gente percebe que está no palco. Toda a desenvoltura da nota certa e do desenho perfeito de Nick Mason.  Uma explosão, eram especialistas! Seus discos começavam no total silêncio e terminavam na explosão cósmica do orgasmo auditivo. Quer dizer, ainda começam e terminam desse jeito, está tudo documentado, na net, nos sebos, nos shows e nas histórias.





GUNS AND ROSES

Foi a primeira banda que me despertou para a condição de fã. Em 1990 eu tinha oito anos. Embora o primeiro disco do Guns seja de 1987 - me lembro parcialmente de Sweet Child O'Mine tocar sem parar nas rádios de todos os lugares em que eu estava presente - foi apenas quando me mudei para o prédio em Niterói que fomos introduzidos ao maravilhoso universo da tietagem. Era o que todo mundo ouvia, toda a molecada do prédio, em especial um querido amigo dessa infância, Paulo Vidal Bussad, que nos levava a seu apartamento e ficávamos ouvindo Appetite For Destruction infinitamente, imitando cada movimento de Axl Rose - eu acabei ficando com o teatro de imitar Slash. Eu lembro que foi uma época muito gostosa. Graças a Deus, eu apenas me lembro das épocas boas da minha vida. As ruins eu tendo a esquecer. De qualquer modo, nós vivíamos o sonho da maior banda do planeta. Alguns falavam do Skid Row, outros do Aerosmith, e outros do Nirvana e do Iron Maiden. Mas eu só queria saber do Guns. Colocava a vitrola no talo e ficava imitando incansavelmente os integrantes dessa banda. A parede do meu quarto era forrada com pôsters da banda. O símbolo das armas envolvidas em rosas eram meu talismã. Eles eram a banda do momento e eu seguia cada passo dos caras - não havia internet. Certa vez alguém jogou fora um monte de revista Bizz com o Guns na capa. Eu já sabia ler e caçava todas as informações (a maioria inútil, como por exemplo a cerveja preferida de Axl). Quando vieram ao Rock In Rio, acho que um simples olhar de meu pai foi o suficiente para me dizer que eu não ia. Não chorei nem fiz birra. Acho que entendi que eu era novo demais pra essas coisas. Poxa, ele poderia ter me levado... Tudo bem. Daí certo dia houve nova correria: O Exterminador do Futuro 2 apareceu no cinema com a trilha de uma música nova do Guns, onde o clipe acabou estreando no Fantástico. Naquele tempo a gente colocava a fita pronta pra gravar no VHS. "Paaaaaai, não vai perder hein! Grava, por favor!". Nunca vou me esquecer dessa cena. Ele vendo outro canal qualquer e eu cuidando da programação do Fantástico da TV do meu quarto. Na hora que anunciaram, eu berrei "vai pai, vai começar!!!". Acho que estragamos aquela fita de tanto que a vimos depois. Ou não, as coisas eram feitas para durar pra sempre. Acho que a perdi. Perceba como o You Tube, ao mesmo tempo que é genial, fez perder a magia de algumas coisas. Em seguida eles lançaram o impressionante Use Your Ullusion, dois discos duplos. Fizeram uma turnê mundial e nada mais importava no mundo, apenas o Guns. Num dos meus aniversários meu pai me deu o Use Your Illusion 2 e o Appetite (a gente gravava tudo dos outros, dava um jeito de piratear, mas pra ganhar um disco mesmo, tinha que ser merecido). Depois dei um jeito de pegar emprestado Use 1 e não sabia dizer qual deles era meu preferido. Os anos se passaram e muita coisa mudou. Fui bombardado de novas emoções, novos refrões, novos timbres de guitarra. Mas até hoje, quando coloco um disco do Guns para ouvir, a sensação é a mesma: que banda incrível!!! Vibro, canto e faço air guitar e air drums para cada virgula de qualquer um dos discos deles (menos o do espaguete, leia um outro texto aqui sobre artistas incríveis e seus piores discos). Assim foi até chegar 1996, quando a Mtv anunciava a resposta britânica para o hard rock americano. Surgia em meus olhos Dont Look Back in Anger, do Oasis.





