Sobre a vida, que consiste em música, filmes, viagens e neuras - tudo misturado.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Mr. Trip
The Beatles - Magical Mystery Tour - 1967
Essa é coisa desse disco - os Fab te chamam para uma viagem sem compromisso. Após Sgt. Pepper, Paul vem mais uma vez com suas alucinantes trips e pega o volante da banda. John está completamente entregue ao vício de Heroína e LCD, um tanto distante das atividades profissionais que lhe eram forçadas como um beatle. Mesmo assim, ele vem com a filosófica I Am The Warlus, onde os efeitos do LCD são, mais uma vez, usados como fonte de inspiração - "Eu sou você, você está aqui e somos todos a mesma coisa, jutos" (ou algo desse tipo). Anos depois, Jim Carrey interpreta com maestria essa canção num disco de George Martin chamado In My Life (poderia ter criado um nome melhor, mas essa não é a praia de Martin). O curioso é que Magical Mystery Tour não foi concebido para ser um disco em si, mas sim a trilha sonora do filme homônimo, que na época, por ter sido lançado em preto e branco, não fez muito sentido e a crítica caiu de pau, pela primeira vez, num trabalho dos Beatles. "Eles foram longe demais, quem pensam que são?".
Nessa época (até um tanto antes) Paul McCartney tinha todas as portas de Londres abertas para si. Sua casa era frequentada por tudo quanto é tipo de figura, desde artistas plásticos a escritores de uma era que ficou conhecida como beat. Claro, todos devidamente fornecidos de haxixe. Ou seja, além das portas estarem abertas, ele abria a sua casa para muita gente. Linda disse que, quando entrou em sua casa pela primeira vez, era um verdadeiro canto sujo de um solteirão - na geladeira, apenas um pedaço duro de queijo velho e um litro de leite podre. Mas era no salão de música que a mágica acontecia. Paul havia pedido para um sujeito pintar seu piano de armário, e a pintura pode ser vista até hoje nas turnês de Paul, aquele arco-íris psicodélico.
Nessa mesma sala de música John Lennon podia ser visto pelas pessoas que circulavam aquele verdadeiro cortiço. John e Paul apresentavam as canções um para o outro, e eles a avaliavam e faziam ajustes, dando palpites de letras, harmonias e outras partes. A mesma coisa acontecia na casa de John quado Paul dava um pulo por lá - John era um cara casado, recluído e meio puto por não aproveitar a vida como o boêmio Paul o fazia.
A música tema que abre o disco foi composta por Paul, num gráfico esférico e maluco - uma mania que Paul tinha de desenhar suas coisas e que aparentava fazer sentido apenas a ele, coisa de maconheiro. O mesmo tipo de gráfico pôde ser visto no encarte de Press to Play, de Paul. "Abram alas para a mágica e misteriosa turnê", diz a primeira frase do disco. Com um filme em mente, o disco foi se desvinculando da coisa do áudio, dando ênfase ao visual. Sem perceberem, eles fizeram um dos melhores discos da carreira dos fab.
Por exemplo - The Fool On The Hill foi criada com o propósito de se fazer tomadas nas montanhas, mas nem parece... É mais uma canção tocante de Paul, composta no piano psicodélico. Ler a biografia me deu informações inesquecíveis... Claro que é mais do mesmo, mas a forma com que as coisas são contadas é o diferencial da informação. Flying é da tomada aérea, aquela que tanto foi xingada, pois em PB as montanhas vistas de cima não fizeram o menor sentido. O busão fora encomendado pelos Beatles - que, aquela altura, conseguiam absolutamente o que queriam... eles batiam o pé, principalmente Paul, que dizia "ora, veja bem...somos os Beatles meu caro", falava isso para o presidente da EMI quando esse achava as exigências um tanto excêntricas. O busão ficou lindo de foda. Todo amarelo com o logo do disco gigante na lateral. Coisa dos anos 60...
Como sempre, George Harrison sempre fez a diferença. Desde Don't Bother Me, ele sempre vinha na contra mão do que Lennon e McCartney faziam. Isso é natural, cada um tem seu CPF. Blue Jay Way é de um desespero sem precedentes, uma levada arrastada, uma jeito tão peculiar de cantar, com todo aquele efeito na voz. Até aí o disco se mostra, de fato, muito mais despretensioso do que tudo que haviam feito. Sgt Pepper já havia engordado as contas bancárias por umas três gerações de cada um. O foda-se é intuitivo. Aí vem Your Mother Should Know e é preciso lembrar que o baixo do Paul é fora do normal. Parece que o Rickanbacker foi feito para ele tocar, e só. Uma das coisas mais lindas foi ouvir essa canção em si remasterizada. Não estou falando dos craqueados para o You Tube (isso perde o sentido) mas os Cds em si. FODA. E o lado A se encerra com I Am The Warlus, com John aparecendo pela primeira vez no disco, como se estivesse dormindo e distante, daí ele acorda, sacode a poeria e fala "ok caras, vamos por essa porra para foder".
O lado B é simplesmente um emaranhado de sobras. Como eu disse, Magical Mystery Tour não foi criado para ser um disco em si... Só que, cara, as sobras são nada mais nada menos que Hello, Goodbye (Paul); Strawberry Fields Forever (John); Penny Lane (Paul); Baby You're a Rich Man (Paul e John) e All You Need Is Love (John) - isso mostra a guerra sadia que havia entre os dois. Qual era o melhor? Complicado. Não preciso dizer mais nada. Um disco esquecido por muitos, falado por poucos. Há aqueles que dizem se tratar do melhor disco dos Beatles. Logo após, eles levam a brincadeira "mais a séria" e gravam o álbum branco, mas isso é papo para outro post. nível fodástico: TODAS, é claro.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Double Fantasy - 1980
Certa vez eu tentei escrever um texto para o "Museu de Grandes Novidades" sobre esse disco. O resultado foi sofrível, pois eu fiquei perdido. O texto foi engavetado e nunca mais falei de John Winston Lennon. Um dia irei ler uma das inúmeras biografias desse cara para poder entender um pouco o que foi a sua vida, pois o que sei foi o que o Paul disse na sua biografia, Many Years From Now. Olhando para fotos de John no buscador da Google, muita coisa se passa na minha cabeça. Um cara que foi ceifado de um futuro brilhante. Eu sempre penso no que seria sua vida se ainda estivesse vivo. Muitos o endeusam e muitos o comparam com Paul. Eu, particularmente, acho isso uma grande merda. É praticamente impossível comparar Paul a John, e minha discussão termina no seguinte: A única diferença entre Paul e John é que o John foi assassinado e não teve como dar continuidade a sua música. Outros dizem que, de qualquer modo, a discografia de John no início da carreira solo é muito superior com a de Paul - isso é outra coisa que discordo profundamente, pois além de ser uma comparação ridícula, comparar Plastic Ono Band e Imagine com RAM e Wild Life (McCartney não conta, pois foi gravado numa época em que os Beatles ainda existiam legalmente) é algo insuportavelmente impossível. Mas se você voltar na carreia de Lennon/McCartney, apesar de, de fato, as canções serem sempre desenvolvidas pelos dois, há o lado singular de cada compositor. Dizer, por exemplo, que Strawberry Fields Forever é melhor que Penny Lane (ambos saíram em compacto lado A lado B como antecessor de Sgt Pepper) é tarefa que nem George Martin consegue resolver.
Para eleger o melhor disco de John - ou, melhor dizendo, o disco para resultar em texto aqui nesse blog - foi preciso muito esforço e sentimento. A fumaça que paira sobre meu notebook (se é que você me entende) ainda me ajuda a encontrar soluções para esses grandes mistérios mitológicos musicais na minha pequena mente de amante do ato de se expressar. Sei lá quem é que lê isso aqui. Se é que leem... Vendo as estatísticas do blog, percebo que gringos andaram acessando, principalmente os posts "Os melhores filmes de Terror" e "Os melhores filmes de Porrada". É claro que eles não estão me lendo, eles estão vendo as fotos que publiquei, que também foram chupinhadas do Google. A coisa é grande. Seria interessante traduzir esses textos para o inglês? Quem sabe... se tiver alguém aí para me ajudar nisso, não confio na ferramente do Google.
Mas também não confio no meu julgamento em dizer que Double Fantasy é o meu disco preferido de John. E, de qualquer modo, vou tentar me explicar o porque dessa afirmação. Double Fantasy é isento dos sentimentos angustiantes de John. É o último disco. Voltando na minha nóia de comparações, é o Abbey Road do John. Aqui John não tenta mandar recados a ninguém (pelo menos explicitamente). Ele não se lamenta pelas coisas horríveis que viveu, como se apenas ele passasse por coisas horrorosas na vida. Ele não lamenta a morte de sua mãe, o abandono de seu pai. Ele não esnoba Paul McCartney nem os Beatles e nem a Jesus Cristo. Ele não deixa claro o seu pensamento raivoso sobre certas coisas do mundo. Ele, de fato, sente a paz que ele tanto disse que deveríamos dar uma chance para ser estabelecida. Yoko carrega a responsabilidade de ser a mulher mais odiada no mundo. Em outras palavras, Double Fantasy é perfeito.
Depois de cinco anos cuidando de seu filho Sean, John vai pro estúdio e trabalha no disco. Gravado em NY, o disco é acompanhado por uma banda de primeira. E as composições vão direto ao coração, sem passar por toda o filtro beatlemaníaco. É um disco feliz, um louvor ao amor. O amor, o velho amor, que John tanto soube falar no início da carreira, é o norte de seu recado. Just Like Starting Over é o recomeço disso tudo, de sua nova vida, de sua nova forma de agir, um homem de 40 anos percebendo que a vida não é nada além de estar vivo e ter seu filho e sua esposa por perto, completando, dando sentido. Um amigo meu disse esses dias que ter filhos é dar um novo significado a vida. O vanguardismo de Yoko Ono é tratado com respeito. O melhor da música de Yoko está nesse disco. Beautiful Boy fez até Paul McCartney chorar, tamanha era a capacidade de John em expressar em música os seus sentimentos. Woman é um clássico, um brilho, uma pintura, gol na final do campeonato, notícia boa depois de um péssimo dia, filme foda que pegou de surpresa, livro com final surpreendente, sorriso da mocinha, filé com molho madeira... É uma canção de arrepiar os poros, de querer ouvir sem parar. A frase "Eu te amo" nunca foi tão bem cantada até John escrever essa canção, que coloca um ponto final sobre os limites do amor. John e Yoko foram o casal mais esculachado de todos os tempos. Ninguém entendia o que ele via na japonesa. Ele tentou dizer, opa se tentou. Em Oh My Love (de Imagine) ele disse que o amor tirou o véu e ele via tudo mais claro e mais lindo. Em Mind Games, ele disse que o amor é a resposta. Sempre enigmático, sempre o melhor crítico e interpretador de seu trabalho, John Lennon fez de Double Fantasy a sua grande despedida, como se soubesse que seu fim estava próximo. O mundo nunca mais foi o mesmo sem John Lennon, e percebo que a pessoa que mais sente sua falta é Yoko e Paul McCartney. Vendo Paul tocar Here Today ao vivo, você entra no universo único desses homens, ali, no meio da multidão, você, por alguns minutos, saca qual era a relação deles. O artista se expõe demais e algumas vezes essa exposição pode ser fatal.
John Lennon, o grande. nível fodástico: TODAS.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
The Dark Side Of The Moon - Pink Floyd, 1973
O meu relacionamento com o Pink Floyd é uma coisa perturbadora. Na minha mente, eles foram os únicos que enfrentaram os Beatles. Não que um fosse melhor que o outro. Quer dizer, estou mentindo. Os Beach Boys foram os que mexeram nas estruturas da razão musical pós Beatles. Só que os Beach Boys têm aquela coisa das vozes, Califórnia, Surf Music, etc...; e depois vieram com a própria revolução com Pet Sounds e Smile. O Pink Floyd é uma banda que dá-se a impressão de que não beberam em fonte alguma, criaram o seu próprio curso das águas. Desde então há um ranking suspenso em minha mente quanto a esses ramos artísticos muscais: The Beatles, Brian Wilson e Pink Floyd... aí vem o Oasis, Guns n' Roses e Radiohead... esse é meu top 6.
Mas como se faz uma música? Numa matéria da revista Rolling Stones, intitulada "A Maldição do Pink Floyd" (aff), David Gilmour começa a entrevista dedilhando seu Martin e passa a cantarolar qualquer coisa - "Foi assim que nasceu Wish You Where Here, num momento desses". Como pode ver, meu caro leitor, não existe um laboratório com válvulas pegando fogo, um cara vestido de branco manchado de carvão, bolhas de sabão multicoloridas voando e explodindo alegremente ao ar, tubos de ensaio. Não existe horário de trabalho, força da razão, pensamento coletivo ou coisa parecida que não faz porra de sentido algum. As mensagens estão circulando a cima de nós, numa correnteza cósmica que sabe-se lá de onde vem. Eu digo isso porque me familiarizei com o que disse Gilmour sobre dedilhar e brincar, e do nada a coisa vem, toda, começo meio e fim. Hey Jude nasceu em um sonho - UM SONHO!
Enxergo o compositor como um mensageiro. É um puta dum clichê, eu sei. Mas é verdade. Nessas horas a coisa da psicografia faz muito sentido. Quando faço minhas músicas, eu costumo dizer que não fui eu quem fez, mas que foi enviado de alguma dimensão pra lá de foda. Não é questão de fama, não é questão de ser bom ou não. Esses caras que tanto vangloriamos estavam no momento certo, na hora exata e com a mente completamente receptora de tais vibrações cósmicas, e há a passagem do cósmico para o material. Esse material é gravado e prensado. É distribuído. Por mais que você possa ser um defensor da arte alternativa e independente, não pode negar que um disco que vendeu zilhões de cópias e que continua vendendo - um disco que todos os dias alguma pessoa ouve no mundo - mesmo que você seja um socialista mala que esnoba o dinheiro e os mais afortunados, você não pode negar que The Dark Side Of The Moon, apesar de toda a merda por trás de sua história - é um diamante negro.
Não conheço Roger Waters. Nem ao menos já sonhei em entrevistá-lo. O que posso afirmar, com tamanha certeza, é que ele não é um ser humano perfeito. David Gilmour também não. Waters é cheio de marra, do tipo pior que John Lennon, um verdadeiro britânico que despreza qualquer um que não reconheça a sua genialidade. Um cara de pouco talento, e foi aí que percebi que não é preciso talento para ser gênio. Na mesma matéria citada, ele diz que toda a banda fazia um esforço imenso para dizer a ele que era um cantor desafinado e que não sabia ao menos afinar o contra-baixo. Ele disse que isso era uma grande besteira. A banda não queria aceitar que ele era o grande mentor da captação cósmica. Além do mais - e foi a única coisa que li nessa matéria que valeu a pena - Roger disse que até podeira ser um mal cantor, mas compensava cantando com sentimento e caráter.