OASIS

Se o Guns foi a banda da minha infância, o Oasis foi a banda da minha adolescência. E é muito bom aquela sensação de todos odiarem aquilo que você ama, parece que sobra mais pra você, ou dá aquele sentimento "é, todo mundo é burro". É claro que as pessoas não são burras e é bem mais certo de que o burro seja eu. Meu irmão, por exemplo, não suporta ouvir a voz de Liam Gallagher. Era foda-se no talo, no volume 11.  What's The Story Morning Glory foi o primeiro CD (a nova geração de mídia) que tive. Cheguei em casa e coloquei diretamente na música 4. A vida fazia sentido. Eu nem lembrava mais do Guns nesse momento. Esse CD foi comigo pra baixo e pra cima, para todos os lados. Pipocava clipe dos caras - Wonderwall, Don't Look Back, Morning Glory, Champagne Supernova... Consegui - não me lembro como -  VHS do show que eles nunca mais fizeram igual, o There and Them, e conheci canções como Live Forever, Supersonic, Acquiesce, Round Are Away, The Masterplan... Eu sei que eles são uns bostas de músicos... Mas quem não é? Malabarismo, no rock and roll, é muito babaca. Por falar em babaca, a arrogância teatral dos irmãos Gallagher é de foder a parada toda, animal... Sempre animal! E foram eles que fizeram a coisa da música maior que a vida, quando nos doaram ao mundo o impecável Be Here Know, explodindo de vez, ofuscando bandas antigas, seu brilho seco das guitarras Epiphones distorcidas no Marshall, no talo, e os melhores refrões do mundo. Uma banda nascida nos anos 90 lotando estádios na Inglaterra e meu sonho era estar ali no meio. Oasis se define pelos 3 primeiros discos, embora os últimos discos sejam incríveis - diferentes do que os mad fer it chamam de Oasis tradicional, com Bonehead na guitarra, Paul McGuigan no baixo e Alan White na bateria. Mas eu nunca fui de querer parecer um britânico mal encarado ou coisa do tipo. Gosto da música do Oasis, e só. Acho ridículo esses fãs que se acham os próprios caras, que metem o pau e odeiam qualquer outro artista ou trabalho, os famosos haters, e que só sabem tocar Wonderwall no violão. Rs... Isso não foi um recado pra ninguém, mas é a realidade de muitos haters, chatos pra caralho. Converso de igual pra igual com eles, mas não faço parte disso. Falando em haters, muita gente odeia o Oasis. Confesso que entendo o ponto de vista desse povo. É um conceito estabelecido na ponta do iceberg. Do rock clássico dos 3 primeiros discos ao psicodelismo de Dig Out Your Soul, Oasis é uma banda que pra sempre estará nas minhas prateleiras.






THE BEATLES

A coisa é simples: eu sou apaixonado pelos Beatles. É um caso de amor que eu não sei como nasceu e ficou em mim. A maior banda do mundo é tão avassaladora que qualquer discussão sobre essa coisa de maior ou menor morre com a simples menção dos Fab. Contra eles não há argumentos. Você pode até falar do Dylan ou Elvis, mas eles eram solos. The Beatles revolucionou o modo de enxergar e fazer música pop. Eles deixaram os velhos da época enfurecidos com a novidade do yeah yeah yeah. Aqui no Brasil o povo que fazia bossa nova se emputeceu com a avalanche dos queridinhos de Liverpool. Mas, o que fazer? O mundo era um lugar quase virgem para esse tipo de música, a música em si como a conhecemos hoje. Não há como meter o dedo na história e achar falhas - a vida é perfeita. Depois dos Beatles tivemos conhecimento de tudo o que é absoluto no rock and roll. Há inúmeros textos meus sobre os Beatles, há um número infinito de coisas sobre eles espalhado no mundo, a única banda propagada aos quatro cantos do universo. Sei, evidentemente, que há outros tipos de música no mundo. Mas se falando de pop, eles são absolutos. John, George, Ringo e Paul. Liverpool foi um lugar abençoado, um berço reservado para quatro caras se encontrarem. A rota da vida absoluta, o momento exato, as primeiras canções. São inúmeros sucessos que remetem a tempos maravilhosos, não apenas os anos 60, mas os tempos de hoje e de tudo o que a música representa, como da primeira vez que ouvi Shes Leaving Home - chorei sem entender a razão. Ou quando ouvi All You Need is Love - senti o amor que a música proporciona. Ou quando ouvi Hello Godbye - minha alma foi elevada. E, meu Deus, quando ouvi She Loves You- a melhor música do mundo. Não se trata de um clichê, se trata da origem. E tudo isso apenas se confirmou com os shows do Paul aqui no Brasil, um beatle vivo e cheio de energia, apenas UM, derrubando os lugares por onde passou, para aquele povo realmente ligado e que saca das coisas, gente de 12 anos a 60, do colado na grade ao último lá no fundo na arquibancada onde a sua situação financeira pôde comprar, todos cantando e chorando. Me pergunto: o que é essa coisa da Música? Teimo em pensar que é um presente de Deus. Uma benção, a verdadeira benção. A comunicação que quebra barreiras e limites, une gente em comum e põe tantos outros para pensar, debater e muitas vezes brigar. Porque será que a gente defende com unhas e dentes a banda da nossa vida? Nossa vida é moldada pelos refrões, pelos acodes, pela métrica, pela mensagem. Nós temos a capacidade de amar aquilo que esses meros seres humanos conseguem criar. Vejo, na criação da música, o toque mágico que todos nós tanto procuramos no dia a dia e nos deixamos cegar pelo consumo. Nós criamos a ponto de achar, por muitas vezes, que da criação virá a nossa chance do consumo. Será mesmo que precisamos de muito mais do que a Terra e o ser humano pode nos dar? A arte é um brinde, uma eterna felicidade. E, fazer o que, esses artistas geniais ficam ricos, eu sei! É uma contradição e o mundo está cheio de contradições, inclusive os artistas que tanto amamos. Perceba o quanto eu usei a palavra amor. É disso que se trata. É disso que sempre se tratará. Com grana ou não. Os verdadeiros artistas fazem, criam, produzem, por amor. E é disso que nós precisamos.


Que seu ano de 2014 seja muito legal. Sim, legal, porque maravilhoso nós nunca saberemos. A vida é recheada de prós e contras e ultimamente ouço muito falar de equilíbrio. Que teus erros te façam crescer. Que teus acertos te façam uma pessoa centrada. Nunca deixe achar que o jogo já está ganho. No Natal e no Ano-Novo - ouça muita música! E nunca deixe de visitar as bandas e artistas que fizeram e fazem a sua vida. Pois é disso que se trata, A VIDA, e não apenas de um aninho qualquer que passou.

Paz.