Caráter não se compra, não se vende, não se acha. Você nasce com um e ele se torna verdadeiro quando seu ideais são colocados a prova. Perde-se de tudo pelo tal do caráter. Mas cantar com caráter é algo espantoso. Roger fazia assim mesmo. Nas raras vezes que sua voz aparece em Dark Side, fica claro o seu caráter, trazendo toda a experiência letrística á tona.
David Gilmour, coitado, ao meu ver - na verdade nunca saberemos o que aconteceu, pois eles falam, falam e falam e não dizem porra nenhuma - é o grande músico, que caminha entre a técnica e o sentimento, onde eu acho que o sentimento fala bem mais alto. O tipo de guitarrista que toca como se escrevesse uma história, como se estivesse num filme. Da mesma forma que Roger captava as palavras e o enredo no cósmo, Gilmour fazia a mesma coisa com a guitarra. Mas também não é um ser humano perfeito.
A dupla se desfez por causa do Ego. Um não suporta a genialidade do outro. Os dois estão sempre em processo de pé de guerra, dois caras muito competitivos. O Pink Floyd, apesar de toda o furacão egocêntrico, ainda resistiu e nos brindou com grandes clássicos que perpetuaram na história da música.
A escuridão é a ausência de luz. Na verdade, como diz o guardinha do Abbey Road no final do disco, "não existe o lado escuro da lua. Ela é toda escura, é o Sol que a faz brilhar" A música de Dark Side é escura, sua base é escura, é incerta, é cega. Um disco que assusta e que perturba. Momentos de loucura, da total falta da razão. Gritos, risadas, como se demônios estivessem prestes a levá-lo para o tal lado escuro da realidade mental. Estar vivo, estar morto, estar lá e cá. A incompreensível força do tempo, o tempo invisível, sem sentido, que passa e bate na tua cara que já era, já foi, não há o que se possa fazer. A vida que machuca, destrói. A vida que caminha para a luz, lá longe, impressionantemente nos solos de guitarra de David Gilmour, nos tempos da bateria de Nick Mason, na harmonia dos teclados de Richard Wright, nas palavras perturbadoras de Roger Waters. A luz vem chegando e aos poucos vai afastando o frio do escuro. O escuro não mais existe, ele fica lá no lado da Lua que ninguém mais vê. A vida faz sentido em tudo que fazemos, em tudo que tocamos, vemos, provamos, sentimos, amamos, odiamos, confiamos, salvamos, comemos, todos que conhecemos, todos que brigamos, tudo que é agora, que já foi, tudo ao mesmo tempo, e tudo está em total harmonia com a luz, no Sol, mas o Sol está sendo eclipsado pela Lua.
Como eu disse, esse disco é um diamante negro. nível fodástico: TODAS.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os discos que ouvi de Paul McCartney
Não consigo parar de falar do Paul McCartney. Faz parte da eternidade que o cara está prestes a entrar - assim que ele morrer, todos com o pre conceito Lennongístico verão o quão impressionante esse cara é. Aqui vai mais uma rasgada de ceda para o maior artista musical vivo, quanto aos discos dele que já ouvi (mas ouvi mesmo, a ponto de conhecê-los de cabo a rabo) porque as pessoas têm mania de ter passado a cara na capa, apertar o play uma (UMA) vez na vida e dizer que já ouviu... Não, você não ouviu.
Aqui vai uma espécie de nível fodastico, que será meu palpite para os destaques - e tal canção, etc... quado o disco tiver "Todas", é porque ele é clássico insuperável pelos deuses da música, e os discos que tiverem as canções citadas, significa que ele já vale a pena toda a audição por ter essas tais canções.
Você pode estar pensando "mas o cara é fã de Beatles e não ouviu tudo do Paul ainda?" - é claro que não... Pra que a pressa? Quanto mais eu puder adiar o cumprimento total do catálogo, sempre haverá a surpresa, e a vida vai fazendo sentido...
McCartney - 1970. Paul estava puto porque a gravadora que ele mesmo fundou com seus amigos estava empatando o lançamento desse disco, pois Get Back estava para ser liberado pela incorporação APPLE. De um modo ou de outro, ele conseguiu lançar quase na mesma data que Let It Be (o nome que acabou sendo vinculado ao último disco dos Fab). Sendo que Abbey Road era o grande final da maior banda de todos os tempos, é natural que um disco solo de Paul estaria nas grandes expectativas do público - que é o verdadeiro termômetro do sucesso desses artistas. Paul simplificou as coisas, do mesmo modo que ele queria ditar nos Beatles no fim da banda. O curioso é justamente a grande expectativa. Paul parece ter mandado todo mundo a merda. Esse foi o seu exagero, mandar um belo foda-se para todos, para os amigos, para os fãs, para a gravadora, para o mundo, se importando apenas com sua vida e sua Lovely Linda. nível fodástico - That Will Be Something, Every Night, Man We Was Lonely, Mabe I'm Amazed.
Wild Life - 1971 - Aqui é fundado o Wings, com o brilhante Denny Laine em uma das guitarras. A maconha é fatalmente o elemento que faz a máquina andar a todo o vapor. O mundo não teve tempo de pensar muito, pois além de Paul ter lançado RAM, George e John haviam lançado os incontestáveis All Things Must Pass (é preciso um post a parte para falar desse disco) e o Plastic Ono Band. Wild Life é o Revolver do Rubber Soul, no que se entende que os dois discos se completam, é assim com esse disco e o RAM. Parece disco um, disco dois. Tomorrow é uma faixa assustadoramente real, palpável, injetável na alma, viciante. Faz bem aos sentidos. Sentar e colocar a agulha da vitrola para raspar nessa faixa é como se o mundo fizesse sentido por alguns minutos. nível fodástico: TODAS.
Quando eu estava procurando um disco do Paul que eu nunca havia ouvido ainda, um tiozinho do sebo me falou desse disco, dizendo que era um dos preferidos dele. Eu, com minha mania perturbadora de subestimar o gosto dos outros, olhei para ele meio que surpreso, peguei a capa, dei uma boa olhada, olhei as músicas... "Hmmm, ok, Here Today é linda, Tug Of War tem aquela porrada e aquele acorde menor maravilhoso... Ebony and Ivory? Ah, é produzido pelo George Matin? Vou levar". E não é que a mão de Martin pesa mesmo? A sonoridade muda completamente. O timbre das baterias de Ringo Star e Steve Gad (esse, na minha opinião, um dos melhores bateristas do mundo) soam, ao mesmo tempo, clássico e contemporâneo. A soma pra lá de animal nos talentos de Paul e Steve Wonder, não apenas em Ebony and Ivory (que muitos metidinhos a odiar a música pop ou a música óbvia ou a música do povão adoram falar mal) mas em What's That You're Doing que é claro os dedos de Wonder descendo a mão magistralmente no sintetizador, com todo aquele funkiado, e Paul cantando quase no mesmo timbre de Wonder, enquanto logo somos surpreendidos por um PUTA refrão, a lá Paul, o cara que sabe fazer música. nível fodástico: TODAS.
Press To Play - 1985
Pulei dois álbuns pelo motivo já descrito. Esse disco do Paul eu paguei R$2,00 em um sebo precário aqui no centro de Campinas. Eu era bem novo e quado ouvi achei um lixo. O disco se perdeu. Fui ouvi-lo novamente anos mais tarde, depois de baixar a discografia digitalizada. O que poso dizer é que esse é o disco mais estranho dele. Mas não deixa de ser interessante. Tem Pete Townshend na guitarra e Phil Collins na batera. Um disco cheio de ecos e essas coisas bem anos 80. MAS... todo disco do Paul sempre vai ter pelo menos duas ou três canções que valem a pena e muito, a ponto de virar uma de suas preferidas. Stranglehold abre como se fosse um clássico blues, mas caminha para o lado Paul de ser (claro, um bluseiro de primeira quando quer, mas aqui ele ousa). Good Times Coming é a segunda faixa a lá Sting, mas no fim da canção fica claro ser um álbum de Paul McCartney, nem que seja apenas em Feel The Sun Shining. nível fodástico: Stranglehold, Good Times Coming e Once Upon a Long Time.
Flowers in The Dirt - 1989
Prestes a vir ao Brasil pela primeira vez, Macca lança esse. My Brave Face é incontestavelmente foda e foi para as rádios de todo o país. Paul, não sendo nenhum idiota, aproveitou e veio divulgar o trampo. Interessante é que nas coletivas por aqui, Paul disse "eu já compus com pessoas super interessantes; Steve Wonder, Michael Jackson e Elvis Costello (que colaborou com a já citada e You Want Her Too, outra lindaça) mas John era o melhor". Eu era um molequinho e ouvi falar do Paul pela primeira vez. Morava em Niterói-Rj e tudo mais, vi um cara saindo do meu prédio, todo feliz da vida, dizendo que ia ao show do Paul. Um outro amigo meu foi e disse que as 180 mil pessoas eram sentidas em todos os membros de seu corpo naquele minúsculo Maracanã. Um outro conhecido disse que a mãe dele morava na Zona Sul do Rio, e que o show do Paul parou completamente Copacabana, Leblon, Ipanema... O poder de Paul McCartney era provado para entrar na história naquele ano de 1990. Nessa mesma leva de entrevista, ele diz algo do tipo "ora, veja bem... eu estou com 45 anos e cheio de energia para continuar compondo e subindo aos palcos, que é o que eu mais amo fazer". 21 anos depois foi a minha vez de ver esse cara no palco. nível fodástico: My Brave Face, You Want Her Too, This One
Aqui vai uma espécie de nível fodastico, que será meu palpite para os destaques - e tal canção, etc... quado o disco tiver "Todas", é porque ele é clássico insuperável pelos deuses da música, e os discos que tiverem as canções citadas, significa que ele já vale a pena toda a audição por ter essas tais canções.
Você pode estar pensando "mas o cara é fã de Beatles e não ouviu tudo do Paul ainda?" - é claro que não... Pra que a pressa? Quanto mais eu puder adiar o cumprimento total do catálogo, sempre haverá a surpresa, e a vida vai fazendo sentido...
McCartney - 1970. Paul estava puto porque a gravadora que ele mesmo fundou com seus amigos estava empatando o lançamento desse disco, pois Get Back estava para ser liberado pela incorporação APPLE. De um modo ou de outro, ele conseguiu lançar quase na mesma data que Let It Be (o nome que acabou sendo vinculado ao último disco dos Fab). Sendo que Abbey Road era o grande final da maior banda de todos os tempos, é natural que um disco solo de Paul estaria nas grandes expectativas do público - que é o verdadeiro termômetro do sucesso desses artistas. Paul simplificou as coisas, do mesmo modo que ele queria ditar nos Beatles no fim da banda. O curioso é justamente a grande expectativa. Paul parece ter mandado todo mundo a merda. Esse foi o seu exagero, mandar um belo foda-se para todos, para os amigos, para os fãs, para a gravadora, para o mundo, se importando apenas com sua vida e sua Lovely Linda. nível fodástico - That Will Be Something, Every Night, Man We Was Lonely, Mabe I'm Amazed.
RAM - 1971. Paul grava esse nos EUA. Diferente do anterior, ele chama um baterista para fazer a parte do instrumento, criando, assim, uma atmosfera de banda no disco. Há mais gente tocando com ele, além de Linda nos vocais e na produção musical. O disco abre com uma estranha entonação vocal, mas que depois de inúmeras ouvidas, torna-se umas das mais lindas introduções de todos os tempos, do tipo que você se pega reproduzindo o tempo todo com a própria voz enquanto faz a sua janta. Em RAM, Paul reafirma a sua condição de melhor cantor do mundo, pois ele não tem apenas UMA voz, ele tem várias. Ele faz exatamente o que quer com o instrumento mais difícil de todos. Ele sacaneia, é sacanagem. Se em "Oh Darling" ele já mostrava o ápice de seus berros, ele vem com "Monkberry Moon Delight", pra colocar na cara de todos algo do tipo "ei, meu primeiro disco foi apenas uma torrada com geléia... eu tenho um grande baquete para você saborear. nível fodástico: TODAS.
Wild Life - 1971 - Aqui é fundado o Wings, com o brilhante Denny Laine em uma das guitarras. A maconha é fatalmente o elemento que faz a máquina andar a todo o vapor. O mundo não teve tempo de pensar muito, pois além de Paul ter lançado RAM, George e John haviam lançado os incontestáveis All Things Must Pass (é preciso um post a parte para falar desse disco) e o Plastic Ono Band. Wild Life é o Revolver do Rubber Soul, no que se entende que os dois discos se completam, é assim com esse disco e o RAM. Parece disco um, disco dois. Tomorrow é uma faixa assustadoramente real, palpável, injetável na alma, viciante. Faz bem aos sentidos. Sentar e colocar a agulha da vitrola para raspar nessa faixa é como se o mundo fizesse sentido por alguns minutos. nível fodástico: TODAS.
Band On The Run - 1973. Se você é especialista na discografia do Paul, percebeu que já pulei um na ordem dos lançamentos. O Red Rose Speedway é de 73 também, e eu acabo de ouvi-lo, foi quando me deu a ideia de fazer esse post (não é possível que esse cara seja dessa forma), mas não vou colocá-lo na lista de ouvidos porque eu o ouvi, até agora, apenas UMA vez. Arrepiei do começo ao fim, mas é preciso mais propriedade para palpitar o disco. Band On The Run é o Sgt Pepper do Paul, na questão de divisor de águas. Uma coisa é a carreira solo dele antes desse disco. Outra coisa foi depois. Um grande marco, uma linha vertical no horizonte da vida do artista. Curiosamente, tem uma das únicas faixas em toda a carreira de Paul que lembra mesmo uma canção dos Beatles, mais precisamente de George Harrison, que é No Words. Cheio de climas, cores, precisões, violões, vozes, sintetizadores, tudo... Band On The Run carrega a música título na abertura e é intrigante ver o velho Mcca tocá-la até hoje, como um hino. Jet é de sentir os poros tremerem, o verdadeiro Rock And Roll. nível fodástico: TODAS.
Venus And Mars - 1975. Paul dá um tempo de 2 anos antes de lançar essa capa estranha. Seria bola de bilhar? E onde ele conseguiu bolas de bilhar sem numeração? Enfim... Rock Show! Long Hear! Oh Yeaaahhhhh! Paul é um porta voz do Rock. Claro que não é o único, não sou um fã idiota a ponto de achar que só ele fazia o verdadeiro Rock And Roll. Também sei que gosto é gosto e não se discute. Sei que vai ter gente não concordando em nada com o que eu escrevo aqui. A coisa é sinistra... O Rock tem muitos conceitos e pre conceitos. Mas um Oh Yeahhhhh é verdadeiro, é coisa do bem. nível fodástico: Rock Show, Magneto and Titanium Man, Call me Back Again. Duvida? Procure no you tube...
Back to The Egg - 1979 - Prestes a mudar de década, na qual eu adoro dizer que era o ano do reberb e caixa de bateria sintética - claro que ele entrou nessa - Paul lança esse disco que mais parece ser um filme. Sinto que ele estava no auge do consumo de maconha. Se você pegar os videos dessa época, vai ver que todo o Wings está de olho baixo, e o Paul centrado. Uma capa dessas não é coisa de neguinho que raciocina "saudavelmente". Mais uma vez um disco dele é introduzido com uma canção porrada, ao mesmo tempo doce, não como um vinho ruim e enjoativo (como disse um amigo meu dias desses) mas como doçura mesmo. nível fodástico: Getting Closer, We're Open Tonight, Again and Again and Again, Arrow Through Me, Baby's Request.
McCartney II - 1980. Paul entra nos anos 80 com esse disco inteiramente intrigante. Volta ao básico, faz tudo sozinho. Contrata suporte técnico e os créditos estão devidamente esclarecidos. Sua máquina de fazer ruído é uma curtição só. De novo ele manda um grande foda-se. O disco é despretensioso e deixa a prova de que não é necessário largar o Rock and Roll para usar elementos eletrônicos. Da sinistra Temporaly Secretary, à pomposa Frozen Jap, Paul deixa claro sua genialidade como compositor usando e abusado do sintetizador. Check My Machine fala disso. E, claro, seu conhecimento do contra baixo vai além das possibilidades impossíveis em Coming Up, na minha opinião a melhor versão de todas dessa cação está nesse disco. nível fodástico:TODAS
Tug Of War - 1982 (o ano em que nasci)
Quando eu estava procurando um disco do Paul que eu nunca havia ouvido ainda, um tiozinho do sebo me falou desse disco, dizendo que era um dos preferidos dele. Eu, com minha mania perturbadora de subestimar o gosto dos outros, olhei para ele meio que surpreso, peguei a capa, dei uma boa olhada, olhei as músicas... "Hmmm, ok, Here Today é linda, Tug Of War tem aquela porrada e aquele acorde menor maravilhoso... Ebony and Ivory? Ah, é produzido pelo George Matin? Vou levar". E não é que a mão de Martin pesa mesmo? A sonoridade muda completamente. O timbre das baterias de Ringo Star e Steve Gad (esse, na minha opinião, um dos melhores bateristas do mundo) soam, ao mesmo tempo, clássico e contemporâneo. A soma pra lá de animal nos talentos de Paul e Steve Wonder, não apenas em Ebony and Ivory (que muitos metidinhos a odiar a música pop ou a música óbvia ou a música do povão adoram falar mal) mas em What's That You're Doing que é claro os dedos de Wonder descendo a mão magistralmente no sintetizador, com todo aquele funkiado, e Paul cantando quase no mesmo timbre de Wonder, enquanto logo somos surpreendidos por um PUTA refrão, a lá Paul, o cara que sabe fazer música. nível fodástico: TODAS.
Press To Play - 1985
Pulei dois álbuns pelo motivo já descrito. Esse disco do Paul eu paguei R$2,00 em um sebo precário aqui no centro de Campinas. Eu era bem novo e quado ouvi achei um lixo. O disco se perdeu. Fui ouvi-lo novamente anos mais tarde, depois de baixar a discografia digitalizada. O que poso dizer é que esse é o disco mais estranho dele. Mas não deixa de ser interessante. Tem Pete Townshend na guitarra e Phil Collins na batera. Um disco cheio de ecos e essas coisas bem anos 80. MAS... todo disco do Paul sempre vai ter pelo menos duas ou três canções que valem a pena e muito, a ponto de virar uma de suas preferidas. Stranglehold abre como se fosse um clássico blues, mas caminha para o lado Paul de ser (claro, um bluseiro de primeira quando quer, mas aqui ele ousa). Good Times Coming é a segunda faixa a lá Sting, mas no fim da canção fica claro ser um álbum de Paul McCartney, nem que seja apenas em Feel The Sun Shining. nível fodástico: Stranglehold, Good Times Coming e Once Upon a Long Time.
Prestes a vir ao Brasil pela primeira vez, Macca lança esse. My Brave Face é incontestavelmente foda e foi para as rádios de todo o país. Paul, não sendo nenhum idiota, aproveitou e veio divulgar o trampo. Interessante é que nas coletivas por aqui, Paul disse "eu já compus com pessoas super interessantes; Steve Wonder, Michael Jackson e Elvis Costello (que colaborou com a já citada e You Want Her Too, outra lindaça) mas John era o melhor". Eu era um molequinho e ouvi falar do Paul pela primeira vez. Morava em Niterói-Rj e tudo mais, vi um cara saindo do meu prédio, todo feliz da vida, dizendo que ia ao show do Paul. Um outro amigo meu foi e disse que as 180 mil pessoas eram sentidas em todos os membros de seu corpo naquele minúsculo Maracanã. Um outro conhecido disse que a mãe dele morava na Zona Sul do Rio, e que o show do Paul parou completamente Copacabana, Leblon, Ipanema... O poder de Paul McCartney era provado para entrar na história naquele ano de 1990. Nessa mesma leva de entrevista, ele diz algo do tipo "ora, veja bem... eu estou com 45 anos e cheio de energia para continuar compondo e subindo aos palcos, que é o que eu mais amo fazer". 21 anos depois foi a minha vez de ver esse cara no palco. nível fodástico: My Brave Face, You Want Her Too, This One
Off The Ground - 1993
Vejo esse com a mesma nóia de Rubber Soul/Revolver ou Ram/Wild Life, no que se refere a serem parecidos ou irmãos ou coisa que o valha. Flowers in The Dirt/ Off The Ground soam parecidos em timbres e na pegada da banda (acho que é a mesma banda nos 2 discos). Eu, particularmente, prefiro o Off The Ground. E lá vem o Paul de novo, só que dessa vez em Sampa, no Pacaembu. Um show mais relax, como conta o mesmo amigo que esteve no Maracanã em 1990. nível fodástico: Hope Of Deliverance, Biker Like An Icon, Piece in The Neighborhood, Golden Earth Girl, The Lovers That Never Were, Get Out Of My Way, C'mon People.
Flaming Pie - 1997
Na era do CD - Paul, o artista que atravessou eras - chama uma tonelada de brothers e diz ele mesmo, no encarte, que o disco foi feito na base da risada, sem neuras, sem pretensões... SEI... O disco soa muito fresco, finalmente não há mais a sonoridade dos anos 80. Os reverbs da bateria voltaram a ficar em segundo plano. Violões voltam a tona, do jeito que só Paul toca. A música título é simples e direta, do jeito que deve ser o Rock. Paul volta a ser o roqueirão de sempre, mostrando que pode fazer de sua música exatamente o que lhe der na telha. Ringão toca com ele em Beatiful Nigth - e soa como Ringo, sempre, mão direita precisa do hi-hat, bumbo simples e assustadoramente preciso, suas viradas de caixa e tons e surdos, do modo de ser, no modo Rock. Ringo é o melhor, tocando para o melhor. nível fodástico: TODAS.
Driving Rain - 2001
O artista que atravessou gerações. Se eu pudesse perguntar algo para ele, seria uma pergunta óbvia de resposta óbvia, mas eu iria olhar nos olhos dele e tentar ver o ser humano que há por detrás do mito: "Paul, em 1963, quando de fato os Beatles apareceram, você dizia ao topo John, mas, de fato, sabia que 40 anos depois seria tão agraciado quanto nos anos 60?". É claro que a resposta seria "não, eu não sabia". A história é coisa séria. Paul ainda está vivo. Driving Rain foi o primeiro disco que comprei do Paul, depois de ter ouvido o ONE dos Beatles e de ter vasculhado a internet na época do Napster. Tive a felicidade de ter duas canções produzidas por Sérgio Dias, do Mutantes, e na ocasião ele me falou dos Beatles e que eram de supra importância para a música do mundo. Ao ouvir esse disco, de fato minha vida mudou. O velho é mais fresco que muita gente, ainda assim tradicional. A nova banda é espetacular. O Hofner está mais timbrado do que nunca. A Epiphone, a Gibson, a Fender, a Ludwing, todos os melhores instrumentos do mundo nas mãos do melhor do mundo. De novo, depois de anos, Paul faz um disco delirante de cabo a rabo, com direito a apelo para a liberdade sobre o atentado de 11 de setembro. nível fodástico: TODAS.
Chaos and Creation in The Backyard - 2005
Porra. Vai tomar no cu. Filho da puta. Velho lazarento. Eu amo a música desse cara. Eu dou glórias ao incalculável processo da paixão musical. Toma no cu, isso é sacanagem. Tanta gente tentando ser algo, tentando fazer pelo menos UM refrão. Vem esse velho e fode todo mundo, numa complexa humildade. Precisava ter chamado o produtor do Radiohead? Só para deixar mais foda ainda. Depois de tantos anos, como pode ser tão estupidamente preciso em tudo o que faz? Como pode nos fazer chorar depois de The Long and Rinding Road e tantas e tantas e tantas outras? SIM. Paul McCartney é e sempre será o meu grande horizonte, o farol, o norte. Esse disco é aquele que ele nem precisava ter feito e já seria o maior dos maiores, o foda dos fodas. Mas ele quis ser mais foda. Fazer o que? Absolutamente PERFEITO. nível fodástico: TODAS.
Ecce Cor Meum - 2006
Fui presenteado pela minha mulher com esse disco. Eu nem sabia que havia sido lançado. Sabe aquele tipo de coisa que é feita de repente? Do nada, esse disco estava nas prateleiras da Saraiva. Era meu aniversário e ela achou se tratar de mais um disco do Paul. Não fazia ideia de que era uma de suas aventuras clássicas. Um amigo meu me disse "mas se o Paul peidar, o mundo inteiro vai curtir". É... bem por aí. Não sou de ouvir música clássica. Colocamos o disco para tocar e veio aquela surpresa. Não sabemos se gostamos, não sabemos se não gostamos. De qualquer modo, um dia eu estava com meus 39° de febre por conta de minhas sofríveis crises de sinusite, jogado ao canto, querendo a morte, sofrendo mesmo, muito mal tratado pela minha própria natureza bacteriana - aí me deitei no sofá, sozinho, e coloquei Ecce Cor Meum para tocar. Me senti tão bem, tão leve, tão longe de qualquer sofrimento. Eu sorria e pensava "grande Paul". Um disco que vale a pena ouvir. nível fodástico: TODAS, desde que esteja deitado.
Memory Almost Full - 2007
Posso estar falando merda (na verdade, acho que estou falando merda desde o dia em que nasci, mas é assim mesmo) mas esse disco tem a masterização mais porrada da discografia do Paul. É alto mesmo. E, de novo a nóia de discos irmãos. Chaos/Memory soam na mesma linha - apesar de eu ter acabo de falar da masterização. See you Sunshine mostra o melhor baixista de rock do mundo em ação mais uma vez no seu incomparável Hofner. Só ele tira som desse instrumento. The End of The End Paul anuncia seus desejos sobre sua morte (com muita lucidez). Dance Tonight é o som de dançar mesmo, o rock feito para bater pé. Ever Present Past carrega, mais uma vez, a simplicidade dos acordes - Paul até arrisca uns passos no vídeo da música. Only Mama Knows é rockão, de novo, e nunca vi uma banda tocar igual (até eu tentei, um resultado sofrível da parte dos envolvidos). nível fodástico: TODAS.
Kisses On The Bottom - 2011
Magnífico. Ousado. Clássico. Paul cantando de um modo novo, uma nova voz. Instrumentos clássicos. Um disco de remasters que soa como mais um projeto solo de Paul. Ele começa a cantar e se você não sabe que é um disco dele, não vai matar que é a voz dele. Ele tem sim a sua marca, mas ele consegue se desvincular disso, tamanha é a sua propriedade como músico. Um homem apaixonado pela sua missão aqui na Terra. E já disse que terá um disco de inéditas esse ano. Espero com todas as ansiedades possíveis. nível fodástico: TODAS.
Se você leu isso até aqui, é porque de alguma for eu prendi sua atenção. Eu duvido muito que alguém vá chegar até aqui, mesmo porque esse post não vai te acrescentar em porra nenhuma. Nem me acrescenta em nada. Mas a vida é assim mesmo. Acrescentando ou não, o que importa é o sentido que damos a ela. Acredito muito nisso. A coisa do gosto musical é tão própria que é uma questão de sentido vital mesmo. Algumas coisas fazem sentido, outras não. Se você curte meus textos ou a forma com que me expresso e quer mandar o disco da tua banda para eu ouvir e escrever sobre, farei com todo o prazer. mande no email felippepompeo@gmail.com e juro que vou ouvir mesmo. Faço essa promessa porque sei que a demanda vai ser mínima... Um amigo meu diz o seguinte:" Porra, o Pompeo é foda...ele fica doidão e começa a fazer promessas de shows, gigs e jams... no dia seguinte esquece tudo". Sou assim mesmo. Prometo que vou ouvir, mas não garanto que vou gostar... Prometo que escrevo.
Grande abraço.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
SOL - 2011
Para download... para você que deu um google para achar o disco. Antes de tudo, muito obrigado.
http://www.megaupload.com/?d=F9NAGB3N
!!!
http://www.megaupload.com/?d=F9NAGB3N
!!!
sábado, 29 de outubro de 2011
Felippe Pompeo lança o SOL.
O título é um tanto pretensioso ou duplamente sensitivo. Mas é claro que Felippe não lançou o astro rei. Mas nos daremos a liberdade para introduzir esse texto, usufruindo da licença poética ou artística. Ultimamente andam falando muito de arte, tentando conceitualizá-la num rótulo disso ou aquilo, como se ser artista fosse uma coisa para poucos ou para escolhidos. Felippe parece ter a visão curta e grossa sobre o assunto: "Isso tudo é besteira. Mas não me pergunte o que eu acho que é arte, porque vou estar caindo em contradição. Para mim é o tipo de coisa que não se conceitualiza". Um curto espaço de tempo separa o lançamento de "Esperanto", seu último disco, ao de hoje, intitulado "Sol". Em nossa última entrevista, Felippe nos recebeu na casa de seus pais, um tanto atento às criticas sobre seu trabalho lançado em março de 2011, onde foi escrachado por causa de um mal entendido a cerca do nome Esperanto e do propósito do disco em falar sobre Deus, coisa que, para ele, ninguém entendeu. Dessa vez ele nos recebeu em sua nova casa, onde mora com sua companheira de longas datas, a jornalista Silvia Montico, um lugar charmoso e aconchegante no distrito de Joaquim Egídio. A cadela Maria Bethania - uma vira lata marrom - parece se entusiasmar com a chegada de nossa equipe. Felippe vestia uma bermuda manchada de cloro e uma camisa branca que mal parecia caber nele.
Os Blocos de Cimento - Dá a impressão de que você é um viciado em trabalho. Esperanto é de março. O Sol foi lançado sete meses depois. Dois discos em um ano é um tanto desafiante...
Felippe Pompeo - É só uma impressão. Na verdade tem dia que tenho vontade de jogar tudo no lixo, meus equipamentos, minha disposição. Gosto mesmo é de não fazer nada. Ficar sentado na sala olhando pro teto ou deitar na cama e deixar a vida passar. É uma ilusão a coisa de amar o trabalho. Acredito que realmente existam pessoas que amam o que fazem, assim como eu. Mas trabalho é trabalho, e tudo que dá trabalho na maioria das vezes vira um saco. No caso desses discos, é um trabalho não remunerado, onde a coisa se complica, pois o meu tempo e disposição são colocados no meu trabalho remunerado, e quando tenho que fazer essa coisa que tão chamando de arte, eu estou muito cansado e sem vontade de querer mudar a vida das pessoas. Eu não sou viciado em trabalho, eu apenas sinto a necessidade de fazer isso. Parece que sou obrigado, existe uma força maior que não me deixa mandar tudo ir a merda. Porque, cara, deu muito trabalho criar e realizar o Sol. O disco vem sendo feito há 4 anos. Decidi lançar o Esperanto antes porque era mais fresco o tipo de coisa que eu estava compondo e porque ele é um disco menos experimental, se é que isso é algo para ser levado a sério. Os dois serem lançados no mesmo ano é uma coincidência que eu não tinha percebido.
Os Blocos - Você faz música para mudar a vida das pessoas?
Felippe - (pensativo) Se eu te falar a razão de eu fazer música, vou estar mentindo ou equivocado. É uma parte de mim que compartilho com quem estiver disposto a recebê-la. É a minha parte dócil, se é que posso dizer isso. Grandes artistas mudaram a minha vida sim, no sentido de antes e depois. Antes de ouvir The Dark Side of The Moon (Pink Floyd) eu era uma pessoa, depois eu me transformei em outra, por mais que eu seja a mesma pessoa, a informação que entrou na minha mente nunca mais me abandonou. A experiência de se ouvir um disco desses é de fato reveladora. Um sorriso, um arrepio, uma lágrima. Eu ouço música para me deixar de pau duro, ouço um som para me revelar a verdade sobre os meus sentidos, tudo ao mesmo tempo. Para mim não há nada mais puro do que a música. Se eu conseguir fazer isso nas pessoas que me ouvirem, acredito que mudei a vida delas sim. Se para sempre elas se lembrarem da experiência de ouvir o Sol, acredito que para sempre se lembrarão de mim. Acredite, não é pretensão, é necessidade de compartilhar o amor que há dentro de mim, querer compartilhar essas coisas que martelam na cabeça.
Os Blocos - Falando nisso, o disco é dedicado a Brain Wilson e Roger Waters.
Felippe - Pois é justamente o que estou te dizendo. Esses caras mudaram mesmo o meu jeito de enxergar um disco. Não é apenas um emaranhado de canções bem trabalhadas e mixadas, onde o bumbo bate forte e o baixo tem aquele som que todo mundo comenta depois. Brian Wilson escreveu Smile, que demorou quarenta anos para vir a tona de fato, um trabalho que fez as pessoas pensarem que ele estava louco, que ele se entupiu de comprimidos e drogas e se trancou no seu espaço vazio interno. De louco, o senhor Wilson não tem nada. Se você ouvir o Smile, vai perceber que muitas vezes você vai querer jogar seu aparelho de tocar música no esgoto, mas também vai querer apertar a mão de Brian e abraçá-lo depois que você compreende o conceito do álbum. Quando meu amigo Thiago me trouxe o The Wall para ouvir, me lembro bem cara, puta merda... Apertei o play, e começa aquele sonzinho baixo, fui aumentando o volume, aí vem aquele BUM de In The Flesh?, eu não acreditava no que estava ouvindo. Todo o conceito do muro está ali, esteticamente, numa soma de sons, melodias e palavras. Aí você vai ver os créditos, está lá "escrito por Roger Waters". Foi aí que pensei, depois de ouvir esses dois discos, nessa ordem, preciso fazer algo desse jeito. E foi assim que escrevi o Sol.
Os Blocos - Você diz em "Simplesmente Seja" que se espelha em gênios.
Felippe - E eu só quero ser um deles... (risos). Não sou hipócrita, de fato eu quero fazer parte do hall dos gênios, mas isso não é um título que se consegue numa faculdade ou coisas desse tipo. É um desabafo mesmo. E quem é que te elege um gênio? Tem gente que adora me lembrar que depois que morremos é que vamos ser lembrados. Tem gente que adora me lembrar que não nada e que ninguém sabe quem sou eu. Eu sei disso, oras bolas. Acima de todo mundo, eu sei que não sou ninguém. Acho que incomodo as pessoas pelo meu jeito carrancudo e pelo fato de ter um certo conteúdo. Antigamente eu achava todo mundo merda. Hoje eu acho que todo mundo têm o direito de se expressar, de um modo bom ou ruim, e esse modo é relativo. A coisa da qualidade, sabe... E, cara, quando eu gosto de algo, eu me apaixono. Vou e rasgo ceda para a pessoa. Ainda mais se é alguém daqui da cidade que está ao meu alcance, eu colo no cara e falo um pacote do quanto eu acho foda, etc...
Os Blocos - Como foi o processo de composição do Sol? Porque demorou 4 anos?
Felippe - Demorou por falta de recurso mesmo. Eu tenho a demo do disco, que foi feito num Compac podre. Mas era a minha ferramente de trabalho. Eu lembro que dei os primeiros acordes de Luz, e fui cantando "eu vejo a luz no fim do túnel, eu vejo Sol no amanhã" e pensei "peraí, que túnel é esse? vamos lá, vamos ver onde vai dar". Já com o pensamento voltado para o disco conceitual, depois de ter ouvido Wilson e Waters, fui levando a coisa. Usei algumas coisas que já tinha escrito, como "Ele e Ela", e o conceito foi nascendo, foi dando liga. Depois ficou impossível separar os capítulos, tinha que ser assim. Não queria dar a liberdade ao ouvinte de poder pular uma música. É disso que se trata, não é uma ou seis canções, são 3 atos - que nem o Smile, só que o Smile é recortado. O Sol é chato por isso, porque tem que sentar e ouvir. Esqueça o que há em sua volta. Esqueça refrões ou se você acha que vai ficar cantarolando as canções depois. É um disco para prestar atenção. É um disco desafiante. E eu acho isso fascinante.
Os Blocos - Dessa vez você fez quase tudo sozinho. Tem o teu irmão na bateria e foi dirigido por André Leonardo, do Oito Mãos.
Felippe - Nossa, eu adoraria ter uma equipe, uma banda de apoio, apoio mesmo, que me apoiasse. As pessoas não tem paciência comigo porque, na verdade, eu não tenho paciência com as pessoas. Essa coisa de produtor musical é só um nome, uma referência de trabalho. Não sou produtor, eu apenas gosto de estar presente no ambiente de gravação e criação. Eu queria dar a oportunidade pro meu irmão gravar em um disco e de tocar bateria de verdade, tocar para a música. Bateristas são complicados, porque é um instrumento tão intrigante que é preciso força moral e psicológica para simplesmente sentar e tocar, e não ficar fazendo malabarismo. Ele o fez. Me deixou falar para ele exatamente o que deveria ser feito e o que não deveria. Me deixa tão orgulhoso isso, meu irmão confiar no meu trabalho, no meu talento, e deixar um cara como ele, foda, que toca muito, ser dirigido por um lunático. Em apenas um momento do disco, na música Sol, lá no finzinho do terceiro capítulo, ele vai que vai. Foi até engraçado, ele disse no meio da gravação "mano, deixa eu fritar aqui, por favor"... abri outro canal da batera e ele se regravou, fazendo aquelas viradas doidas dele... Caguei de rir quando acabou o take, ele parecia um cavalo que foi solto num enorme pasto depois de ficar preso o dia todo. Acho que foi assim que fiz ele se sentir, preso. Mas foi bom, muito bom. Quanto ao André, alguém tinha que apertar o rec pra mim. Foi isso que ele fez, e deu os toques preciosos que só quem sabe dirigir uma gravação o faz. Como fui eu que produzi, ás vezes ele dava umas opiniões e eu dizia no microfone "sua sugestão foi indeferida". Acreditem, é engraçado de mais trabalhar com essas coisas.
Os Blocos - Você ainda é uma pessoa insegura? Você disse que era inseguro em nossa última entrevista quando lançou o Esperanto.
Felippe - Você gostou do Esperanto?
Os Blocos - Gostei muito.
Felippe - Que legal... Me dou melhor com a coisa da normalidade de não gostarem do meu trabalho do que antigamente. As pessoas que me vieram parabenizar pelo Esperanto disseram coisas tão bonitas. Mas as pessoas que escreveram coisas do Esperanto, pessoas que nem me conhecem, coisa da exposição máxima saca, me disseram coisas tão terríveis. Isso me fez não querer lançar o Sol para essas pessoas, porque daqui pra frente vou fazer música para meus amigos, as pessoas que me respeitam. Uma vez eu mostrei esse disco, e versão demo, para um amigo. Ele me disse que não era o tipo de som que ele gosta, mas que se espantou com a minha capacidade de composição. Porra, o cara não curtiu em tira o chapéu? É o respeito, né... Eu espero isso das pessoas. Por isso a insegurança. Mas ainda sou inseguro com a coisa da técnica, que ainda estou aprendendo. Mixar, meu camarada, é muito difícil, porque sempre vai ter um filho da puta para falar isso ou aquilo. Aí eu me espelho em gênios, e os filhos da puta que se fodam.
Os Blocos - Você acha que tem fãs?
Felippe - Eu tenho sim. Uns seis ou sete. A essas pessoas eu tenho o meu profundo agradecimento por tudo que ando passando. Quando lanço um disco, eu me liberto, porque o processo me deixa pesado, é um fardo mesmo. Quando é lançado, fico livre. Mas procuro pelo novo fardo imediatamente.
Os Blocos - Já tem um disco novo para vir?
Felippe - Tenho até o nome, que se chamará Bravo, e quando dou um nome, ele fica. As músicas do Bravo estão prontas. Só estou pensando bastante em como fazê-lo e, assim, dar início ao processo. Só não quero demorar muito. Espero gravar, mixar e lançar o disco num espaço de tempo curto. Quem sabe ele não fica pronto em 2012? E tenho músicas antigas, que uma vez toquei num show exclusivo para amigos, esse show se chamou "Nós somos mais do que eu". Mas não pretendo gravar essas músicas tão cedo. Talvez o show dessas canções antigas já foi a experiência em si.
Os Blocos - Então você não tem limites para a composição?
Felippe - Tenho sim. A morte.
...
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Contando os anos. (mais uma vez, o passado!!!!) ou E agora o que nos resta é saltar.
Com ou sem retórica?
COM.
Então... esse facebook. Ainda não escrevi nada sobre ele. Não faço ideia do que vai ser escrito aqui...Mas sei do que quero falar. É um bom começo. O Facebook, o Google, a Macintosh e a Microsoft são os grandes aliados (ou não) de nosso tempo. Sendo assim, resolvi aqui fazer uma peneira da minha breve vida aqui na Terra nesses tempos loucos, que na verdade a loucura que faz somos nós mesmos.
1982 - nasci
1983 - eu tinha um ano.
1984 - eu tinha dois anos.
1985 - eu tinha 3 anos.
1986 - eu tinha 4 anos e aí as lembranças começam a pintar. Eu mostrava os 10 dedos das mãos indicando minha idade quando me perguntavam. Eu via jogo de futebol e gritava gol toda hora. Lembro que tinha piscina na escola e que minha mãe adorava embrulhar sanduba de mortadela para minha merenda.
1987 - eu tinha 5 anos.
1988 - eu tinha 6 anos. Fui alfabetizado.
1989 - eu tinha 7 anos. Escrevi meu primeiro calendário, nunca me esquecerei do ano no fim dele. Foi nesse ao que descobri que vivia em Niterói. Foi nesse ano que nos mudamos para o prédio que mudaria minha vida: O Papas de Niterói.
1990 - eu tinha 8 anos. Grandes amigos eu fiz nesse tempo de infância.
1991- eu tinha 9 anos. Guns And Roses era a melhor banda do mundo.
1992 - eu tinha 10 anos. Tenho uma vaga lembrança de que completar uma década foi importante para mim. Estufei o peito.
1993 - Guns ainda era a melhor banda do mundo. Piratininga era logo ali, assim como Itacoatiara. Icaraí era o quintal da minha mãe. O meu era o play do Prédio Papas, com os meus amigos da mais pura infância. Viemos para Campinas
1994 - eu tinha 11 anos. Brasil ganha a copa. Eu ganho um violão. Alguns amigos que entraram para a lembrança.
1995 - eu tinha 12 anos. Descobri que se eu fosse folgado com algumas pessoas erradas, eu tava fodido. Descobri o carrinho de rolimã.
1996 - eu tinha 13 anos. O sol seco de Campinas ainda é o mesmo. Descobri que eu não levava o menos jeito com as mulheres.
1997 - eu tinha 14 anos. Eu era um idiota. Um moleque chato. Mas eu era original...
1998 - Eu tinha 15 anos. Sabia tocar um pouco mais de violão. Ganho minha guitarra. Ganho um microfone Le Son. Depois de tentar montar algumas coisas frustrantes em quesito de banda, entro pra banda Estaka Zero.
1999 - Eu tinha 16 anos. Com um nome novo, o Lucidas grava seu primeiro disco. Eu estudava no Batista. Entrei pro Louvor da IPI Canaã. Conheci outros grandes amigos.
2000 - Eu tinha 17 anos. Terminei meu namoro com a Flávia. Conheci Thiago Henrique (o Ramirez). O Lucidas começou a tocar bastante.
2001 - eu tinha 18 anos. Não liguei muito por fazer 18 anos.
2002 - eu tinha 19 anos.Lucidas ganha Sprite Sounds. Fui pra Saturno. Gravamos com Sérgio Dias. Beatles aparece, de fato, na minha frente.Eu começo a achar que minha vida seria um artista do rock. Queria ser famoso.
2003 - eu tinha 20 anos. Gravamos Até o Fim.
2004 - eu tinha 21 anos. Termino meu namoro com a Fernanda. Entro para a PUCC. Conheço a Silvia. Conheço mais grandes amigos.
2005 - eu tinha 22 anos.
2006 - eu tinha 23 anos.
2007 - eu tinha 24 anos. Viagem para Olimpia-SP.
2008 - eu tinha 25 anos.
2009 - eu tinha 26 anos. Faço gastronomia. Conheço mais grandes amigos.
2010 - eu tinha 27 anos. Meu pai me disse "agora você é um homem".
2011 - eu tenho 28 anos. Começo a achar que a vida não faz o menor sentido. Sinto que já vivi demais e não espero grandes coisas da minha vida. O mundo é um lugar filosoficamente compreensível, mas na prática é outros quinhentos. Acho que tô doidão.
sem mais.
que preguiça.
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